terça-feira, 2 de setembro de 2008

Momentos GXP


1. Em 2008



O Jornal da Tarde é o líder de audiências no seu horário.
Todos os dias, às 13 horas, a sua hora de almoço é completada com a actualização das notícias que marcam a actualidade nacional e mundial, desde a política, a economia, a sociedade e sem esquecer o desporto.
Reportagens no local, entrevistas em directo e sempre a isenção e o respeito pela verdade que marcam a informação na RTP.



O noticiário (2008.08.28, 2.ª parte) está disponível no site da RTP - início aos 17m40s


A peça foi realizada por ocasião do 68.º aniversário do Grupo, num sábado à tarde.

26s - Alberto Paulo Ferreira, jogador da fortíssima formação do ACR Vale de Cambra, joga uma rápida com António Silva, capitão do GXP.

27s - Em segundo plano, Carlos Castro joga com Mário Marques.

40s - Intervenção do Árbitro (Nacional A) António Valente.

53s - O Mestre Álvaro Machado - histórico xadrezista do Grupo que continua a ter muito para ensinar - acompanha um torneio em directo, via internet.

1m19 - Joaquim Brandão de Pinho, presidente da Direcção, fala sobre o clube e destaca dois jovens xadrezistas: André Ventura Sousa (Campeão Nacional Sub-8) e Ariana Pintor (presença assídua na Selecção Nacional Feminina).

1m55 - Hermenegildo Ribeiro surge entre Mário Marques e António Silva.

2m - Américo Moreira joga com o filho do Fernando Cleto (vai ter que dar jogador, a abrir com a Bird aos 3 anos! apesar de o pai - outro pilar da equipa principal do Grupo - ainda ter que lhe dar umas instruções em off)


2. Em 1990





O Bom Dia era o programa da manhã da RTP em 1990, ano em que a vigorosa Sara Brandão de Pinho "tinha apenas 5 anos", a Tânia Saraiva era "uma menina com 14" que "recebeu um raro subsídio da Câmara Municipal do Porto e disputou o Campeonato Mundial Sub-14 em Porto Rico" e o Grupo de Xadrez do Porto, "colectividade com tradição neste desporto", "comemora o seu cinquentenário".



Logo a abrir a reportagem (04:23), aparece o Bernardo Camisão que está a jogar com a Tânia Saraiva.

Aos 04:19, o Senhor Carvalho está na sua cadeira de sempre, no seu tabuleiro de sempre, como sempre a jogar com um miúdo. O resultado de certeza que também foi o habitual: vitória, por abandono, se o rapaz se esforçou; empate, proposto mesmo na recta final, se precisar de se esforçar mais para a próxima. O Senhor Carvalho só jogava algumas partidas por tarde com cada benjamim e quando nos sentia preparados para outros vôos, deixava de jogar connosco, empurrando-nos para outros tabuleiros. Normalmente, acabávamos no tabuleiro do lado, o do Senhor Artur, que jogava sempre para ganhar e não tinha grandes considerações pedagógicas, sempre com o olhar atento mas contido ("quem está de fora racha lenha") do Senhor Carvalho. No final do dia, ou no dia seguinte, o Mestre explicava ao pupilo onde podia melhorar e depois sorria quando o Senhor Artur se sentia em dificuldades...

Aos 04:11, encontra-se "diante do tabuleiro [a] menina de apenas 5 anos" e, quando o plano aumenta, na mesa contígua, o Paulo Vinhal devia estar a dar-me uma tareia (Cc2+, Cxa1, seria?). Era eu sub-12 mas a minha irmã já me pedia umas dicas =D

Aos 03:50, grande plano de Pedro Quaresma que se sagraria Campeão Nacional Sub-16. Atrás dele aparece o pai e o Mestre Machado, o mesmo do vídeo anterior.

Aos 03:13, o Senhor Artur, fervoroso adepto do Boavista Futebol Clube, ao lado do Senhor Carvalho, como era hábito.

No último minuto, o Senhor Brandão, durante muitos anos "forçado" presidente do GX Porto, fala sobre o clube e a modalidade. No original, a entrevista continua durante mais uns minutos.



3. Antes e Depois



"Retrato de Grupo com Amigos"
Por Rui Pereira no site do GXP.

Têm uma magia própria as fotografias cor de sépia. Um mistério idêntico ao dos velhos livros, onde uma solenidade amarela, de cheiro fechado, se mistura com o passar do tempo. É possível recuperar o esplendor do mogno das velhas mesas, com os seus tabuleiros incrustados? Conseguirão ainda os grandes relógios de antigamente compassar as novas partidas? Este é um estranho mundo de moradas perdidas e velhos cafés assassinados, retratos de uma outra cidade, folhas de uma cultura soterrada pela selva urbana do nosso tempo, ao qual apenas chega, solitária e íntegra, a honrada memória do «Grupo». «Pai, que faz este senhor de pistola na sala do torneio, a ver os jogadores?». «-Aquele era o Che Guevara, filho! Nunca se separava da pistola. Adorava xadrez e já morreu, queres ver?...». E lá vão, os dois, pela mão um do outro, em voz baixa porque, ali ao lado, joga-se xadrez. Ou, de outra maneira, porque ali ao lado, na nobreza do velho salão, se perpetua a paixão em contra luz de gerações debruçadas sobre belos tabuleiros de madeira. Dez anos vezes seis vezes, 60 anos, pois, que é a idade em que os sonhos amadurecem e podem, então, voltar ao princípio.

Como na tarde de Julho de 2000, em que, com um sorriso nostálgico, o engenheiro Lima Torres emerge da letra impressa de uma anódina lista de adversários de Alekhine, numa simultânea de 1940, para se sentar ali, do outro lado da mesa, e restituir ao presente o mítico campeão sob a forma de um homem, cujos passos pesados parece agora poderem escutar-se, enquanto sobem as escadas até ao primeiro andar do Grupo. Que importa que primeiro andar de que prédio ou de que rua, era esse? ... Alekhine como que se materializa aqui, agora, no primeiro andar do nº 183 da Rua Passos Manuel, ao lado desses homens de cabelos brancos e anos avançados, sentados em volta dos gastos tabuleiros do Grupo, onde repousa, aberto, o livro das suas 200 melhores partidas, oferecido, pelo autor, vai para 60 anos ao «Groupement d’ Échècs du Porto», com os melhores votos e...

... a sensação de estar sentado à mesa com a história, a mais viva de quantas percorrem quem deve alinhar algumas palavras sobre a memória do «Grupo», esse carinho cifrado que, para os seus, não só designa o mais antigo clube de xadrez no activo em toda a Península Ibérica, como representa o íntimo recanto da paixão que os liga ao velho jogo, desde o longínquo Maio de 1940, quando a Europa ardia sob o fogo dos exércitos e, nos cafés do Porto, se jogava xadrez.

Um deles servirá de primeiro albergue para um punhado de homens que a única coisa que queriam era isso mesmo, jogar xadrez. O desaparecido «Monumental», na Avenida dos Aliados conhece dessa maneira os primeiros passos do «Grupo», um trajecto onde dois nomes haviam de destacar-se: Raul Fernando da Silva (também ele já apenas uma memória) e Augusto Faria, hoje com 90 anos, o sócio nº 1. Não há fotos desse tempo de antes do tempo? Talvez haja, quem sabe... Até porque, provavelmente, a ideia não seria inédita na cidade. O «Grupo» alberga nos seus arquivos os números um e dois da revista «Estratégia». Amarelecido pelos anos, o papel fininho das suas páginas informa de que elas tratam de xadrez e damas e que eram editadas na Rua do Almada, em 1933.

Havia, então, um tráfego intenso de tabuleiros sobre as mesas, nessa geografia perdida dos cafés da cidade. Miúdos como o mestre Álvaro Machado, futuro sócio e campeão do Grupo, aprenderam o movimento das peças por entre o ruído da clientela e a fadiga dos empregados, assim, de pé, observando em silêncio dois senhores circunspectos, que tomam o seu café e um digestivo, enquanto manobram lentamente, pela tarde, os bispos e os cavalos, com o vagar dos tempos perdidos.

«Eu ficava ali a vê-los jogar, a princípio sem perceber como aquilo funcionava, depois compreendendo uma por uma como se moviam as peças. Nessa altura o que não sabia era como acabava o jogo. Não sabia qual era o objectivo», contou o mestre Machado. Iria aprendê-lo mais tarde, às mãos de um amigo, que enquanto pode não deixou de aproveitar as águas turvas da ocasião para trocar uns quantos “pates” ineptos por “mates” à medida. Mas isto passar-se-á, tudo, bem mais tarde.

Agora é Abril de 1941 e o «Grupo» mudou-se para o café «Palladium». Adelino Ribeiro torna-se o seu primeiro presidente eleito. Acompanham-no, um húngaro radicado no Porto, Gencsi Dezso, à época um dos mais fortes jogadores da cidade, além de Augusto Faria, Aníbal Leite e Luiz Almeida. De todos eles, apenas Faria chegaria até nós.

Não muito longe dali, um grupo de radialistas cuja memória nos apresenta como sendo constituído por indivíduos intelectualmente vanguardistas e, como tal, adiantados ao seu tempo, acolhe no «Portuense Rádio Clube» um espaço radiofónico dedicado ao xadrez. Desconhece-se como chegaram Adelino Ribeiro, Augusto Faria ou Dezso ao contacto com os homens de éter, que passaram a abrir os seus microfones regularmente aos porta-vozes do misterioso jogo. Também se ignora a duração do programa. Mas, homens como Aristides Cunha, ao procurarem no seu antiquíssimo baú as recordações desse tempo, lembram-se de ficar à noite em casa para escutar emissões que diziam coisas como esta:

«Minhas senhoras e meus senhores: Pela primeira vez a minha voz é lançada, juntamente com as radiações de alta frequência que a transportam, através do misterioso e hipotético éter. As minhas palavras iniciais deveriam constituir, logicamente, uma apresentação e uma justificação da minha presença. Todavia, uma apresentação torna-se desnecessária, uma vez que me encontro aqui, não como uma personalidade vincadamente individual, mas como um elemento integrante de uma colectividade florescente e progressiva que é o Grupo de Xadrez do Porto».

A diluição do individual no colectivo faria com que, sem assinatura, nem registo audio, apenas o texto lido aos microfones do «Portuense» chegasse até hoje. E ninguém da época se recorda de quem era o autor. Uma voz sem rosto, a propagar um projecto desconhecido... «Receio, porém, que todo o meu desejo de bem cumprir e todo o entusiasmo que à minha tarefa dedico não consigam neutralizar ou, pelo menos, esmaecer a falta de originalidade da minha pena e o descolorido das minhas frases»... Era um temor conhecido por todos os que em todos os tempos tentaram fosse o que fosse e, também, um modo de dizer. Porque estes eram homens que no tabuleiro jogavam gambitos, sacrificavam peças em nome da beleza e serviam o seu xadrez romântico com um verbo barroco: «O intelectual português –constatava a voz de Abril de 1941— ainda não atentou bem, por via de regra, nas magníficas qualidades do Jogo Real». Em boa verdade, há que conceder que hoje, Julho de 2000, assim continuamos, como no texto iniciático que a exposição dos 60 anos reproduz na íntegra.

Mas a Primavera de 1941 é tempo de outros sonhos, na Europa do pesadelo. Para os pioneiros do Grupo germina a ideia, a possibilidade, de trazer ao Porto o campeão do mundo, Alekhine. O velho cavaleiro vivia tempos fulgurantes ao tabuleiro. Excessivamente fulgurantes, talvez. Enquanto centenas de pares seus agonizavam nos campos de concentração, Alekhine aceitava dar simultâneas aos oficiais alemães. E ia mais longe, escrevendo artigos anti-semitas e laudatórios da Alemanha hitleriana.

Sabe-se que tal conduta o degredaria em Portugal, após a vitória aliada, onde deu simultâneas para sobreviver até que morreu estupidamente engasgado com uma bola de carne mal mastigada, durante um jantar solitário no seu quarto de hotel no Estoril, tendo defronte uma posição de xadrez, montada sobre um tabuleiro de análise. Desconhece-se, porém, suficientemente que impulso moveu o último czar do xadrez russo, rumo aos braços da cegueira hitleriana. Opinião política, delírio mitómano? ... Costumava contar este senhor pesado e alto que agora, 1 de Setembro de 1941, cruza o salão do Palladium, ter um dia tido que disputar a sua liberdade numa cela da Tcheka soviética contra Trotsky em pessoa. Uma história que, até hoje, a História se encarregou de nunca confirmar.

Seja como for, a 24 de Agosto de 41 a direcção do Grupo comunicava a todos os sócios numa caligrafia escrupulosa que «foram plenamente coroadas de êxito as negociações entabuladas entre o G.X.P. e a F.P.X. [Federação Portuguesa de Xadrez] para a deslocação ao Norte do Sr. Dr. Alexandre Alekhine, campião (com “i” e não com “e”) mundial de xadrez». O «maior astro do firmamento escaquístico» chegaria no dia seguinte a Espinho, onde ficaria por uma semana, dando três sessões: 2 simultâneas - a primeira das quais, às cegas, estava marcada para a noite seguinte, uma segunda feira, 25 de Agosto, pelas 21 horas e 30 – e uma lição temática.

Entardece. E não custa imaginar como pulsa o coração aos oitos jogadores seleccionados pelo Grupo, ao encaminharem-se, de acordo com a convocatória da direcção, para a «Garagem Atlântida», à Praça da Batalha, onde deveriam estar impreterivelmente pelas 20 e 15. Um deles regressaria nessa noite de Espinho com uma vitória, Domingos Tavares. Enquanto o húngaro Dezso anulava com o campeão de olhos vendados. Assistia-se ao milagre por cinco escudos de bilhete, enquanto os participantes «estavam isentos de qualquer taxa». Sabe-se que Alekhine voltou a jogar, confirmando, já em condições normais, sobre 43 vítimas (só o húngaro Dezso de novo sobreviveu) a sua «técnica brilhantíssima e incomparável virtuosidade», até chegar, no fim dessa semana mágica ao reduto portuense dos jovens lobos, e ser recebido na bela sala «Renascença» do primeiro andar do café Palladium. Aí estão, expostas, as reproduções dos documentos citados e das fotos, tanto da simultânea, quanto da sua notável presença entre os xadrezistas do Grupo que, desse modo, abriam com chave de ouro o primeiro de 60 anos de história ora calma, ora acidentada. Se necessário fosse, a vista de Alekhine teria um efeito catalisador sobre toda uma brilhante geração de xadrezistas. O ritmo competitivo era assombroso. Três anos depois o Grupo de Xadrez do Porto vencia o campeonato nacional de xadrez postal. Outros três e tornava-se campeão nacional por equipas. E, nesse mesmo ano, Leonel Pias, o rapazinho de óculos sentado ao canto da fotografia com Alekhine, ganhava o título de campeão nacional. Mestre Pias ainda vive. E é possível assistir às suas quotidianas e iracundas lições matinais de matemática num café de Espinho, onde alguns jovens menos dotados para o cálculo da ciência exacta enfrentam submissos o proverbial desfastio que faria boa parte da história pessoal do professor nas salas de jogo do Grupo. Aqui, ele é recordado pelo seu carácter difícil, pelo título de campeão, pela qualidade do seu jogo e pelo livro que deixou escrito, primeiro em fascículos e, posteriormente, compilado num único volume: «Lições de Xadrez». Parêntesis, chavetas e fracções constituem a representação gráfica das variantes concebidas, meio ao estilo da época, meio de acordo com o espírito matemático do seu autor. Quantas terceiras categorias espreitaram apavoradas aquela ciclópica colecção de conhecimentos, sentindo-se, porventura, incapazes de jamais assimilarem, dela, um milésimo que fosse? Quem visitar a exposição e observar a obra de Leonel Pias perceberá o sentido de tal terror.

A abrir as suas «Lições», mestre Pias não se demorará no diagnóstico: «Em Portugal joga-se muito xadrez, mas estuda-se pouco». Para o autor, essa seria a razão para que nenhum nome português ornasse o galarim xadrezístico mundial. Apesar de discutível, o argumento parecia fazer escola entre os responsáveis da época. À medida que chegavam a mestres, os jogadores do Grupo começavam a transmitir os conhecimentos aos demais jogadores, em cursos sistemáticos, dirigidos pelo «Gabinete Técnico do G.X.P.» que funcionou, pelo menos nos primeiros tempos, sob a direcção do próprio Leonel Pias.

Contudo, no plano da competição, os segredos não se partilhavam. Amargou muito, o futuro mestre Álvaro Machado, desde o dia de 1947 em que entrou na sala do tesouro do «Palladium» e ficou paralisado. «Para mim, aquilo era como entrar no Estádio Nacional». Pelas mesas de mogno e os jogos de madeira? Sim! Pelas colunas do salão? Sim ! Pela circunspecção grave dos circunstantes a jogar? Também, sem dúvida! Mas, acima de tudo, porque tudo aquilo junto parecia uma oculta conspiração propositadamente reservada aos neófitos para lhes cortar a respiração.

Eis, portanto, o jovem Machado, de pé, sem ousar dirigir a ninguém a palavra, olhando, estudando, procurando compreender o secreto destino das peças na sua quadrícula concentracionária, manejadas por homens que, por serem-no, homens e não deuses, não tardaram em começar a vergar os seus reis incrédulos à vertiginosa ascensão do recém chegado. «Num ano passei das terceiras categorias para as primeiras». E, quando se tornou mestre, não muitos anos mais tarde, o Grupo retribuiu-lhe a honra, organizando uma Taça com o seu nome: «Taça Álvaro Machado». Modesto e grande como só alguns velhos campeões, na entrevista para este trabalho mestre Machado não mencionaria o facto, que pode testemunhar quem, na exposição, olhar com atenção os boletins internos da década de 50.

Aquela era uma taça de honra. Mas, no Grupo desse tempo, quase todos eram bons pretextos para competir. Faziam-se os torneios de categorias, as provas oficiais, encontros internos por equipas, com jogadores agrupando-se propositadamente para defrontarem os seus colegas de clube e, quando todas as modalidades da imaginação pareciam esgotadas, alguém se lembrou de organizar um torneio de solteiros contra casados.

A década dobra, aqui. Anos 50. O pequeno João Mário Ribeiro, que se vê numa foto belíssima, a estudar uma posição, com uma estranha concentração adulta a coroar um corpo infantil, já é um mestre e está em Lisboa. Falta pouco para se tornar o segundo campeão nacional oriundo das fileiras dos pioneiros do Grupo. Noutras fotos ele surge a liderar a equipa, com os pais por trás e a sua mãe é, por curiosidade, a única senhora presente nas dezenas de fotos que refazem estes primeiros anos do Grupo de Xadrez do Porto.

Anos sobre os quais Ribeiro imprimiu uma inextinguível impressão digital. Pelo seu xadrez, evidentemente, mas também pela presença que detinha junto dos outros jogadores. As fotos de equipa mostram, sentado ao primeiro tabuleiro do Grupo, no fim dos anos 40, um jovem João Mário, de gabardina vestida, poucos minutos antes de começar a jogar, com o ar algo vago que a concentração dá aos xadrezistas quando começa a chegar... uma figura situada algures entre James Dean e os existencialistas franceses que os retratos de juventude de Camus emblematizam. Pela fotografia percebe-se como ele era formidavelmente bem parecido e tinha o ar culto de quem nasce em berço de ouro. Pela história, sabe-se que jogava melhor do que os seus pares e, de volta à imagem, observa-se como tinha o semblante sonhador dos predestinados. A foto tem, aliás, uma história curiosa. O jogador que se encontra no segundo tabuleiro, ocupa essa posição porque a pediu a Álvaro Machado, na altura o campeão do Grupo, para poder jogar ali, ao lado do João Mário. Assim a memória os fixou.

Esse era o tempo inocente em que o xadrez era jovem e os jogadores ousavam dedicar-lhes poemas, como só os homens novos e apaixonados fazem às mulheres que amam e aos objectos por que se apaixonam: «Ao vê-los, frente a frente, / belos, curiosos, manobrando / as peças de xadrez / confiei neles, nos outros homens / existentes no mundo / Sabia que despertavam / que as peças simples de madeira / torná-los-iam mais humanos / mais leais, mais soberanos / do universo. / Foi assim que os vi...», testemunhou o sócio Manuel Pires num velho boletim dos anos 50, trazendo a notícia da atmosfera da época que, só por tão arrebatada, logrou trazer incólume, até aos dias de hoje, o Grupo de Xadrez do Porto.

É, aliás, no ano de 1955 que, em Março, a direcção começa a edição de um boletim interno que surgirá nas mãos dos sócios durante nove anos consecutivos. Os directores estão, nessa altura, preocupados. Os ecos dos passos de Alekhine parecem começar a deixar de se ouvir nas escadarias do café Palladium. «Notamos com apreensão o divórcio existente entre a grande maioria dos associados e a vida activa da nossa colectividade. (...) A todos é, por isso, pedido um mínimo de esforço, que torne possível transformar o Grupo de Xadrez do Porto numa colectividade à altura das suas responsabilidades». De facto, nada existe, hoje, de novo debaixo do sol...

A estrutura financeira revela, então como agora, uma árdua economia de subsistência. Na rubrica “Receitas”, inscrevia-se a quantia de 7.400 escudos, enquanto a “Despesa” acusava 7.180$00. Havia um saldo positivo de 200 escudos, mas não apareciam registos de qualquer contribuição exterior. As receitas do orçamento para 1955 faziam-se de 7.050 escudos de quotizações, 300 referentes à compra de material da biblioteca e 50 entrados através da compra de «jogos velhos» por sócios.

A prosa fatídica dos números não alterava, contudo, o afã de jogar. Ao lado do orçamento, o Boletim anuncia só para esse mês de Maio de 55, as cinco sessões do campeonato das categorias A, a que se juntam um torneio relâmpago em duas sessões, a disputa da Taça de Aniversário com as equipas do Tirsense e da Assembleia de Campanhã, além de uma sessão de simultâneas do mestre Manuel José da Costa. E, a terminar, um jantar de confraternização com distribuição de prémios.

Em Agosto seguinte, era desferido no boletim um sinal de luzes a qualquer incauto destinatário que não surge identificado. Apenas a alusão ao facto de algum clube ter divulgado para a imprensa resultados desportivos mais favoráveis do que os que lograra obter. Uma pequena chispa. A direcção exortava: «Haja ponderação, senhores!». E pelo resto da prosa ficamos a saber que «de há tempos para cá os jornais diários têm, de certo modo, acarinhado o nosso jogo, publicando os noticiários que os grupos lhes enviam».

Acidente, ou influência de alguém? Não se explica. A verdade é que, por essa altura, os dirigentes do xadrez tinham já uma noção muito precisa da importância de mediatizar o jogo. A ponto de, ainda antes de se concluir o ano de 1955, em Novembro, surgir uma bizarra lista de participantes na Taça «D. Juan Casas Bosch», um «prestigioso associado», competição que era disputada por equipas com nomes insólitos: «Olímpicos do Salgueiros; Unidos do F. C. do Porto; Amigos do Sport Lisboa e Benfica; Simpatizantes do Académico F. Clube e Adeptos do C. A. de Rio Tinto». Quem olhar para o nome dos três elementos de cada equipa, publicados nesse Novembro de 1955, há-de esfregar os olhos e voltar atrás, a ver se é ele, ou a realidade quem se engana. Todos os jogadores pertencem ao Grupo de Xadrez do Porto. Alguns são das suas principais figuras até ao momento. Que se passava?

Propaganda. Nada mais simples do que a imaginação a dar um jeito à difusão do xadrez. Explica o mestre Álvaro Machado: «Pensámos que se fizéssemos um torneio com os nomes dos clubes de futebol, os jornais pegariam melhor. E assim foi. Éramos todos jogadores do Grupo, mas no jornal as equipas só apareciam com o nome de clubes de futebol. E a verdade é que apareciam!»

Nas actividades regulares, além da competição, pontificavam os cursos de formação. O melhoramento técnico parece, visto daqui, uma obsessão de direcções sucessivas. Havia um bibliotecário, em meados da década de 50 e, entre outras acções, cumpria-lhe organizar sorteios para angariar fundos para juntar mais livros a alguns tesouros então já ali existentes. Entre eles (encontra-se exposto) o «Traité Élémentaire du Jeu des Échècs Éxposé d’ Après une Mèthode Nouvelle pour en Faciliter l’ Étude, Précedé de Mélanges Historiques et Littéraires», par le Conte de Basterot. Datado: 1852! Um livro com mais de 150 anos, que os velhos pioneiros do Grupo olham com suavidade e nostalgia, acenando afirmativamente com a cabeça: — claro que o conhecem. Foi por ele que estudaram.

Ao baixo, na página das referências técnicas do «Traité» do conde de Basterot, uma indicação extraordinária: «Se vend au Café de La Régence», Paris. Isto é, o centenário epicentro de todo um dos mais importantes períodos de toda a história do xadrez, quando as portas do «La Régence» davam passagem a todos os cavaleiros românticos do tabuleiros do século XIX, entre os quais Paul Morphy, que aí jogou os seus fulgurantes matches europeus, para se afundar na loucura, depois de cruzar o oceano, de regresso à sua América natal.

E o conde, que insondável cartografia o guiou até ao velho armário da Rua Passos Manuel? – Ponto de interrogação. Mais um. O mesmo que poderia estender-se às mais recentes páginas de uma revista da Federação Cubana da modalidade, datada de 1967, o ano em que os heróis começaram definitivamente a tombar, dedicada a Guevara acabado de morrer nas montanhas da Bolívia. Lá está Guevara numa foto-monografia da sua paixão compulsiva pelo tabuleiro. De pistola à cinta, observa os grandes mestres que disputam o reputado Memorial Capablanca, o mesmo torneio onde o solitário Grande Mestre português, António Antunes, conseguiu a última norma para o seu título. Noutra página o Che ri-se. Acaba de ganhar uma peça a um incipiente mestre cubano numa simultânea. Tem um charuto entre os dentes e ri-se. Aqui estende a mão a Mikhail Tal, o mago das combinações que declarou certa vez que se algum dia proibissem o xadrez, se tornaria contrabandista. Ali perde com Korchnoi, jovem ainda, soviético ainda, antes de desaparecer e mudar de pele, para se tornar por entre uma montanha de doces de nata e as pirâmides de chocolate suíço, num dos mais intratáveis e longevos campeões que os tabuleiros albergam nos baús da sua história. Quem trouxe Guevara para o Grupo? Quando?...

Labores da paciência... infinita e pequena acumulação de carinhos e generosidade. Como esta outra, da lavra de Fernando Cleto, um dos campeões gerados pela travessia do tempo, entre o Palladium e a Passos Manuel, que certo dia pegou numa caneta e com mão firme e cuidada, desenhou caracteres de imprensa até preencher todas as principais variantes das aberturas que por começarem com o peão de rei se chamam abertas ou semi-abertas. Tem por título «1.e4», o fólio do jogador, que o ofereceu ao seu clube, que guarda ambos com indisfarçável orgulho, encadernado, o livro, debruado a letras douradas, por trás das quais os mais jovens podem descobrir como continuar ao segundo lance, com tanta incerteza quanta a que o xadrez autoriza e impõe a quem o joga.

Mais fresca ainda, no espólio do Grupo, a assinatura de outro campeão mundial, Kasparov, recolhida em Lisboa pelo actual vice-presidente, Mário Marques, que depositou no velho armário o trabalho da sua paciência, esperando numa bicha de autógrafos em Lisboa, com «El Ajedrez Combativo de Kasparov» na mão e os olhos no relógio, a verem passar as horas e com elas o tempo de chegar ao Porto, para subir a rua e guardar o troféu que, dentro de muitos anos, talvez 60, quem sabe, algum pesquisador de folhas perdidas irá recuperar ao fundo do cesto sem fundo da memória do Grupo, se a tanto ele chegar.

Mas agora regressemos do armário dos livros para a sala do Palladium. Corre 1965. As «Bodas de Prata» são assinaladas condignamente. Numa das fotos, o então presidente da FPX, Rodolfo Lavrador, discursa. A Federação oferece ao Grupo um volume sobre peças de xadrez artísticas. No mesmo dia, ainda novo e magro, Joaquim Durão, o pluri-campeão nacional, à frente do Grupo de Xadrez Alekhine, de Lisboa, recebe a taça correspondente à vitória no torneio internacional por equipas, organizado para comemorar o evento. Era um conjunto de Pontevedra, Galiza, que internacionalizava a iniciativa. Na exposição, fotos documentam o jogo e o brinde.

Duas constantes do Grupo, aliás. Jogar, jogar intensamente e brindar, brindar pontualmente. Muitas imagens ilustram a tradição que se prolongou por todos os anos dos tempos áureos da vida do Grupo e que consistia na realização do banquete de aniversário. Com mais pompa, ou mais circunstância, lá iam todos, num dia de Maio, rumo a um restaurante, passando antes por um penhasco sobre o Douro, como acontece numa das imagens expostas, colhida de cima e guardando um bom número de sócios a olhar a objectiva, ou a paisagem assente sobre o rio que, ao fundo, carrega serenamente o seu imutável paradoxo de Heraclito, levando sempre para o mesmo destino as mesmas irrepetíveis águas que o compõem. Assim flúi o tempo, repentinamente rasgado por um clarão de écran a preto e branco que traz, de súbito, para outra dimensão a quadrícula restrita dos tabuleiros. Os olhos habituam-se à nova luz, pregados ao noticiário da noite. João Cordovil fala durante deliciosos minutos sem fim. Um velho tabuleiro de latão e íman ao canto do Telejornal atrai pequenas multidões de jovens às salas de jogo. Está quente a guerra fria, nesse ano de 1972 em que a América fabricou não um novo míssil, mas um novo mito, na figura de um herói genial e excêntrico que à maneira de Hollywood, jurara arrebatar à indústria soviética de campeões de xadrez o ceptro mundial. Robert Fisher é a nova fábula. O «modelo» que passeia o xadrez, pela primeira vez, nas passereles da actualidade do mundo ocidental. Irascível, demoníaco, arrogante e ingénuo, com uma melena de cabelo caída sobre a testa e a marca do génio incontido gravada a ferro em brasa no fogo do olhar que gelou Moscovo.

Na catedral do xadrez mundial, que é o Clube Central moscovita, onde todos os campeões do mundo têm uma sala galeria com os seus retratos oficiais, como se de um estranha dinastia de monarcas sem reino se tratasse, lá está o dele, Fisher, ladeado pelos homens estupefactos que começaram por não acreditar no que viam, para em seguida não acreditarem no que lhes acontecia. O pianista e grande mestre Taimanov perde por 6-0 com Fisher, nos quartos de final do campeonato do mundo. O regime tira-lhe o piano de concerto, que apenas devolverá anos depois, quando ele se casar com a filha de um destacado membro da nomenklatura do xadrez soviético. Larsen conhece destino semelhante. Mas é fraco consolo para uma Moscovo que, veio a saber-se já depois da Perestroika, encarregou o KGB de seguir o mais jovem grande mestre de sempre, com a impossível missão de decifrar a chave da sua genialidade. Petrosian é a vítima seguinte. Nem o seu jogo granítico e profundo travava o aspirante, que olhava Spassky, talvez o mais universal xadrezista da sua geração, com um sorriso de desdém: «É um adversário fácil!», proclamava Bobby.

E com tudo isso e com o seu xadrez inapreensível, baseado em ataques mortíferos que culminavam um entendimento do jogo que parecia chegar-lhe do fundo dos tempos, carregado da sabedoria de cada um e de todos os que antes de si tinham jogado, Fisher cativava um mundo seduzido pela propaganda. «No Grupo estava tudo a favor dele», recordam jogadores desse tempo. «Não por política, mas pelo xadrez». De outro modo: — pela aventura que Fisher personificava e que todos os xadrezistas do mundo perseguem quando se sentam a um tabuleiro e lançam na batalha o mais irrisório dos seus pequenos peões, ao encontro de um vento de guerra, ou de um desafio interminável. Todos por Fisher, então. E Fisher não desapontou nenhum. Abriu o match com uma falta de comparência e ainda assim condenou Spasssky que, pelo seu lado, se deixou condenar, quase de bom grado, contemplando cortesmente a vitória alheia com a genuína e educada admiração que só os homens bons podem nutrir pelo seu adversário.

Depois Bobby Fisher condenou-se a si próprio, enterrou-se em vida, resolveu morrer e assim fez. Para só renascer vinte anos mais tarde, com barbas grisalhas para um match caricatural contra um Spassky de cabelo quase completamente branco e um sorriso ainda mais brando que o de outrora. Um Spassky que perderia cordatamente uma vez mais, num desafio a dinheiro, sem emoção nem importância, um remake de quem parece esquecer que à segunda a história pode repetir-se, sim, mas como farsa.

Dois anos depois é Abril em Portugal. As fotos da época são eloquentes. Os cabelos caem sobre os ombros e os jogadores trocaram a gravata pelas barbas em desalinho. Há camisas de flanela, camisolas justas com a gola em bico e calças à boca de sino. Riem-se e cochicham à beira dos tabuleiros. Estas imagens têm barulho, ao contrário das suas antecessoras, onde para além do código morse dos cálices de brandy e das chávenas de café a serem pousadas nos respectivos pires, ao lado dos tabuleiros, aqueles cavalheiros distintos e antigos pareciam respirar a solenidade dos grandes silêncios.

Pelas janelas do café Palladium chega o alvoroço das ruas de 74 e 75. Nos cafés joga-se às revoluções, não ao xadrez. Nos próprios clubes é assim. A secção do Futebol Clube do Porto tem hasteada uma bandeira da UDP. E o pugilato que ocasionalmente une alguns contendores mais exaltados tem menos a ver com a teoria das aberturas, do que com a técnica da insurreição. Excepto no Grupo. Aí não. O Grupo era uma instituição veneranda, fundada por cavalheiros de ar british que nunca tinham querido problemas com Salazar. Nem os queriam com Vasco Gonçalves. «Jogar xadrez foi sempre a única coisa que nos interessou», resumirá o mestre Álvaro Machado. E era. Arlindo Vieira, com metade da idade de Álvaro Machado conhece o Grupo nas vésperas da sua saída do Palladium, quando o histórico café fechou as suas portas. Vinte e seis anos depois, ele recorda como, ali, em pleno turbilhão político, quem entrava na sala do Grupo continuava a deparar com o mesmo silêncio absorto, o mesmo cheiro de sempre ao mogno das mesas (uma das quais foi restaurada para esta exposição) e era olhado da mesma maneira distraída e ausente pelos presentes que, sentados a jogar, pareciam seres de outra dimensão, que viam a sua sublime função perturbada por um estranho visitante ocasional.

O encerramento do Palladium obriga o GXP a esfregar os olhos e acordar, por breves momentos, no meio das ruas agora tão diferentes. O primeiro impulso dos directores é procurarem outro café. Mas, nos cafés, toda a gente parecia ter-se esquecido dos tabuleiros e do xadrez outrora rituais. Há sinais de fragmentação entre sócios. A custo é arrendada uma pequena sala no nº 183 da Rua Passos Manuel. É ainda a zona da Baixa. Mas é também a demonstração de que os tempos mudaram. O xadrez saía para a rua. A Direcção Geral dos Desportos espalhava milhares de tabuleiros pelo país. E os xadrezistas não tinham mãos a medir. Toda a gente dava simultâneas a toda a gente. Até Ramalho Eanes, o presidente em pessoa, aparece numa foto da época a dar uma simultânea.

O émulo soviético de Fisher, um Karpov muito magro e jovem, emblema da superioridade cultural e desportiva do socialismo, por oposição à decrepitude capitalista, defrontava o «renegado» Korchnoi, o homem que ousara fugir e fazia campanha anti-Kremlin a partir das casas do tabuleiro de xadrez. Estamos no tempo dos parapsicólogos e dos hipnotizadores da KGB. Os jornais enchem-se de páginas dedicadas ao jogo da política, por interposta modalidade: o xadrez. Os que haviam escapado em 1972 tinham agora uma segunda oportunidade. Grande parte dos mestres portugueses não disfarçou a sua simpatia por Karpov. Mas, no Grupo, agora assoberbado por uma incómoda readaptação, os relógios prosseguiam sem quebras o seu sonoro e redondo matraquear: — continuava a jogar-se xadrez.

Mas, mesmo especificamente nisso, no xadrez, as coisas começavam a mudar. Os jovens arribavam com um impulso, uma vontade e uma capacidade diferentes. Chegavam também as primeiras, ainda que raras, mulheres. Isabel Pereira dos Santos contrairia como uma doença incurável que se lhe tivesse colado à pele, o título de campeã nacional. Conquistou-o pela última de 11 vezes, em 1992, desta feita em representação do Grupo. Sucedeu-lhe Tânia Saraiva, campeã nacional em 1994 e presença habitual na selecção Olímpica feminina de Portugal. Ficavam longe as palavras de 1955, proferidas pelo à data sócio número um do Grupo, Weber Salgado, que em entrevista ao Boletim interno, não acha do xadrez feminino, nada mais do que um lacónico e pouco convicto: «seria útil e interessante».

Enquanto epifenómeno de massas, tão bruscamente como aparecera, o xadrez desapareceu em Portugal, para reocupar a sua velha posição residual, de uma minoria igualmente ignorada, apesar de menos minoritária. Vários clubes mantêm na cidade a chama semi extinta dos tempos loucos de 74, 75 e 76. O Grupo definha organicamente. Por trás de uma porta anónima, que abre passagem para um corredor estreito e mal iluminado, a que se segue uma escada que range sob o peso dos passos e o passar dos anos, a nova sede ilustra o esplendor perdido. Mas, inexplicavelmente, a referência mantém-se. A custo, praticamente sem auxílios, uma equipa do GXP volta a estar perto do título de campeã nacional, já em 1997. Mas a hegemonia do Boavista impede a repetição da proeza de há 50 anos atrás. Um meio século que passa, então, quase despercebido, de permeio com os dois títulos de campeão nacional de xadrez postal por essa altura vencidos por José Gonçalves, em representação do Grupo.

Últimas imagens. Quadros a cores mostrando, então, essa porta anónima algures no coração da cidade. Por trás de quanto revela e esconde qualquer porta, flúem gerações. E passado e futuro misturam-se como na foto seguinte: em primeiro plano, os cabelos completamente brancos de Aristides Cunha, um fundador, jogando com Brandão Pinho e nota-se que entre ambos o tempo cavou qualquer coisa não muito distante do meio século. Mais ao fundo, na imagem, dois jovens ensinam os primeiros movimentos das peças a um grupo de miúdos pequenos. Entre estes e o senhor Cunha, o Grupo de Xadrez do Porto estabelece uma ponte de uns 70 anos de tempo. Entre estes e todos os que ali não estão, mas poderiam estar, O Grupo de Xadrez do Porto ligou através dessa mística alquimia que faz com que, dos cerca de meio milhar de xadrezistas federados da cidade, quase metade sejam seus sócios, ainda que jogando pelos respectivos clubes.

Mesmo nesta época um pouco sombria, pela tarde, os cavaleiros do passado costumam juntar-se para jogar. Não muitas palavras, uma mágica tertúlia de silêncios interrompidos apenas pela vertigem das rápidas que os mais novos, regularmente, ali vão “bater”. E, nessas tardes que passam, quem estiver atento pode sentir um sopro antigo que murmura na sala exígua e quase lúgubre; um contraditório rumor semelhante ao eco de uma velha garrafa atirada ao mar, cujo interior guarda a indecifrável mensagem que, sem nunca ninguém ter lido, cada uma das gerações que por ali se recordam, mais todas aquelas que por lá ainda se esperam, parecem antecipadamente conhecer de cor.

Ao sentir o peso da história desportiva do Grupo de Xadrez do Porto e entendendo o seu lugar na galeria das instituições, da cultura, da educação e da vida da cidade ou, mais simplesmente, lendo apenas os textos contíguos de Álvaro Brandão e Mário Marques, actuais responsáveis pelo testemunho que do tempo lhes chega, ou as muito belas palavras de Arlindo Vieira, ele próprio um historiador, percebe-se por que razão, no Grupo, tantos garantem que as mesas hão-de voltar a ser de mogno e terão incrustados os magníficos tabuleiros com as suas peças de madeira pesada que a vertigem vazia do nosso tempo lhe deve. Entende-se por que dizem, todos eles, que no ar se respirará, de novo, o aroma aristocrático dos grandes lugares. E, ao ouvi-los, torna-se claro, também, por que razão ao Grupo de Xadrez do Porto não se aplicará o nunca o destino que Patrick Suskind reservou ao protagonista de um seu conto sobre xadrez, condenando-o à pelota, «um jogo de menos exigência moral». Este foi o lugar que acolheu Alekhine. E, ao evocá-lo, quem é capaz de não acreditar que, um dia, se ouvirão, de novo, uns passos pesados e solenes a subir ao primeiro andar?


Rui Pereira

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Momentos Vigorosos

1. Desafios


Boletim n.º 1 - Janeiro de 2007


Boletim n.º 2 - Abril de 2007


Boletim n.º 3 - Julho de 2007


Boletim n.º 4 - Outubro de 2007


Boletim n.º 5 - Janeiro de 2008



2. IV Torneio Internacional da Figueira da Foz (2007)



O IV Festival de Xadrez da Figueira da Foz é um dos maiores e melhores da época.
Constituído por uma conferência do revolucionário Edmundo Pedro (que aprendeu a jogar xadrez durante os nove anos que passou no Tarrafal com outros perseguidos políticos) e uma simultânea dada pelo jovem prodígio da República Checa, Jiri Kociscak - 13 anos, 2223 pontos elo! -, o Festival, que na cerimónia de abertura, em que se fez uma sessão evocativa do Fado de Coimbra, teve direito a honras televisivas e à presença dos edis locais e da actriz Inês Castel-Branco, "apreciadora de xadrez e da Cidade da Figueira da Foz" [fonte: organização], tem como ponto alto a IV edição do Torneio Internacional.

Neste torneio, que decorreu de 27 de Outubro a 4 de Novembro nas instalações do Casino da Figueira da Foz, participaram alguns dos melhores jogadores nacionais, além de vários profissionais. De tal modo que este é o único torneio realizado em Portugal que, no fim das suas nove sessões, pode atribuir normas de Mestre Internacional e Grande Mestre. Não sendo, pois, de estranhar que seja "considerado o melhor torneio português de sempre" por alguns [cfr. jornal O Figueirense, 26-10-2007].



E no meio do turbilhão houve dois vigorosos (Helder e Tiago Pinho) a aproveitar a oportunidade quase única de defrontar jogadores de outra galáxia numa partida oficial em ritmo clássico...

Os resultados foram bastante razoáveis: em 9 rondas os vigorosos disputaram 6 (dois byes e uma falta de comparência), tendo obtido, em conjunto, mais de 50% dos pontos em disputa e terminado acima dos seus rankings iniciais, além de terem ganho uma dúzia de pontos de elo.

Da lista de inscritos constavam xadrezistas como o GM Kevin Spraggett (2580, já foi do top-10 mundial e o terminou o ano passado com 2633 pontos elo!), GM Oleg Romashin (2547, ex-campeão da União Soviética), GM Vladimir Dimitrov (2471, já venceu o Torneio de Linares!) ou o GM Luís Galego (2530, primeiro do ranking nacional), além de GM Dragan Paunovic (2535), GM Petr Velicka (2519), MF Anton Kovalyov (2510), MI Krasimir Rusev (2479), MI Michael Hoffman (2471), MI Paulo Dias (2443), GM Juan Bellon (2434), MF António Vítor (2371), MI António Fróis (2354), MF Pablo Martinez (2295), MF João Cordovil (2223) e, ainda, a WMI Catarina Leite (2191) e a WF Ariana Pintor (2137).

No total, participaram 53 jogadores de 10 nacionalidades diferentes, dos quais 7 Grandes Mestres, 4 Mestres Internacionais, 1 Mestre Internacional Feminina, 4 Mestres Fide, 1 Mestre Fide feminina e pelo menos os 2 Grandes Necas das Cavadas. A lista completa dos participantes bem como as estatísticas do torneio (excepto os títulos de GN dos vigorosos que a FIDE teima em não reconhecer…) pode ser consultada no site chess-results.com.

O torneio teve uma média de elo de 1984 pontos, sendo que quer o Tiago (1953) quer o Helder (1813) estavam abaixo da média, ocupando, respectivamente, o 30.º e o 37.º lugar do ranking inicial.

Do Porto, participaram também a WF Ariana Pintor (Grupo de Xadrez do Porto, sub-20, 22.ª do ranking inicial) e o Jorge Viterbo Ferreira (1902, Dias Ferreira, sub-14, 35.º do ranking inicial), sendo que estes, ao contrário dos Vigorosos, ficaram alojados durante toda a semana no Hotel SottoMayor, da rede Sabir - patrocinadora do torneio -, na Figueira da Foz.

Ou seja, além de Grandes Necas, os Vigorosos foram também os únicos turistas que fizeram 150 kms para chegar ao local de jogo e outros tantos para regressar a casa, na maioria das sessões em que participaram, além de falharem as jornadas 2, 3 e 7 por motivos profissionais... É a festa do xadrez!

Ao contrário do habitual, dado número impressionante de jogadores (muito) fortes presentes, quer o Tiago quer o Helder iniciaram o torneio na segunda metade do ranking inicial! Ou seja, na primeira jornada foram logo emparceirados com jogadores do topo do ranking, pelo que o torneio não poderia ter começado melhor.



1.ª JORNADA (Domingo, 28 Outubro)

Na primeira jornada, encontros míticos para os Vigorosos que, para não variar, chegaram atrasados, dado o trânsito apanhado na estrada nacional.

Na mesa 10, o Helder, de brancas, jogou com o Mestre Internacional Paulo Dias (2443, 4.º do ranking nacional), numa partida a relembrar as ferozes batalhas dos Nacionais de Jovens onde, apesar de tudo, a diferença entre os dois jogadores era menor. É que, apesar de serem dois xadrezistas da mesma geração, o Paulo não parou de evoluir...

Esta foi a partida que o Helder mais gostou de jogar. Durante o confronto o Vigoroso sentiu-se confortável, sendo que "na [sua] imaginação o jogo deu para aquecer". Após ter cometido um erro na abertura, o Helder corrigiu-o à custa de muito tempo no relógio e muita "especulação", factos que, juntamente com a falta de estofo para aguentar a pressão de jogar com um Mestre como o Paulo, foram suficientes para cair no clássico táctico "toma lá a minha dama".

O Tiago teve também a honra de defrontar um adversário igualmente muito ilustre, o Grande Mestre Luís Galego (2530, 1.º do ranking nacional!). Face ao melhor adversário que alguma vez defrontara, um erro infantil logo ao 4.º lance condicionou toda a partida que foi, seguramente, a sua pior dos últimos anos. Depois de ter recolhido do tabuleiro um peão que lhe foi amavelmente oferecido pelo Tiago na abertura, o Grande Mestre apertou a posição do Vigoroso num abraço pitão, levando ao abandono deste em apenas 15 jogadas! A resistência foi inglória, mercê do acerto "computorizado" do plano estratégico desenhado por Luís Galego.

Grande Neca 0 - 1 Grande Mestre, como esperado, apesar de a forma como foi consentida a derrota ter amputado a alma xadrezística do GN. Pelo menos durante aquela noite e o dia seguinte...

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2.ª e 3.ª Jornada (29 e 30 de Outubro)

Dois dias de descanso, dois meios pontos...

Byes para os Grandes Necas que, ao contrário dos GMs, trabalham para jogar xadrez.

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4.ª Jornada (Quarta-feira, 31 de Outubro)

Nesta jornada, os Vigorosos tiveram direito à simpática companhia do Engenheiro Supremo (também conhecido como Pedro Rodrigues). Depois de rumarem a Gaia profunda (zona industrial de Canelas!) onde trabalha o Helder, o GPS do Pedro mandou-nos seguir pela A29.

Em péssima hora! Certo que talvez seja o melhor caminho mas aquilo que a tecnologia não sabia é que naquela estrada, no troço de Arcozelo, tinha havido não um, não dois, não três - nem sequer quatro - mas cinco, cinco! acidentes de viação em cerca de um quilómetro de estrada!! Na síntese do Jornal de Notícias, intitulada "Acidente cortou A29 mais de nove horas" (ver), estiveram envolvidos mais de dez carros, sendo que "o acidente mais aparatoso ocorreu a cerca de 500 metros da saída da Granja, quando os automobilistas começaram a abrandar para ver o acidente que, momentos antes, tinha ocorrido"...

Presa entre o mar e a Linha do Norte, a Vigorosa comitiva viu o relógio a andar para frente e a vida a andar para trás. Depois de contactar a organização do torneio, para informar do expectável atraso, o árbitro principal da prova - o reputado Árbitro Internacional Carlos Oliveira Dias - ficou de transmitir aos nossos adversários a nossa situação.

Simpaticamente, quer o João Coimbra quer o Nuno Maltez acordaram adiar a partida por 30 minutos, pelo que o nosso atraso não teve consequências mais penosas, que não o stress de mais de uma hora parados com a urgência de ter um horário para cumprir.



Nesta jornada, o Helder não conseguiu ultrapassar o Nuno Maltez - numa partida que jogou longe do tabuleiro, sem fulgor, ainda por cima contra um Gambito de Rei recheado de truques e cuja teoria desconhecia... - enquanto que o Tiago teve uma luta de titãs com o João Coimbra que acabou por levar a bom porto, após um final de torre e peões. Mas além do desenvolvimento da partida, outros acontecimentos apimentaram o encontro que foi jogado com uma intensidade a fazer lembrar os mind games de José Mourinho.

Quando o Tiago chegou à sala de jogo - nessa noite conduziria o exército negro -, sensivelmente pelas 20h05, o relógio estava surpreendentemente a contar para as brancas e nenhum lance tinha ainda sido jogado. Contactada a arbitragem, foi o Vigoroso informado que tinha sido acordado com o seu adversário o início da partida pelas 20h00, facto de que ele era conhecedor, pelo que a essa hora, ainda que face à sua ausência, o árbitro fez o que lhe competia: pôs o relógio a contar.

Esclarecido, o Tiago dirigiu-se à sua mesa e aguardou de pé a chegada do oponente dessa noite. Quando este chegou, depois de ter amavelmente replicado ao agradecimento que lhe foi endereçado por ter adiado a partida meia hora, o João Coimbra viu que o relógio estava a contar para ele, facto que lhe desagradou. Depois de o árbitro lhe ter dito que o "roubo" era consequência regulamentar do acordado, sentou-se e avançou o peão de c uma casa, levantando-se de seguida e informando que iria ao quarto de banho.

Face a isto, o Tiago optou por aguardar pelo adversário antes de fazer o seu primeiro lance, pelo que foi ver como estavam a correr os restantes jogos. Quando viu o oponente regressar à sala dirigiu-se ao tabuleiro. Nesta altura o relógio do adversario marcava 86 minutos e o do Tiago 87. Constantando tal juntamente com o facto de as negras não terem ainda replicado... o adversário, perguntando se se tratava de alguma brincadeira, ameaçou abandonar a partida! Que não era brincadeira nem caso para abandonar a partida lhe retorquiu o vigoroso, avançando o peão do bispo do rei duas casas para a frente. Aparentemente surpreendido, o adversário parou para reflectir alguns momentos...

Algumas jogadas volvidas, o Tiago foi interpelado: "Sabia que o Sporting está a perder em Fátima?" O vigoroso não sabia, mas folgou em saber. Claro que a troca de palavras não passou despercebida à equipa de arbitragem que interpelou à distância o jogador das brancas. Este, com um breve mas incisivo sinal de mãos, pediu ao árbitro auxiliar para se aproximar e quando questionado sobre o que se passava desarmou o juiz (aparentemente sportinguista) com aquele resultado da taça da liga.



A batalha adensava-se no tabuleiro com as peças negras praticamente todas na ala de rei, a coluna f semi-aberta com uma bateria de duas torres e dama e um peão em e4 a controlar o buraco de f3, casa que por sua vez tinha por sentinelas o Rei e um Cavalo branco. Os exércitos moviam-se pela calada tentando ocultar os planos até que as negras atiram uma Torre para f3, propondo o sacrifício da qualidade. Sacrifício no mínimo temporário, se é que não teria final mais funesto para as brancas...

Nessa altura alguns voyeurs apreciavam a batalha. E o jogador das brancas içou o braço, levou-o para a ala de rei, pegou na torre, rodou-a ligeiramente nos dedos e voltou a pousá-la, regressando à sua meditação... "Era para arranjar?" "Hum?" replicaram as brancas, surpreendidas pela interrupção. "Perguntei se pegou na peça para a arranjar." "Sim, claro. Que poderia ser?" "Bom, se não avisar que pretende compor a posição, é obrigado a tomar peça, sob pena de lance ilegal." Arreliado, as brancas retorquem "Isso seria um erro elementar, não seria?" E as negras não ficam atrás: "Não sei se seria elementar, ou sequer um erro, mas que seria obrigado a tomar a torre, lá isso seria..." Uma vez mais, o árbitro tem que se aproximar do tabuleiro e, novamente com uma conduta absolutamente irrepreensível, tenta inteirar-se da situação: "Os senhores têm alguma questão?" Que não, responde o Tiago, que se tratou apenas de compor a posição... E a contenda prossegue.

Depois de ver o peão da ala de dama promover, face à melhor continuação (que permitiria às negras finalizar a partida num final de Rei e Torre contra Rei), as brancas abandonam. As mãos apertam-se, os adversários reconhecem mutuamente o esforço e o mérito da contraparte, mas se bem que "a partida foi muito interessante, [o Tiago] não precisava de se socorrer de jogos psicológicos", despediu-se, por instantes, o oponente. E os mind games continuaram já na sala de análises...

Foi a penúltima partida a terminar, instantes antes de o GM Luís Galego vencer um final de Dama e peão contra Dama, demonstrando uma técnica espectacular.


Jornada Dupla (Quinta, 1 de Novembro)

O calendário do torneio reservou para o feriado duas sessões, uma pelas 10h00 e outra pelas 19h30. O dia, primaveril, começou com o sol a recarregar as baterias dos vigorosos que, depois de terem regressado na noite anterior pelas 2h00, se fizeram novamente à estradas às 9h00.

Os 150kms da praxe fizeram-se sem incidentes, tanto mais que, depois da utilização do GPS do Pedro, a rota utilizada no domingo foi substancialmente melhorada: agora, graças à tecnologia e na ausência de acidentes, Porto-Figueira fez-se sem recurso à estrada nacional recomendada pela ViaMichelin.com.

Desta vez quem se atrasou foi o Tiago, que assim deu tempo ao Helder para tomar o pequeno-almoço que foi reforçado no Café Ipanema, a dois passos (literalmente, se dos grandes!) da entrada do casino, na simpática companhia dos proprietários que, após o lanche ajantarado do último dia (domingo) se despediram com um "Então, atá para o ano!", depois de terem perguntado quem tinha ganho, "se tinha sido aquele estrangeiro que apareceu no jornal" [revista de O Jogo]. O Café Ipanema podia ficar na Rua do Estrela e Vigorosa Sport, pelo menos a avaliar pelos horários: foi lá que na noite anterior tinhamos ceado um prego no pão para a viagem, ementa que de manhã foi substituída por um leite achocolato e um pão com manteiga (leite achocolatado... está visto porque não chegamos a GM!)

De manhã, o Tiago defrontou o angolano Vicente Silva (1809) com as peças brancas, dando oportunidade à sua Bird de se redimir do paupérrimo rendimento frente ao GM Luís Galego, numa partida que foi publicada no site do torneio e, consequentemente, era provavelmente do conhecimento do seu adversário. De isto ficou convencido quando, após 1. f4, viu as negras optar por um sistema moderno (d6, g6, Bg7...) ao qual, depois de ter aprendido com o erro de domingo, respondeu com uma stonewall (parede de pedra, assim baptizado em virtude da estrutura dos peões com c3, d4, e3 e f4). As negras optaram por tentar inverter para uma Siciliana mas, depois de falharem duas hipóteses para igualar, as brancas montaram uma teia ao Rei adversário que entretanto perdera o direito ao roque, dispondo de dois bispos que mais pareciam um par de Papas.



O Helder teve pior sorte (após um erro na abertura conseguiu paulatinamente recuperar a desvantagem até que, no final, acabou por quebrar nos apuros de tempo após tremenda especulação do adversário) e o almoço decorreu "em família" com a delegação do Porto (Ariana, Jorge e seus pais), a que se seguiu um passeio a pé pelas ruas da Figueira. Oxigenados, houve ainda tempo para jogar umas rápidas e lanchar antes do início da sessão da tarde.

Aí, o Tiago defrontou a Mestre Internacional Catarina Leite que optou pelo sistema clássico da Abertura Italiana com d3. Depois de contestar espaço na ala de Dama com a4, à proposta das negras para a troca dos bispos em e6, as brancas especularam com Db3 e, lance a lance, encostaram as negras às cordas.

Um peão em e5 com um olho em f6, um Bispo em c1 a apontar ao peão de h6, dois Cavalos em frente ao roque e uma Dama na coluna g foi o que as brancas apresentaram ao monarca negro. Este, por sua vez, refugiou-se em h7, à espreita e a segurar h6, trazendo uma Torre para g8, um Bispo para f8, um Cavalo para e6 e a Dama para d7.

E assim foram resistindo até que, quando o relógio marcava já menos de 10 minutos, as negras optaram pela versão mais aguda: Dama toma a4! Ao preço de um peão, as negras têm agora a Dama e o Cavalo no hemisfério oposto àquele em que a contenda se desenvolve. E as brancas, impávidas, continuam a preparar mais tropa - uma Torre e o peão de f4 - para a frente de ataque.

Quando o tempo começou a escassear, a Mestre decide-se: Cavalo toma em h6 e, a descoberto, deixa a dama negra que entretanto voltara a d7 atacada. O ataque é diluido à custa da entrega da qualidade por um peão e iniciativa. Os segundos escasseiam e a posição é sanguinária: peões passados na ala de rei, torres e bispo para as brancas; peões passados na ala de dama, torres, bispo e cavalo para as negras. A posição está aberta e tudo pode acontecer até que o habitual (na estatítica dos jogos do Tiago, entenda-se) avanço de duas casas do peão de f custa às negras, com uma continuação elementar depois da passagem, um peão. Tivesse a opção recaído no avanço do Rei e o resultado talvez fosse outro...

Ainda assim, quais ciclistas no sprint final, de calças arregaçadas pelos joelhos, os peões desunham-se para conseguir a merecida coroação. As brancas fazem-no primeiro mas as negras não abandonam, antes enviam o monarca atravessar o tabuleiro, no sentido de pressionar o seu congénere e à busca de um táctico salvador... que, graças à técnica precisa da WMI Catarina Leite não tem sequer oportunidade de se insinuar.

Na bifurcação, entre a morte ou a troca de Bispo e Cavalo por Torre e, consequentemente, de todo o contra-jogo, face à força da Dama, as negras abandonam. Foi uma boa partida, frente a uma jogadora de outro campeonato mas face à qual, ainda assim, a réplica não envergonhou. Foi para ter oportunidade de fazer partidas destas - e aproveitar as dicas simpáticas e pertinentes quer da Catarina quer de Paulo Dias - que os Vigorosos se inscreveram neste torneio pelo que, para o Tiago - que tinha já tido a possibilidade de jogar com o número do ranking nacional -, a prova podia terminar.



Nesta segunda ronda do dia, o Helder defrontou o João Coimbra numa partida em que, apesar de os motivos psicológicos não terem vindo à baila com tanta acuidade, o Vigoroso salientou "a obstinada capacidade de análise do adversário", presente principalmente na forma como tentava rebater continuações únicas.


7.ª Jornada (Sexta-feira, 2 de Novembro)

Devido a um aumento imprevisto do volume de trabalho para o fim de semana, os Vigorosos acabaram por faltar à sessão. Felizmente, quer a arbitragem quer a direcção de prova foram sensiveis à justificação tempestivamente apresentada e nem o Helder nem o Tiago foram excluidos do torneio.


8.ª Ronda (Sábado, 3 de Novembro)

Em face da experiência e do desgaste acumulado durante a semana, o Tiago e o Helder decidiram passar a noite de sábado para domingo no Hotel SottoMayor da rede Sabir, o confortável estabelecimento hoteleiro que patrocinou o Festival de Xadrez da Figueira da Foz.

Apesar de ser sábado, os jogadores do Vigorosa conseguiram, ainda assim, chegar atrasados à sessão, hábito que neste torneio, ao abrigo do princípio da rotatividade, dados os antecedentes deste início de época, foi da exclusiva responsabilidade do Tiago. De qualquer modo, a qualidade escaquística dos nossos jogadores não ficou prejudicada, tendo ambos vencido as suas partidas.

O Tiago viu a sua Bird facturar depois de um ataque equestre ao roque pequeno das negras e o Helder também acumulou vantagens que lhe garantiram um final sossegado com dois peões a mais.



O nosso quarto de hotel era um espectacular T0 com kitchnet onde sobressaia a vista para a piscina e a mesa de análises. O único senão, amplamente compensado com o abundante pequeno-almoço servido, foi o frigorífico estar vazio. Talvez a fama do Helder tenha já ultrapassado as fronteiras do distrito...

Aproveitámos para conhecer a Figueira by night durante três quartos de hora e recolhemos ao hotel para fazer de conta que também éramos jogadores fortes, empenhados e preocupados: depois de a Ariana ter ligado o portátil à internet para ver o emparceiramento e verificar as preferências recentes do seu próximo adversário, trocámos literatura com o Jorge. Ele levou um livro do Tiago e o Helder ficou com o segundo volume da mais recente colecção do Kasparov. Todavia, antes de terminarmos a primeira partida, o sono falou mais alto.


9.ª Ronda (Domingo, 4 de Novembro)

O dia começou bem, por volta das 11h20, com um belo pequeno-almoço (claro que servido até às 11h30... mas o José Ribeiro ainda chegou mais tarde =D ). Seguiu-se o vício (rápidas em "bota-fora"), com a particularidade de o Tiago defrontar o Jorge sempre de brancas, uma vez que o sorteio ditou que se encontrassem na última ronda com as cores invertidas.



Jogaram uma Partida dos Quatro Cavalos em que, depois de as negras permitirem a troca das damas e de todas as peças menores, à custa de 4 peões dobrados, num final quase simétrico com duas torres as brancas propuseram empate.

A Ariana perdeu com o Mestre Fróis e estes três portuenses terminaram com 4,5 pontos, seguidos de perto pelo Helder que concluiu com 4, após vitória sobre o Pedro Pinto (1954). Nesta partida, o Helder, de negras, conseguiu igualar, primeiro, e ganhar a iniciativa, depois, ficando melhor, apesar de, depois de o Pedro Pinto ter reagido energeticamente com f4, o Helder ter tido necessidade de agrupar todo o seu exército junto ao Rei para, no momento oportuno, ter disparado um peão passado que desequilibrou completamente a posição das brancas.

Seguiu-se a divulgação da classificação final e a cerimónia de entrega dos prémios, na presença dos patrocinadores (MacDonald's da Figueira da Foz, Câmara Municipal da Figueira e, principalmente, Hóteis Sabir) e, uma vez mais, dos jornalistas, encerrando-se o torneio com um cocktail de convívio.


Classificação final:

1.º - GM Kevin Spraggett (1.º do ranking inicial, 2580 pontos de elo) - 7 pontos;
2.º - FM Anton Kavalyov (6.º, 2510) - 7;
3.º - GM Juan Bellon (11.º, 2434) - 6,5 pontos;
4.º - FM Paulo Dias (10.º, 2443) - 6,5;
5.º - GM Vladimir Dimitrov (8.º, 2471) - 6 pontos;
6.º - GM Oleg Romanishin (2.º, 2547) - 6;
7.º - Diogo Alho (15.º, 2244) - 6;
8.º - GM Luís Galego (4.º, 2530) - 6;
9.º - IM Krasimir Rusev (7.º, 2479) -6;
10.º - IM Michael Hoffman (9.º, 2471) - 6;
11.º - FM António Vitor (10.º, 2371) - 5,5 pontos;
12.º - GM Petr Velicka (5.º, 2519) - 5,5;
13.º - IM António Fróis (13.º, 2354) - 5,5;
14.º - Rex Blalock (17.º, 2204) - 5,5;
15.º - GM Dragan Paunovic (3.º, 2535) - 5 pontos;
(...)
22.º - WIM Catarina Leite (18.º, 2191) - 4,5 pontos;
(...)
25.º - Jorge Viterbo Ferreira (35.º, 1902) - 4,5;
(...)
27.º - WFM Ariana Pintor (22.º, 2137) - 4,5;
(...)
30.º - Tiago Brandão de Pinho (30.º, 1953) - 4,5;
(...)
32.º - Jeronimo Tebar (32.º, 1939) - 4 pontos;
33.º - Helder Pinho (37.º, 1813) - 4;
(...)
53.º - Thomas Lochte (20.º, 2172) - 0 pontos.



«O canadiano Kevin Spraggett que já foi um dos melhores jogadores do mundo e a residir em Portugal já há quase duas dezenas de anos, venceu brilhantemente o Torneio Internacional. Depois da vitória sobre o GM Luís Galego, na 7ª ronda, o jogador canadiano estava lançado para a vitória. O empate frente ao GM da República Checa, Petr Velicka, na 8ª ronda, deixava tudo em aberto para a última onde defrontaria outro grande nome do xadrez mundial, o GM ucraniano ,Oleg Romanishin. O jogo viria a terminar num empate que se revelou suficiente para a consagração de Kevin Spraggett como vencedor do torneio.» in site da organização.

Foram atribuidas três normas internacionais.
Anton Kovalyov fez uma norma de Grande Mestre, o que não surprendeu ninguém, dado o nível extraordinário que este jovem tem apresentado no último ano e que o levará, com toda a certeza, ao TOP mundial.
Paulo Dias fez nova norma de Mestre Internacional, título que não ostenta ainda por não se ter realizado o Congresso da FIDE que o vai homologar.
O resultado individual mais espectacular foi o de Diogo Alho, jogador da Académica de Coimbra. Classificado em 7.º lugar, foi o único jogador do top-10 não titulado. Depois de, há poucos meses, Petr Velicka - também jogador da Académica - ter recebido o título de Grande Mestre, Coimbra tem novo mestre na forja...

Quanto aos vigorosos, os resultados desportivos, dadas as limitações assinaladas, foram bastante interessantes.
O Tiago, em 6 partidas, venceu três, perdeu duas e empatou uma, tendo defrontado adversários com uma média de elo de 2040 pontos, performance suficiente para ganhar 5 pontos de elo.
O Helder fez 50%, três vitórias e três derrotas, frente a adversários com uma média de 2033 pontos, pelo que ganhou 10 pontos de elo.

Este torneio foi claramente, em termos de condições logísticas, força de jogo dos adversários, nível de arbitragem e capacidade organizativa, um dos melhores torneios - senão mesmo o melhor - em que já participámos.

Para quem gosta de jogar xadrez, já não basta "ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro". Também tem que jogar o Internacional da Figueira.

É provavelmente o melhor torneio do país e merece todos os esforços de participação.


3. II Torneio de Natal Conde S. Bento



Domingo à tarde (9 de Dezembro de 2007), "decorreu em Santo Tirso, na Escola Agrícola Conde de S. Bento, o II Torneio de Natal do Conde de S. Bento, organizado pelo Núcleo de Xadrez de Santo Tirso, em que participaram 72 jogadores de todas as idades. TIAGO BRANDÃO DE PINHO, do Estrela e Vigorosa Sport, foi o vencedor isolado, com 6,5 pontos em 7 possíveis, seguindo-se no pódio os jovens ANA CATARINA LIBÓRIO, do Moto Clube do Porto/ALPI, e RAFAEL EDUARDO TEIXEIRA, do Clube Amador de Mirandela, ambos com 6 pontos". fonte: AXP



O II Torneio de Natal "Conde S. Bento" foi organizado pelo Núcleo de Xadrez de Santo Tirso, clube que, apesar de recente, tem já mais de meia centena de sócios que participam assiduamente nos torneios que se realizam ao longo da época.

Além da simpatia e bonomia dos seus elementos - com quem os vigorosos alimentam uma saudável competição -, o NXST é reconhecido pela forma sempre agradável como recebe os seus visitantes.

O II Torneio de Natal "Conde S. Bento" não foi excepção e a nossa comitiva sentiu-se em casa na Escola Profissional Agrícola Conde de São Bento, cujas instalações pertencem ao antigo Mosteiro S. Bento (fundado no século X, reedificado no XVII), actualmente classificado como Monumento Nacional.



O espaço onde a Escola se insere é extremamente rico. O miradouro sobre o rio, a mata, as estufas e o roseiral, bem como o ovil, a pocilga ou a vacaria, passando pela queijaria e a adega, são apenas alguns dos pontos de interesse.

Mas não só. Além da doçaria local, há outros pontos de interesse. Que o digam os familiares do João Alves que aproveitaram o torneio para dar um passeio enquanto este jogava e foram ao Mosteiro benedito de Singeverga, também em Santo Tirso, ver a Adoração dos Reis Magos, a recém-descoberta tela do renascentista pintor veneziano Jacopo Tintoretto. Esta obra deixou de ser referenciada no século XVIII e foi "descoberta" este ano por um especialista que, por acaso, visitava o Mosteiro e ficou muito surpreendido com o enorme painel (5x2m) que ali descobriu...



Quanto ao torneio, foi uma das competições melhor organizadas em que participámos esta época, o que não é de estranhar, dado o clube responsável. Apesar de se tratar de um torneio de semi-rápidas, havia uma sala de análises onde os jogadores podiam aguardar pela ronda seguinte quando terminavam as suas partidas, uma divisão para o secretariado e a espectacular sala de jogo que podem ver na imagem.

A arbitragem e a direcção de prova não se esqueceram, por um momento sequer, que esta era uma prova para os jogadores mais novos. Assim, os jogadores só eram convidados a sair do local de jogo quando faziam mais barulho que o aceitável. Caso contrário, não havia qualquer constrangimento à sua presença na sala, podendo acompanhar as partidas dos jogadores mais fortes. O primeiro tabuleiro era, como habitualmente, um dos mais requisitadas, mas, de maneira a não prejudicar os jogadores, a organização mantinha um "cordão de segurança" informal, pelo que, apesar de terem muitos espectadores à volta, os xadrezistas não notavam a sua presença.

Outro sinal distintivo do evento foi, a meio do torneio, a distribuição de um lanche (sumo, salgado e bolo) por todos os jogadores, bem como de um Pai Natal de chocolate antes da última sessão. Por fim, além dos prémios para os xadrezistas que obtiveram melhor desempenho nessa tarde, foi ainda sorteado, por todos, uma prendinha de Natal muito apropriada: um livro de xadrez.



A competição decorreu sem sobressaltos - bom, quase sem sobressaltos: no início da penúltima sessão, os organizadores não conseguiram evitar a presença de uma abelha ENORME que, simpaticamente, quis demonstrar todo o seu apoio ao Simão Pintor, pousando com afinco no seu braço esquerdo. O Tiago, talvez por se sentir menos acompanhado, (sobres)saltou fora, literalmente, depois de avisar (sobressaltar?) o Simão que só após vários agradecimentos (e talvez 10/15 segundos) conseguiu afastar a dedicada fã. Seria mel? ;) Desconhece-se se a abelha seguiu depois para o colo da Ana... =D Seja como for, fica aqui o primeiro prémio oficioso da crónica: o de casal de namorados mais simpático da prova.

Quanto ao segundo prémio oficioso - Prémio Fair Play - é atribuido à nossa Joana Prêza Andrade que, apesar de ter vencido três partidas, apenas amealhou dois pontos. Isto porque houve um engano na marcação de um dos seus resultados e como não verificámos a folha de resultados antes de emitido o emparceiramento, ela optou por não atrasar o torneio e aceitar o emparceiramento que lhe retirava um ponto.

De relevo, nada mais há a acrescentar, excepto a vontade com que todos ficámos de voltar a participar num torneio organizado pelo clube do Professor Ricardo, do Rui Ferreira e do Albano Moreira. E de ter oportunidade de conhecer melhor o Mosteiro e a Escola de S. Bento que bem merece o passeio!


Quanto aos vigorosos:

Tiago Brandão de Pinho - Número dois do ranking inicial, o Tiago empatou na 4.ª ronda com o número um (Emanuel Sousa, 1981, Moto Clube), ao aceitar a proposta que lhe foi apresentada numa posição muito aguda e duvidosa a que chegou depois de, especulando, sacrificar um bispo no roque adversário. Durante o torneio fez partidas muito interessantes com bons jogadores e jovens promessas (António Matos, Ana Libório, Pedro Mendes, Gustavo Oliveira, Diana Nogueira...) e com o Vitorino Ferreira, uma das referências do xadrez no Porto. Terminou em primeiro devido à derrota, por tempo, do Emanuel na última sessão, vencendo um torneio, algo que só acontecera uma vez (imediatamente antes da sua paragem de 5 anos, na ida época de 1997/98) apesar de por vezes conseguir ficar nos primeiros lugares dos torneios em que participa. "Ganhar por ganhar, ainda bem que foi em Santo Tirso", confidenciou o jogador no regresso a casa.

Bruno Guinapo - O Bruno terminou com 4 pontos e mostrou a consistência da sua crescente e rápida evolução. Apesar de ter chegado ao xadrez federado há cerca de meio ano, depois de ter feito uma surpresa na Taça AXP ao vencer um jogador de mais de 1900, fez uma prova que só não teve maior realce porque as benesses do Núcleo de Santo Tirso se ficaram pela organização... Os jogadores deste Núcleo, José Cachorreiro (1554) e Sérgio Gomes (1586), não o deixaram ir mais longe. Por agora...

(...)



Para a classificação colectiva pontuaram o Tiago Pinho, o Bruno Guinapo, o Luís Marrafa e o Tiago Dias:

Clas. Equipa Pontos
1. Moto Clube / Alpi 20,5
2. GD Dias Ferreira 20
3. CA Mirandela 19,5
4. NX Santo Tirso 18,5
5. Vigorosa 17,5
6. GD Cem Paus 15
7. GXE Boa Nova 13,5
8. Inst. Nun'Álvares 10
9. AX Gaia 6,5
10. FC Amial-Regado 4,5
11. Musas e Benfica 3

A nossa classificação é fácil de explicar: tentando retribuir educadamente a forma como fomos recebidos, ficámos em primeiro lugar... logo depois do clube organizador! =D

A lei de Lavoisier na química do tabuleiro.


I. "Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma"


Tinha pensado dar esta novidade pessoalmente, no nosso primeiro encontro desta época, mas uma vez que vou jogar, com o Bruno Guinapo, o torneio de Guimarães esta semana, tenho que antecipar o anúncio:

Para os que têm problemas na recepção da mailing list, nesta época de 2008/2009, que hoje se inicia, apesar de continuar a ser o responsável pelas aulas de domingo no Vigorosa, vou jogar por outro clube.

Quanto a nós, nada se altera: continua a haver aulas aos domingos (e/ou noutros horários a combinar), material no blog, divulgação de provas e armadas vigorosas aos torneios, comigo ao volante sempre que possível. A única diferença é que à frente do meu nome vai deixar de aparecer "Estrela e Vigorosa Sport" e vou deixar de contribuir para as nossas pontuações colectivas.

Esta decisão não foi fácil de tomar - como outros vigorosos, rejeitei com facilidade outros convites -, mas a proposta veio do Grupo de Xadrez do Porto, o meu primeiro clube, onde joguei nos escalões jovens, entre os 11 e os 19 anos (juntamente com o Helder Pinho e o Gonçalo Rodrigues, entre outros).

Depois, como já se viu em 2006/2007, não penso ter muita disponibilidade para jogar com frequência durante alguns meses cruciais para as provas colectivas, pois terei que repetir os meus exames (entre os 1300 concorrentes, fiquei graduado em 134.º lugar e só havia 99 vagas... faltaram-me 6 ou 7 décimas).

E se o ano passado já demos (equipa A) muitas faltas de comparência, agora, sem o Hélder Pinho e sem o Froufe, ainda seria mais difícil. De maneira que, com este "empurrãozinho", o Vigorosa poderá especializar-se ainda mais no seu objectivo de sempre: o xadrez jovem. Até porque com vários atletas já com ano e meio de aprendizagem, está na altura de os mais novos irem sendo atirados aos leões =D Creio que as equipas da Academia estão prontas para ser a equipa do clube, o que também me deixa contente e orgulhoso.

O convite do GX Porto é para jogar de vez em quando. Sendo suplente, só jogarei às vezes, o que se adapta melhor ao meu calendário laboral, de estudo e de exames. Por outro lado, pessoalmente é, neste momento, mais aliciante jogar de vez em quando com jogadores mais fortes, do que jogar sempre no primeiro tabuleiro num campeonato distrital, a maior parte das vezes com jovens que jogam há poucos meses/anos, embora tal me tenha dado também muita satisfação.

Pelo que, depois de falar com o “Inginheiru Supremo” Pedro Rodrigues e de alinhavarmos a próxima época do Vigorosa, tendo recebido a sua "benção" :P, resolvi regressar ao meu clube de sempre (apesar de estar a jogar no EVS, continuava sócio do Grupo, como, aliás, o Pedro, salvo erro).

Assim, não estranhem a novidade quando atentarem no Torneio Internacional de Guimarães.

Em todo o caso, os nossos encontros recomeçarão domingo a oito. Se quiserem combinar ir ao Vigorosa já este domingo jogar umas partidas para matar saudades, depois de terminar a minha partida (começará às 14h30) posso passar por lá para pormos as novidades em dia.

Qualquer dúvida ou outro assunto, escrevam-me ou liguem-me.




para habituar a vista :P

LISTA DE INSCRITOS EM 30.08.2008:

1 Padeiro Jose 2248 POR AX Gaia
2 Viela Andre Filipe Folha 2200 POR GDDF
3 Castro Henrique 2196 POR AMAS
4 Pintor Ariana 2165 POR GX Porto
5 Barbosa Fabio 2126 POR GDDF
6 Nunes Leonardo 2092 POR Diana de Evora
7 Azevedo Rui Filipe 2061 POR CAR
8 Pereira Antonio Pedro Caramez 2048 POR GDDF
9 Ferreira Jorge Viterbo 2002 POR GDDF
10 Novais Carlos Joao Fernandes 1990 POR AMAS
11 Pinho Tiago Brandao de 1963 POR GX Porto
12 Goncalves Luis Augusto Soares 1961 POR GX Bracara Augusta
13 Araujo Jose Verissimo 1936 POR AEJ
14 Lozano Sanchez Jose Antonio 1932 ESP
15 Saunders Mark 1812 ENG



II. O Estrela e Vigorosa Sport e a sua secção de xadrez



O Estrela e Vigorosa Sport surgiu em Abril de 1924 com a fusão do Estrela Sport Club com o Vigorosa Sport Club. Também conhecido como o clube das Cavadas - devido à localização da sua sede na antiga Quinta das Cavadas, junto ao nó das Antas da VCI -, naquela altura as modalidades mais importantes no clube eram o futebol, o basquetebol, o andebol e o ténis.

Cerca de 10 anos após a sua fundação, o Estrela e Vigorosa Sport deixou de dar prioridade à vertente competitiva do desporto. Ainda assim, os seus sócios gozavam de uma oferta desportiva invejável que incluía modalidades como o hóquei em campo, o atletismo, o tiro ou a ginástica e, mais tarde, o desporto automóvel, o badmington, o ballet e o karate.

Dotado de utilidade pública desde 1984, o Vigorosa continuou a aumentar a sua oferta com aulas de dança, criando também uma secção de desporto adaptado e outra de pólo aquático feminino.

Em Abril de 2006 foi criada a secção de xadrez, um projecto traçado pelo Pedro Rodrigues e acolhido pelo Dr. Páscoa, dos órgãos sociais do EVS.


Estas três imagens foram retiradas do site Jornalismo Porto Rádio, onde acompanham a peça de Marta Couto sobre o EVS


O Vigorosa é um dos clubes históricos da cidade do Porto, assumindo os seus magníficos jardins o papel de ex libris da colectividade que não esconde a influência dos clubs britânicos: pensado para ser um espaço de convivência familiar, o clube tem como objectivo oferecer aos seus associados um espaço de lazer aprazível, complementando a imensa oferta desportiva com um serviço de restauração.

Ou seja, além dos 6 courts de ténis (dois dos quais cobertos e com bancada), do pavilhão multidesportivo e de várias salas de ginásio, o clube mantém um restaurante com serviço de cafetaria e esplanada, pelo que não é estranho ver pais nestes locais enquanto esperam que os filhos terminem os seus treinos de hóquei, andebol, ballet ou karate; ou, até, como acontece amiúde no ténis e no xadrez, assistir a confrontos desportivos familiares.



A secção de xadrez tem como principal objectivo a formação e a prática recreativa da modalidade. Deste modo, funciona na nossa sala, várias vezes por semana, uma Academia de Xadrez em que se ensina o jogo a todos os interessados - temos alunos entre os 5 e os 45 anos, divididos entre turmas de jovens e de adultos e em 3 níveis diferentes de formação -, complementada com uma biblioteca/mediateca que estamos a construir.

Ainda assim, como complemento, também participamos em torneios, nomeadamente as competições oficiais da Associação de Xadrez do Porto e da Federação Portuguesa de Xadrez. E, por outro lado, organizamos os nossos próprios eventos xadrezisticos, além de darmos, o nosso apoio (logístico, material e/ou humano) a outras instituições, sempre que solicitados. Por fim, mantemos uma página na internet – http://evs.xadrezdigital.com - e, para aqueles que não têm acesso à internet, um boletim trimestral em papel em que colocamos as novidades mais relevantes.

E, em traços necessariamente muito largos, fica assim apresentado o nosso clube que se federou com 8 elementos - Pedro Rodrigues, Rui Ferreira e a esposa Sílvia Teixeira, Hélder Silva e a mulher Sónia Cardoso, António Brandão de Pinho e os filhos Tiago e Sara - mas que, no fim da primeira época, se batia já pelo título distrital colectivo e contava com mais de 30 jogadores (entre os quais Simão Ribeiro, que, juntamente com o Rui Ferreira e o Tiago Pinho participou no I Open das Cavadas, a prova de apresentação do EVS que serviu para captar os primeiros jogadores). (Na altura vi o anúncio da prova na net e como conhecia o clube - tinha lá praticado outras modalidade - decidi participar. Antes do início da competição falei com o Pedro Rodrigues e já joguei o Open como vigoroso.)


Eventos EVS

A secção de xadrez do Estrela e Vigorosa Sport tem como principal objectivo a divulgação da modalidade pelo que, além da formação, tentamos criar condições para a sua prática, designadamente fora do clube e por outras pessoas que não os nossos jogadores.

Assim, é habitual o EVS colaborar com outras entidades (escolas, bares, outros clubes...) em sessões de apresentação do jogo, organização de eventos e arbitragem de provas, o que fazemos como complemento das provas e festivais de xadrez que organizamos.

Dos alunos das escolas primárias aos noctígavos da Ribeira do Porto, passando pelos amantes da gastronomia, no centro comercial, na faculdade ou no jardim, o nosso objectivo é levar o xadrez a toda a gente, em todo o lado.

Apresentamos de seguida algumas das iniciativas que promovemos ou em que colaborámos. E se estiveres a pensar organizar um torneio com os teus amigos, fazer uma noite temática numa festa ou outra coisa qualquer relacionada com o xadrez, se achares que precisas de ajuda, entra em contacto connosco!

Open das Cavadas

O Open das Cavadas é o torneio comemorativo do aniversário do Estrela e Vigorosa Sport e da sua secção de xadrez. Trata-se, pois, de uma prova anual que tem como principal objectivo potenciar a massificação do xadrez entre todos os interessados, especialmente entre aqueles que não jogam xadrez federado e, dentro destes, os alunos das escolas básicas do Porto.



Histórico:

2.ª edição (FEUP, 1 de Maio de 2007 - 118 jogadores em representação de 26 equipas)

class. individual - 1.º - Simão Pintor 2.º - Nuno Sousa 3.º - Tiago B. Pinho
class. colectiva - 1.º GD Dias Ferreira 2.º - Vigorosa 3.º - Grupo de Xadrez do Porto
class. escolar - 1.º - EB 2/3 Paranhos 2.º - ES Alexandre Herculano 3.º - EB 1 do Covelo

1.ª edição (EVS, 30 de Abril de 2006 - 43 jogadores em representação de 14 equipas)

class. individual - 1.º - Marco Viela 2.º - Rui Mendes 3.º - Bruno Figueiredo
class. colectiva - 1.º - GD Dias Ferreira 2.º - GX Escola da Boa Nova 3.º - Academia de Xadrez de Espinho


Xadrez com Sabor

O primeiro Xadrez com sabor foi realizado no dia 18 de Maio de 2006. Trata-se de ciclos mensais de torneios em ritmo rápido e semi-rápido realizados à noite, durante a semana, que são antecedidos de um jantar no restaurante do clube. O vencedor do torneio não paga o rodízio na semana seguinte.


Xadrez com Sabor, Estrela e Vigorosa Sport, 15 de Junho de 2006



Festival Dolce Vita

O Estrela e Vigorosa Sport organizou, em parceria com o Centro Comercial Dolce Vita Porto e com o apoio logístico da Associação de Xadrez do Porto e da Danone, o I Festival de Xadrez Dolce Vita, nos dias 17 a 20 de Fevereiro de 2007.



Este Festival tinha como objectivo animar a Urban Plaza do Dolce Vita e divulgar o xadrez junto de um público não especializado. Para tal, o átrio principal do Dolce Vita foi dividido em 4 áreas: uma zona para competição, outra para prática livre (em que qualquer pessoa podia jogar uma partida), uma outra dedicada ao xadrez e a informática - com 4 pcs dotados do mais recente software de xadrez - e, por fim, uma área onde se montou um tabuleiro gigante onde, para mover as peças, os jogadores tinham que entrar e caminhar no tabuleiro.



O Festival foi um sucesso e cerca de 400 pessoas jogaram mais de mil partidas e muitos milhares tiveram contacto com a modalidade. De tal modo que a nossa presença no Dolce Vita se prolongou por mais um dia, a quarta-feira europeia em que o FC Porto defrontou o Chelsea. Só neste dia estima-se que mais de 5.000 pessoas tenham passado pelo tabuleiro gigante…



Os reflexos desta organização chegaram às páginas da imprensa nacional (em cima, página do jornal nacional Diário Desportivo) e, até, ao blogue da GM Susan Polgar (ver), um site xadrezístico de referência a nível mundial, passando pelas melhores páginas nacionais, como por exemplo pelo Peão Dobrado (ver).


Shot Chess

Com o objectivo de ajudar a levar o xadrez a todo o lado e a toda a gente, colaborámos com o Pinguim Café, reputado centro de cultura da noite portuense, na organização de um torneio escada, variante shot chess, em que a cada peça corresponde um shot.



O habitual efeito enebriante do ganho de material tem, nesta variante, um sentido mais literal. Todavia, nem as misturas do Cavalo "Até Relinchas!", nem o suave deleite de Gabriela, a Dama de ovo e canela, prejudicaram a qualidade escaquística do evento que nunca foi jogado às cegas!

Aliás, houve mesmo quem trocasse os olhos, mercê das boas combinações servidas a Granel pelos jogadores... e pelo Paulo, simpático anfitrião e barman de serviço responsável pela constituição das equipas.

Encontros Internacionais

Indivudalmente ou em parceria com a Associação de Xadrez do Porto, a nossa secção organiza amiúde encontros internacionais, normalmente com clubes ou selecções da Galiza.

Julho 2007: II Match Porto-Corunha, no Centro Comercial Parque Nascente

Novembro 2006: I Match Quadrangular Porto - Ourense, na sala do Estrela e Vigorosa Sport. A classificação da prova, arbitrada pelo Vigoroso Árbitro Internacional Pedro Rodrigues, foi a seguinte: 1.º Porto A (André Viela, 2157; WFM Ariana Pintor, 2093; Fábio Barbosa, 2036; António Caramez Pereira, 1988); 2.º Porto B (Simão Pintor, 1892; Ricardo Margarido, 1847; Tiago Brandão de Pinho (EVS), 1800; Lucas Silva, 1529); 3.º Ourense A (Elias Gil, 2225; Jesus Conde Llinares, 2142; José Saavedra, 2132; Alejandro Léon Justo, 2075); 4.º Ourense B (Salvador Torres, 1988; Daniel Garrido, 1830; Juan Conde Carvajal, 1852; Andrea Rodriguez, 1648; Aaron Mera, 1626)

Provas AXP

Também organizamos provas do calendário oficial da Associação de Xadrez do Porto.

Além das preliminares A e J do Campeonato Distrital Absoluto de 2006/2007, nesse ano ficamos também encarregues de organizar o Torneio Distrital de Honra para Jovens (ritmo semi-rápido), prova que decorreu no Centro Comercial Dolce Vita.

Em 2007/2008, fomos responsáveis pela Fase Preliminar dos diversos escalões dos Campeonatos Distritais para Jovens (ritmo clássico).


Boletins Trimestrais do Vigorosa

Os nossos boletins têm como objectivo divulgar as actividades da secção de xadrez do Vigorosa, especialmente as da Academia, junto daqueles que não têm possibilidade de consultar este site. Têm periodicidade trimestral pois é esta a periodicidade das listas de elo - um sistema de classificação pontual dos xadrezistas com a mesma finalidade que, por exemplo, os pontos ATP no ténis ou o ranking da FIFA.

Assim, na última página de cada boletim encontra-se uma secção onde é possível verificar a evolução dos nossos jogadores. Por outro lado, além das notícias do trimestre, cada edição tem ainda uma secção de desafios, com problemas adequados às diferentes forças de jogo: deste modo, todos, do leitor ocasional aos alunos da nossa academia, precisarão de mais que 4 minutos para dar como lidas as nossas 4 páginas trimestrais!

E, se gostares do que vês, fica desde já o convite: junta-te a nós e vem jogar xadrez no Vigorosa!




MELHORES RESULTADOS DA SECÇÃO DE XADREZ DO VIGOROSA (2006-2008):

Maior número de jogadores federados - 46 (Janeiro 2008)
Maior delegação do EVS num torneio de lentas - 28 jogadores na Preliminar G do Campeonato Distrital do Porto de 2007/2008 (Tiago Pinho, Filipe Froufe, Gonçalo Rodrigues, Helder Silva, Nuno Messeder, Manuel Pinho, Pedro Rodrigues, Rui Wang, Inês Ferreira, Bernardo Amorim, Bruno Guinapo, Ricardo Pinho, André Moreira, António Saraiva, António Moreno, Catarina Rita, Daniel Pereira, Diogo Bastos, Diogo Meneses, Eduardo Dias, Francisca Santos, Francisco Meneses, José Saraiva, Manuel Dias, Martim Deus, Rafael Carvalho, Sara Pinho e Tiago Dias)
Maior delegação do EVS num torneio de semi-rápidas - 19 jogadores no II Open das Cavadas (2006/2007), a saber: Tiago Pinho, Gonçalo Rodrigues, Hélder Silva, António Pinho, Nuno Messeder, Filipe Andrade, Hélder Pinho, Rui Wang, Ricardo Pinho, Nuno Lima, Manuel Pinho, Luís Marrafa, António Saraiva, Inês Ferreira, André Carvalho, José Saraiva, André Moreira, Sérgio Coelho e Rafael Carvalho.

Evento EVS com mais jogadores - 138 participantes no I Campeonato Distrital Jovem de Honra (2007)
Evento EVS com mais equipas - 25 equipas no II Open das Cavadas (2007)
Evento EVS com maior projecção - I Festival de xadrez Dolce Vita (2007): durante 5 dias, cerca de 400 pessoas jogaram mais de 1000 partidas e na quarta-feira europeia em que o FC Porto defrontou o Chelsea FC, estima-se que mais de 5000 pessoas tenham passado pelo tabuleiro gigante. O jornal "Diário Desportivo" publicou uma reportagem sobre o evento.

Torneio mais forte em que já participaram vigorosos - Internacional da Figueira da Foz 2007/2008, com as presenças, entre outros, de GM Kevin Spraggett (2580, ex-top 10 mundial), GM Oleg Romanishin (2547, ex-campeão da União Soviética), GM Dragan Paunovic (2535), GM Luis Galego (2530, n.º 1 do ranking nacional), GM Petr Velicka (2519), MF Anton Kovalyov (2510), MI Krasimir Rusev (2479), MI Michael Hoffmann (2471), GM Vladimir Dimitrov (2471, vencedor de uma das edições do torneio de Linares), MI Paulo Dias (2443), GM Juan Bellon (2434), MF António Vítor (2371), MF Pablo Martinez (2295), MF João Cordovil (2223), WMI Catarina Leite (2191), WF Ariana Pintor (2137). Participaram 53 jogadores de 10 nacionalidades, entre os quais 7 GMs, 4 MIs, 1WMI e 1 WF, e o torneio teve uma média de elo de 1984 pontos elo. Jogaram Tiago Pinho (1953, 30.º do ranking inicial) e Helder Pinho (1813, 37.º).

Provas oficiais:

TAÇAS:

Taça de Portugal - 1/16 de final na edição de 2006/2007. A equipa constituida por Tiago Pinho, Pedro Rodrigues, Helder Silva, Rui Ferreira, Nuno Lima e António Pinho foi eliminada pelos detentores do troféu e, à data, campeões nacionais da I Divisão, a Academia de Xadrez de Gaia A.
Taça AXP - 3.ª eliminatória na edição de 2006/2007. Equipa: Helder Pinho, Pedro Rodrigues, Tiago Pinho, Helder Silva, António Pinho, Nuno Lima e Rui Vaz.

CAMPEONATOS NACIONAIS INDIVIDUAIS (LENTAS):

Campeonato Nacional Individual Sub-12 - 36.º lugar, alcançado por Ricardo Pinho em 2006/2007.

CAMPEONATOS NACIONAIS INDIVIDUAIS (SEMI-RÁPIDAS):

Campeonato Nacional Sub-20 - 5.º lugar, alcançado por Bruno Guinapo em 2007/2008;
Campeonato Nacional Sub-18 - 11.º lugar, alcançado por Bruno Gonçalves em 2006/2007;
Campeonato Nacional Sub-14 - 16.º lugar, alcançado por Rui Wang em 2007/2008;
Campeonato Nacional Sub-14 Feminino - 1.º lugar, Inês Messeder Ferreira, 2007/2008.
Campeonato Nacional Sub-12 - 1.º lugar, alcançado por Rui Wang em 2006/2007.
Campeonato Nacional Sub-12 Feminino - 4.º lugar, alcançado por Felícia Tavares em 2007/2008;
Campeonato Nacional Sub-10 - 10.º lugar, alcançado por André Carvalho em 2006/2007.
Campeonato Nacional Sub-8 - 7.º lugar, alcançado por Francisco Meneses em 2007/2008.
Campeonato Nacional Sub-8 Feminino - 4.º lugar, alcançado por Matilde Ribeiro em 2006/2007.

CAMPEONATO DISTRITAL COLECTIVO (LENTAS) - Vice-campeão distrital em 2006/2007 (subida à 3.ª divisão nacional)


CAMPEONATOS DISTRITAIS INDIVIDUAIS (LENTAS):

Campeonato Distrital Individual Absoluto - 7.º lugar (Tiago Brandão de Pinho, 2006/2007)
Campeonato Distrital Individual Sub-20 - 4.º lugar na Fase de Apuramento (Bruno Guinapo, 2007/2008)
Campeonato Distrital Individual Sub-14 - 4.º lugar na Fase de Apuramento (Rui Wang, 2007/2008)
Campeonato Distrital Individual Feminino Sub-14 - 1.º lugar na Fase de Apuramento (Inês Ferreira, 2007/2008)
Campeonato Distrital Individual Sub-12 - 5.º lugar (Ricardo Pinho, 2006/2007)
Campeonato Distrital Individual Feminino Sub-12 - 3.º lugar na Fase de Apuramento (Felícia Tavares, 2007/2008)
Campeonato Distrital Individual Sub-10 - 18.º lugar na Fase de Apuramento (José Saraiva, 2007/2008)
Campeonato Distrital Individual Sub-08 - 3.º lugar na Fase de Apuramento (Rafael Carvalho, 2007/2008)

CAMPEONATO DISTRITAL COLECTIVO (SEMI-RÁPIDAS) - 7.º lugar (Setembro 2006)

CAMPEONATO DISTRITAL INDIVIDUAL (SEMI-RÁPIDAS) - 4.º lugar (Tiago Pinho, 2006/2007); 5.º lugar (Helder Pinho, 2006/2007)

Torneios de Lentas:

Open Internacional - 13.º lugar (Helder Pinho, Open Internacional Cidade de Espinho 2007)

Torneios de Semi-Rápidas:

Open Internacional - 15.º lugar, alcançado por Helder Pinho no I Open Internacional Atrium Chaby (2007), em Mem Martins, onde participaram, entre outros, GM Kevin Spraggett, GM Luís Galego, GM António Fernandes, GM Petr Velicka, MI Diogo Fernando, MI Rui Dâmaso e o MF João Leonardo


Classificação colectiva geral - 2.º lugar no I Open da Casa do Benfica de Vila Pouca de Aguiar (2007/2008, Tiago Pinho, Gonçalo Rodrigues, Helder Pinho e Manuel Dias), II Torneio das Colectividades do Porto (2006/2007, Tiago Pinho, Gonçalo Rodrigues, Helder Pinho e Nuno Ferreira), no II Open das Cavadas (2006/2007, Tiago Pinho, Gonçalo Rodrigues, Helder Silva e António Pinho), no II Azemeis Chess Open (2006/2007, Helder Pinho, Gonçalo Rodrigues, Tiago Pinho e André Moreira)
Classificação colectiva jovem - 2.º lugar no I Torneio Jovem por equipas do FCAR (2006/2007, Ricardo Pinho, Rui Wang, Inês Messeder e André Moreira)


Classificação absoluta - 1.º lugar de Tiago Pinho no II Torneio de Natal Conde de S. Bento (2007/2008)
Classificação feminina - 1.º lugar de Inês Ferreira no I Torneio do Fontes (2007); 1.º lugar de Sara Pinho no II Torneio da Festa da Cebola (Vila D'Este), em 2006
Classificação sub-14 - 1.º lugar de Inês Ferreira no I Torneio do Fontes (2007)
Classificação sub-12 - 1.º lugar de André Moreira no II Torneio das Colectividades do Porto (2007)
Classificação sub-10 - 4.º lugar de André Carvalho no II Open das Cavadas (2007)
Classificação sub-8 - 3.º lugar de Matilde Ribeiro no Torneio Dolce Vita (2007)




III – GXP: "O Primeiro de alguns, o Segundo de todos os outros"


Creio que este texto do Arlindo Vieira ajudará a demonstrar por que é que me atrevo a trocar de cores, sendo certo que pretendo manter a minha actividade no Vigorosa, pois é um dos melhores projectos de xadrez que conheço.

O clube que o José Carlos Prezado (xadrezista do CDUP) classificou como "o primeiro de alguns, o segundo de todos os outros" é assim descrito pelo Arlindo Vieira, no texto "Porque D,amores não M,engano":

Porque será que sou o sócio n.º 73 do G.X.P.? Não sei... ou talvez saiba! Sou sócio vai para anos, mas fascinado pelo G.X. Porto desde jovem adolescente.

Quinze anos, Café Palladium, sede das salas de xadrez do F.C. Porto, e do G.X. Porto, já jogador do F.C. Porto, resolvi a medo entrar pela 1.ª vez na sala do Grupo. O que eu senti na altura, ainda hoje vivo na minha memória! Uma sala linda, um silêncio pesado, umas personagens idosas debruçadas sobre umas extraordinárias mesas de madeira com tabuleiros embutidos, a mexer numas belas e esbeltas peças de xadrez castanhas amareladas e pretas, de verniz baço pela "patine" do tempo! E o cheiro, sobretudo o cheiro, a madeira mogno, a algo antigo, venerável, indefinível. Aproximei-me e ali fiquei, estático, quase sem respirar, a olhar aqueles cabelos, brancos, aquelas calvas luzidias, aquelas mãos que moviam cavalos, bispos, torres em quadrados pretos e castanhos. Que diferença do ambiente barulhento, da luz quase solar, dos tabuleiros de fórmica da sala do F. C. Porto! Aquilo sim, aquilo era um Clube de Xadrez, daqueles que eu imaginava tipo britânicos, ou americanos! Começou aí a minha paixão pelo G.X.Porto! Porque ser sócio do G.X.Porto é ...uma emoção sentida da memória, ou se quisermos um sentimento de afecto com uma história, uma tradição!

Mas sou sócio do Grupo porque, mais tarde, já na sede actual, aprendi a respeitar e ser respeitado, a crescer em inteligência xadrezista, a ter uma admiração sincera por Pessoas, umas já falecidas, outras felizmente ainda a continuar a minha educação no xadrez. Como não recordar aqui o Sr. Belmiro, o Sr. Bernardino Passos, o Jaime Gilbert, o Sr. Jacinto Alves (que me admoestava ternamente quando me ganhava uma partida: "então, amizade, anda de corpinho aberto?"), o Sr. Carvalho, o Sílvio Santos.

Gente fabulosa, esta, que algures, na eternidade, jogará uma eterna partida universal - jogará Deus Xadrez? E o Sr. Faria que ainda joga e, não vai para poucos anos, pôs numa partida comigo a minha teoria de aberturas "num oito"? E o Sr. Machado, que ainda hoje, em análise, me dá lições sobre lições em finais? E... e...

Sou sócio do Grupo do Xadrez do Porto, também por isto, pelo respeito, pelo convívio, pelas pontes geracionais que se estabelecem!

Mas sou sócio também, porque o G.X. Porto é uma espécie clube "Robin dos Bosques" que, não roubando nada a ninguém, e sendo rico de tradições, vive na pobreza das dificuldades, dos poucos sócios, do equilíbrio precário, da sede exígua. E sou sócio, porque a minha ternura pelo G.X. Porto é imensa, mas menor da que os membros das direcções sucessivas, entre elas, a actual (bem hajam!), que têm sabido manter o Grupo vivo, insuflando-lhe uma vida, uma dinâmica, um quotidiano de xadrez, que tornam menos artificial o seu respirar! Sou sócio do G.X. Porto, porque ser sócio do Grupo, é ser solidário e agradecido! É uma atitude!

Sou sócio do G.X. Porto, porque o grande campeão do Mundo, Alekhine, esteve aqui, e assinou um seu livro e, com Alekhine não se brinca!

Mas sou sócio do G. X. P. porque quem entra e sai diz boa tarde, ou boa noite. Sou sócio do G. X. P. porque é bom encontrar aos sábados os amigos, mostrar os últimos livros, as revistas, os CDs de Xadrez, sentir o barulho das peças a bater nos "desgraçados" dos relógios, pela maluquice das rápidas, de olhar partidas de ocasião entre pessoas venerandas, e não dar opinião, porque "quem está de fora, racha lenha"!

Sou sócio do G. X. Porto, porque ... SOU DO PORTO, carago! Porque sou inteligente, para ser sócio do G. X. Porto, outra vez carago! Porque AMO O XADREZ, e o G. X. Porto é o Xadrez consubstanciado em amor ao Xadrez! Porque preciso do G. X. Porto como o último bastião onde se respira Xadrez e o G. X. Porto precisa de mim, para renascer e se modernizar!

Sou sócio do Grupo de Xadrez do Porto, porque... Mas a Ternura explica-se? Sou sócio do G.X. Porto, porque ... o sou em legítima defesa, e porque isso é bom, e só isso basta!!

Arlindo Vieira



Este tinha que aceitar. Há convites que não se recusam.

Sempre vigoroso,
tiago.