segunda-feira, 27 de outubro de 2008

APMX com posição cristalina quanto às convocatórias para Dresden.





A Associação Portuguesa de Mestres de Xadrez emitiu um comunicado, que divulga no seu site, sobre as "selecções nacionais para as Olimpíadas de Dresden". Quem acompanha o xadrez fora da estrutura associativa, a maior parte das vezes que tem conhecimento desta Associação é para ler ou ouvir críticas à sua (in)existência/actuação, a mais das vezes relacionada com a "contagem de espingardas" efectuadas em momentos eleitorais. Foi, pois, com agradável surpresa que li este comunicado que, de forma concisa e elevada, põe os pontos nos is. Dos vários documentos/comunicados que têm circulado, é talvez o melhor sobre o assunto, dele discordando num ponto apenas: creio que a melhor interpretação dos regulamentos não permite concluir que, a 12 de Julho, a jogadora Armanda Plácido preenchesse os critérios estabelecidos para ser seleccionada, como já aqui escrevi uma vez. Mas é uma discordância menor.

Pela transparência e importância (trata-se de um sócio com direito de voto na AG da FPX), segue uma versão adaptada com as partes que considero mais interessantes assinaladas.

Este comunicado surge da verificação de um sentimento de discórdia bastante generalizado nos membros da APMX face às recentes escolhas para as selecções nacionais para as olimpíadas de xadrez que decorrerão em Dresden, e tem por objectivo apontar os pontos principais que estão na base dessa discórdia, frisando dessa maneira o profundo desacordo da APMX em relação a todo o processo que levou às ditas escolhas.

Por princípio, esta Associação defende a existência de um bom, objectivo e conhecido com considerável antecedência regulamento de representações nacionais. Bom no sentido em que permita tanto quanto possível a escolha dos melhores jogadores à data da prova. Objectivo no sentido em que permita uma relativamente simples compreensão do seu teor. Conhecido com considerável antecedência para que permita a qualquer jogador saber como fazer para tentar a sua selecção.
Sabendo que a melhoria dos regulamentos não deve ser discutida nem efectuada perto da data de convocatórias, frisamos que não é neste sentido que decorre a nossa posição. O que dizemos é que, mesmo com o regulamento em vigor, o processo de selecções foi muito mal conduzido pela Direcção da FPX.


No entendimento da APMX, a escolha dos seleccionados foi efectuada com base em critérios conhecidos e já utilizados no passado. No entanto, o prazo para aplicação dos ditos critérios deixou muito a desejar. É que embora se verificasse o conhecimento de outro prazo limite imposto pela organização, o dia 12 de Setembro de 2008 (já conhecido desde início de Junho), a Direcção da FPX manifestou no mesmo documento de esclarecimento [oficial, assinado pelo Presidente da FPX, em que se justifica o prazo e razões das escolhas efectuadas] o seu receio de penalizações financeiras e a consequente não consideração desta data limite como referência para a escolha do prazo de aplicação dos critérios."

Para a estrutura que representa e defende os Mestres de Xadrez filiados na FPX, em nome de uma melhor escolha, deveria ter sido muito melhor indagada a possibilidade de utilização de um prazo mais tardio. Diz-nos a experiência passada que muito mais importante do que o acto de explicitar os nomes é o acto de explicitar o número de jogadores. Os nomes podem ser concretizados mais perto da data da prova. Tudo leva a crer que uma simples argumentação junto da organização, junto com a indicação do número de pessoas a inscrever, resolveria o problema das penalizações. A escolha da data de 12 de Junho como referência para a escolha revelou-se um erro considerável com preço a pagar na qualidade das selecções escolhidas.
Outro ponto a realçar, de teor diferente, verificou-se na decisão relativa à selecção feminina. Um dos elementos escolhidos, a jogadora Maria Armanda Plácido, era na altura simultaneamente directora da FPX e seleccionada. Em princípio, este facto não levanta nenhum problema de incompatibilidade, não fosse o facto de os critérios só funcionarem na data em que foram utilizados, de a grande maioria da comunidade xadrezística desconfiar da sua força de jogo para esta representação e de colegas suas de selecção terem manifestado publicamente o mesmo tipo de desconfiança. Para mais, o Campeonato Nacional Feminino de 2008, um dos torneios mais relevantes para esta escolha não foi considerado excepção, por não terminar antes de 12 de Junho. Uma simples participação nesse campeonato já poderia alterar escolhas, independentemente dos pontos obtidos no campeonato.

Gostaríamos de ver uma Direcção da FPX com capacidade de análise, com bom senso, com capacidade de dar primazia à qualidade da selecção. Neste sentido, o facto de a seleccionada ser simultaneamente directora importa
. Pode não importar se se focar cegamente os critérios, aplicados numa data muito particular, mas interessa se contextualizarmos correctamente a questão
.

O documento termina realçando que a forma como se escolhem actualmente as selecções de xadrez e a forma como tudo está regulamentado não são totalmente coincidentes. O regulamento de representações nacionais foi aprovado em Assembleia-geral e está em vigor desde o dia 1 de Outubro de 2002. Nesse regulamento consta a figura do seleccionador que neste momento é o Presidente da FPX, António Bravo, acumulando duas funções, tal como pode ser lido no documento oficial da FPX anteriormente citado:
«Entrando em alguns detalhes: não sendo possível, por questões financeiras, contratar seleccionador, assim a direcção da FPX decidiu seguir os procedimentos das anteriores direcções para a convocatória e o porta-voz da direcção, neste caso o Presidente, assumiria a função de seleccionador cumprindo as decisões da direcção.»
Acontece que o que é utilizado actualmente são os critérios de selecção conhecidos de todos e não o poder decisório de um seleccionador. Pensamos que estas questões formais devem ser revistas. A APMX aproveita este documento para manifestar o seu interesse na participação em futuros trabalhos desse tipo.


O comunicado conclui assertivamente: a APMX reafirma o seu desacordo quanto ao processo que levou à escolha das seleccões nacionais para as olimpíadas de Dresden.

Uma posição límpida e cristalina que, pessoalmente, fica marcada pela consideração que "o prazo para aplicação dos ditos critérios deixou muito a desejar", pelo que, "em nome de uma melhor escolha, deveria ter sido muito melhor indagada a possibilidade de utilização de um prazo mais tardio".

O momento em que termina a possibilidade de a FPX indicar (logo, substituir) os elementos convocados junto da FIDE é, quanto a mim, o facto determinante que resolve o imbróglio em que se encontra o GM António Fernandes e a Bianca Jeremias. A FPX diz que esse momento terminou em 12 de Julho. O GM António Fernandes sustenta que é horas antes do início da competição, na reunião de capitães. A APMX não avança uma data, mas sempre diz que, pela "experiência passada", "muito mais importante do que o acto de explicitar os nomes é o acto de explicitar o número de jogadores. Os nomes podem ser concretizados mais perto da data da prova". Para já, continuo a pensar que esse momento foi 12 de Setembro, de acordo com o amplamente citado comunicado de Ignatius Leong, divulgado no site da organização em Junho: "Ignatius Leong, Chief Arbiter of the Chess Olympiad and General Secretary of the world chess association FIDE, surprised journalists at a press conference Tuesday, 03 June 2008.”We will have considerable renewals regarding the regulations in the 2008 Olympiad in Dresden,” the man from Singapore declares. For the first time, federations have to nominate their candidates until the fixed date of 12 September 2008. So far, changes in team compositions had been possible until a few hours prior to the beginning of the tournament."

Se assim for, pouco haverá a fazer para os xadrezistas serem convocados (nem através do Secretário de Estado que apenas tutela a FPX e não a FIDE). Só vejo dois caminhos: ou a FPX tenta que a FIDE abra uma excepção, aceitando a indicação dos jogadores em data posterior a 12 de Setembro (pouco provável, até porque a FPX está convicta de que agiu bem) ou o GM António Fernandes e a Bianca Jeremias apenas podem tentar ver os seus danos ressarcidos através da tal indemnização que se tem falado e sobre a qual escrevi em post anterior (realçando eventuais implicações da culpa dos lesados, havendo-a).

Tanque de Guerra

Vamos lá ver se fizeram o TPC... (se precisarem de ajuda leiam o sumário da semana de 19 de Outubro).


Jogam as brancas. Como devem prosseguir o ataque?

Regulamento do Torneio Escada dos Domingos



Do Torneio

1. Podem participar no Torneio Escada dos Domingos todos os elementos da turma.

2. Os encontros serão disputados aos domingos à tarde na sala do Grupo de Xadrez do Porto.

3. O torneio decorrerá até ao Natal.


Da Escada

4. A ordenação inicial da escada é sorteada.

5. Os jogadores que se inscrevam na pendência do torneio entrarão na escada no último lugar da classificação.

6. Para subir na escada, um jogador deve desafiar alguém que esteja classificado num qualquer lugar acima do seu, indicando o ritmo da partida.

7. Só em casos excepcionais é que o desafiado pode recusar um desafio. Se o responsável pelo treino entender que o motivo apresentado pelo desafiado não é válido, atribui a vitória ao desafiante.

8. Consideram-se, para o efeito previsto no número anterior, “casos excepcionais” designadamente os seguintes:

- o ritmo proposto permitir que a partida termine depois do horário estipulado para o final da aula;

- o desafiado ter já jogado uma partida para o Torneio Escada nesse dia.

9. No final do encontro, os jogadores devem comunicar ao responsável pelo treino o resultado da partida.

10. O jogador desafiado, que jogará com as peças negras, troca de posição com o desafiante se perder ou empatar a partida.

11. Quem faltar ao treino desce um lugar na escada.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Campeonatos Nacionais de Jovens em ritmo semi-rápido


Já foi publicado o Regulamento dos "Campeonatos Nacionais Absolutos e Femininos de sub-8 a sub-20 de partidas semi-rápidas" da época 2008/2009.



A organização cabe à Federação Portuguesa de Xadrez e à Associação de Xadrez de Leiria, com o apoio da Câmara Municipal de Peniche e da secção de xadrez da AEFCR Penichense, e para já promete: os campeonatos têm um site oficial já em funcionamento e com boas secções informativas que vão sendo actualizadas.

As competições decorrerão no próximo dia 16 de Novembro, e cada prova será disputada em sistema suiço, tendo cada jogador 20 minutos para terminar a sua partida em cada uma das 7 jornadas.

O local de jogo será o Pavilhão da Escola Básica 2/3 D. Luís de Ataíde, sito na Av. Arquitecto Paulino Montez, em Peniche.

A direcção de prova estará a cargo de António Mamede Diogo e a arbitragem estará assegurada ao mais alto nível, através do Árbitro Internacional Carlos Oliveira Dias.

O regulamento é omisso quanto ao horário das sessões, mas já se sabe que as três primeiras jornadas serão jogadas de manhã e as quatro últimas de tarde.

Se a primeira jornada for muito cedo para quem não é da zona, a organização disponibiliza contactos hoteleiros. Serão celebrados protocolos com restaurantes que diminuirão os preços das refeições.

"Louvado sejas, ó Magalhães!"

Por Dina Margato no Jornal de Notícias




(...)
"Nunca um programa, no caso, um "sketche", recebeu um tão elevado número de cartas a contestá-lo", diz fonte da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). Está aberto um processo de averiguações. Ainda ontem, estava previsto que a SIC fosse notificada relativamente à peça do "Zé Carlos", emitida no último domingo. Esta não é a primeira vez que os "Gato" são alvo de apreciação pela ERC. O programa que tinham na antena pública mereceu duas queixas, mas o Reguladora acabou por não lhes dar provimento.

Os novos protestos apresentam-se em nome individual e o seu conteúdo vai todo no mesmo sentido: ofensa à Igreja Católica, mais concretamente, aos seus símbolos sagrados. Houve quem referisse que com o Islão haveria mais cautela na abordagem.

(...)
O padre Manuel Morujão, porta -voz da Conferência Episcopal, acha "muito bem que quem viu as suas convicções mais profundas serem ofendidas se manifeste". Prossegue: "Nada é intocável, mas tem de ser tocado com algum respeito. Uma coisa é fazer humor sobre as ondas do mar e outra usar a liberdade para achincalhar". Afirmando-se "solidário, de certa forma", com quem acha que "não houve respeito para com aspectos considerados estruturais da nossa vida", deixa ainda o recado: "Não devemos transformar a contestação em propaganda ao programa".

Fã dos "Gato", D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas e de Segurança, começa por perguntar se estamos a falar daquele "sketche" em o Ricardo Araújo Pereira diz "em nome do pai". Diante da resposta afirmativa, comenta: "Tenho de dizer que o vi . Habitualmente entro em colisão com determinadas formas de pensar, mas esse em nada me feriu. Quem não tiver humor que não veja".

Para o sociólogo Albertino Gonçalves, "os portugueses ligam mais aos seus símbolos do que aos feitos. O que deve ter chocado foi a cena da hóstia, por causa do que devem ter visto como profanação do sagrado". Embora lhe pareça que nem todas as queixas possam ter origem católica. "Os mais patriotas também se sentem ofendidos com este género de humor".

De qualquer modo, julga que se está diante de uma "minoria que faz sempre muito barulho". O professor da Universidade do Minho classifica o trabalho do quarteto de os "Gato Fedorento" como um humor desinibido, que aprecia. E vê a quantidade de queixas como um sinal de preocupação. "Fico preocupado, porque o humor tem uma função fundamental na sociedade, e a tolerância é a medida da democraticidade de um país".


Será este o próximo sketche a ser representado pelo Nuno e pelo André?

Posição de Philidor

Para terminar a revisão dos finais de Torre analisados no treino de 12 de Outubro:


Como devem as negras continuar?

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Minuto 90: Campeão de xadrez recorre ao Governo




A edição em papel do diário desportivo Record publicou, hoje, um brevíssimo apontamento sobre xadrez. Infelizmente não é sobre o Campeonato do Mundo Sub-18, em que participam dois xadrezistas portugueses, nem sobre o Match de atribuição do título de Campeão Mundial Absoluto, tratando-se, antes, de mais um desenvolvimento no atribulado processo de preparação da representação nacional nas Olimpíadas de Dresden, no próximo mês. A notícia é sobre a exposição que o GM António Fernandes apresentou ao Dr. Laurentino Dias, Secretário de Estado da Juventude e do Desporto.

A peça ficou para as últimas páginas do jornal, precisamente numa secção que se chama "Minuto 90". O que tem o seu quê de curioso: no xadrez, a partida começa, não termina, no minuto 90. E o GM António Fernandes tem dito que o recurso ao tribunal é uma possibilidade...

A redacção publicada é, na íntegra, esta: "O campeão nacional absoluto, António Fernandes, recorreu para o secretário de Estado do Desporto por ter sido excluído da Selecção para as Olimpíadas".

Esta notícia resume a que foi publicada na edição electrónica do jornal - disponível aqui - em que são apresentados os factos já amplamente divulgados e posições recorrentemente esgrimidas. Há algumas imprecisões, habituais no jornalismo actual (como se costuma dizer, "só quem nunca leu nada sobre algo que conhece é que acredita em tudo o que vem escrito na imprensa"), nada de muito especial quanto ao que realmente importa (até porque muitas vezes o problema parece ser das fontes), sendo a principal novidade o facto de o GM António Fernandes ter feito uma exposição ao Senhor Secretário de Estado da Juventude e Desporto, embora não se saiba, ao certo, porquê e para quê. A versão electrónica apenas refere um "recurso" em que se "expõe" a "exclusão da selecção nacional".

Alguns pontos para enquadrar/problematizar a questão:

1. A Federação Portuguesa de Xadrez, uma vez que é dotada de utilidade pública desportiva, está inserida na administração pública autónoma.

2. O Governo é o órgão superior da administração pública (art. 182.º da Constituição da República), sendo constituído pelo Primeiro-Ministro, pelos Ministros e pelos Secretários e Subsecretários de Estado (art. 183.º, n.º 1, da CRP.)

3. Ao Governo compete exercer a tutela sobre a administração autónoma (art. 199.º, d), da CRP).

4. A tutela consiste "no conjunto de poderes de intervenção de uma pessoa colectiva pública [no caso, o Estado] na gestão de outra pessoa colectiva [a FPX], a fim de assegurar a legalidade ou o mérito da sua actuação", podendo, quanto ao conteúdo ser configurada como tutela inspectiva (faculdade de inspeccionar o financiamento e a actuação da entidade tutelada), tutela sancionatória (faculdade de aplicar sanções por preterição da legalidade ou mérito da actuação), tutela revogatória (faculdade de revogar actos praticados pela entidade tutelada) ou tutela substitutiva (faculdade de suprir as omissões da entidade tutelada, praticando os actos legalmente devidos) - cfr. o Curso de Direito Administrativo do Prof. Freitas do Amaral.

5. Aquele artigo 199.º, alínea d), não é uma norma de atribuição de competência, pelo que o Governo só pode exercer poderes de tutela no âmbito previsto pela lei. O Decreto-Lei n.º 144/93, de 26 de Abril, que estabelece o regime jurídico das federações desportivas e as condições de atribuição do estatuto de utilidade publica desportiva, determina que - artigo 10.º - "a fiscalização pela Administração Pública do exercício de poderes públicos e da utilização de dinheiros públicos é efectuada, nos termos da lei, mediante a realização de inspecções, inquéritos e sindicâncias".

6. O GM António Fernandes dirigiu-se ao Secretário de Estado da Juventude e do Desporto por, provavelmente, tal tutela ter passado para a competência deste, através de vários despachos de delegação e subdelegação de poderes. (A Lei Orgânica da Presidência do Conselho de Ministros, aprovada pelo Decreto-Lei n.º 202/2006, de 27 de Outubro, estatui - artigo 22.º, n.º 2, alínea f) - que é atribuição do Instituto do Desporto de Portugal "proceder a actividades de fiscalização".)

7. Se no âmbito desportivo não houver tutela revogatória ou substitutiva, não vai ser nesta sede que o GM António Fernandes vai ver a sua situação resolvida. E ainda que haja competência, provavelmente não haverá tempo útil - a competição começa no próximo dia 12 e não é líquido que, nesta altura, ainda possam ser alterados os convocados.

8. Se a tutela for inspectiva e sancionatória, o que acontecerá (apesar de eu não ter encontrado a norma que a prevê) se esta notícia do jornal Destak for fidedigna, "na sequência de um inquérito que confirm[e] a ilegalidade da situação, a [Federação pode ser] advertida a cumprir a legislação em vigor - além de [poderem ser] suspendidos [alguns] apoios financeiros (...). Caso a federação «persista sistematicamente» neste tipo de atitudes, a Secretaria de Estado do Desporto [pode equacionar] retirar-lhe o estatuto de utilidade pública".

9. Se se concluir que a FPX não actuou bem ao não convocar o GM António Fernandes, à míngua de tempo útil para o levar às Olimpíadas (e para aquele deduzir uma acção de condenação à prática de acto devido), não sendo possível esta "reparação natural", o advogado do xadrezista - que, segundo o Record, "está a estudar todas as possibilidades" - pode equacionar recorrer à via indemnizatória, no tribunal.

10. A Lei n.º 67/2007, de 31 de Dezembro, prevê, entre outras, a responsabilidade civil extra-contratual das entidades públicas por danos resultantes do exercício da função administrativa, correspondendo ao exercício desta função as omissões adoptadas no exercício de prerrogativas de poder público - artigo 1.º, n.ºs 1 e 2. Em traços muito largos, as pessoas colectivas públicas são responsáveis pelos danos que resultem de omissões ilícitas, cometidas com culpa leve, pelos titulares dos seus órgãos, funcionários ou agentes, no exercício da função administrativa e por causa desse exercício - artigo 7.º, n.º 1.
Consideram-se ilícitas as acções ou omissões dos titulares dos órgãos, funcionários e agentes que violem disposições regulamentares ou deveres objectivos de cuidado e de que resulte a ofensa de direitos ou interesses legalmente protegidos - artigo 9.º, n.º 1.
Por outro lado - artigo 10.º -, a culpa dos titulares de órgãos, funcionários e agentes deve ser apreciada pela diligência e aptidão que seja razoável exigir, nas circunstâncias de cada caso, de um titular de órgão, funcionário ou agente zeloso e cumpridor - n.º1 -, sendo que, para além dos casos previstos na lei, também se presume a culpa leve, por aplicação dos princípios gerais da responsabilidade civil, sempre que tenha havido incumprimento dos deveres de vigilância - n.º 3.
Finalmente - artigo 4.º -, quando o comportamento culposo do lesado tenha concorrido para a produção ou agravamento dos danos causados, designadamente por não ter utilizado a via processual adequada à eliminação do acto jurídico lesivo, cabe ao tribunal determinar, com base na gravidade das culpas de ambas as partes e nas consequências que delas tenham resultado, se a indemnização deve ser totalmente concedida, reduzida ou mesmo excluída.

Alguém consegue clarificar o objectivo ou as consequências deste procedimento iniciado pelo GM António Fernandes ou apontar eventuais erros nestes pontos?

Posição de Lucena

Hoje e amanhã vamos rever o treino de 12 de Outubro.


Como devem as brancas continuar?

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Dia de descanso no Campeonato do Mundo


Hoje é dia de descanso, não há jogo entre Anand e Kramnik. Mas há adeptos e adeptos, e Didi Senft, também fã de cicloturismo, apresentou uma proposta inovadora:




Percebe-se por que é que Didi Senft é conhecido por El Diablo, e por que é que estas imagens, da Reuters, foram encontradas na secção "Planeta Bizarro" do portal de notícias da Globo.


Longe do selim e do Planeta Bizarro, o Campeonato do Mundo segue assim (notícia do Guardian):



Anand alcança vantagem de 3 pontos sobre Kramnik
Agência Noticiosa Assotiated Press
Terça, 21 de Outubro de 2008
Por ROBERT HUNTINGTON

Para The Associated Press, BONA, Alemanha (AP) - O indiano Viswanathan Anand venceu novamente o candidato Vladimir Kramnik esta terça-feira, pregando mais um prego no caixão das esperanças do candidato russo em reclamar o título de campeão do mundo.

A terceira vitória de Anand nos últimos quatro jogos deu ao campeão em título a liderança do match por 4.5-1.5. Uma onda de vitórias desta dimensão é praticamente inédita em matches pelo título mundial de xadrez, onde o habitual é as partidas terminarem empatadas.

A título de exemplo, quando, em 2000, Kramnik derrotou o então campeão do mundo Garry Kasparov, venceu duas partidas e empatou as restantes 13. Kramnik perdeu o título o ano passado, precisamente para Anand.

Com seis partidas por disputar, Kramnik, que nunca perdera 3 jogos em 4, tem poucas hipóteses de sair do buraco em que se encontra, até porque só jogará três com as brancas e Anand pode empatar os desafios que faltam.

O nono lance de Anand, numa Nimzo-India, foi uma novidade preparada que, posteriormente, o jogador classificou como "interessante porque força o adversário a sair da teoria e a começar a pensar desde muito cedo".

O antigo campeão do mundo Anatoly Karpov considerou que "a reacção de Kramnik não foi boa".

Já Kramnik declarou que "a abertura foi estranha mas a posição pareceu-me muito igualada". "Os meus lances pareceram muito lógicos".

Todavia, Anand gostou da posição que alcançou após a troca de Damas pois tinha pressão na coluna C contra o peão fraco de c7, e criticou o 17.º lance de Kramnik. Este concordou, acrescentado que, após esse lance, "não consegui ver como igualar".

Anand considerou a sua resposta - pregagem do cavalo de Kramnik à sua torre, "um pouco desagradável. Nessa altura senti que estava melhor."

A consequência lógica daquele lance 17 foi um sacrifício de peão que Karpov considerou "demasiado arriscado", mas Kramnik considerou-o necessário pois, caso contrário, "ficaria sem contra-jogo".

Apesar de ter um peão a menos, Kramnik tinha as suas peças mais activas e a torre de Anand estava um pouco descoordenada em g2. Mas foi apenas uma questão de tempo até Anand melhorar a sua posição.

"Ele conseguiu imenso contra-jogo [pelo peão sacrificado] mas não o recuperou", disse Anand. Kramnik considerou o seu lance 33 "o erro decisivo".

No final, Anand teve que jogar com precisão, mas tinha vários planos vitoriosos por onde optar. Kramnik desistiu no lance 47.

A conferência de imprensa após a partida atrasou-se mais de meia hora devido aos testes anti-doping obrigatórios. Questionado sobre estes, Anand considerou-os "completamente desnecessários" e apontou os computadores como a principal forma de fazer batota no xadrez. "Os testes anti-doping foram pensados para outros desportos", sustentou Anand.

Na quinta-feira, Anand jogará de brancas no jogo 7.



Aqui fica a partida, retirada de Chess Vibes, anotada pelo MI Merijn van Delft e por Peter Doggers, redactores daquele site:



O Bispo engenhocas III

Continuamos a rever o treino de 28 de Setembro (se precisarem de ajuda leiam o sumário).


Jogam as negras. Como devem prosseguir o ataque?

terça-feira, 21 de outubro de 2008

"Os erros estão todos aí... à espera de serem feitos!"


Esta frase, do GM Tartakower, mostra por que é que devemos ter mais confiança no nosso jogo que no elo do adversário.

A diferença entre um jogador de 1200 de elo e um de 2700 é que o jogador de 1200 erra muitas vezes e os seus erros são evidentes para o jogador de 2700. Este também erra, mas como tem uma percepção mais aprofundada do jogo, é provável que o jogador de 1200 olhe para o erro... "como um burro para um palácio!" Ou pior! Porque o mais certo é nem perceber que o erro... é um erro :)

O xadrez é um jogo de erros. Se errarmos mais (em qualidade ou quantidade) que o nosso adversário, perdemos. Se os erros forem equivalentes, a partida termina empatada. Se conseguirmos errar menos, vencemos.

Como disse o GM Karpov, no xadrez "ganha quem faz o penúltimo erro, pois o último é o decisivo que leva à derrota!"

A partida seguinte - cuja apresentação foi roubada, despudoradamente, ao blogue Xadrez Amigos - foi jogada esta semana. É a 5.ª do Match para a atribuição do título de Campeão do Mundo. A partir do lance 28 podem ver que até os melhores se enganam a calcular as variantes dos lances candidatos.



E reparem no método do Campeão do Mundo GM Anand: pelo menos quando jogou 28. ... Tc3, já tinha analisado o lance candidato 29. Cxd4, sabia que as brancas podiam tentar ganhar o Bispo com 32. Td7+, mas não parou a análise. Continuou à procura de uma forma de contra-atacar e, com base num padrão de ataque/mate simples - o mate de corredor -, tirou da cartola 34. ... Ce3!!

Quando jogou 28. ... Tc3 já tinha analisado várias variantes, entre as quais a que levava a 34 ... Ce3 (7 lances depois!) Só pensar no que ele pensou, já é uma canseira!!

Todas as tardes, a partir das 14h00, podem acompanhar as partidas do campeonato do mundo no blogue Xadrez Amigos.

Sacrifícios III

Continuamos a rever o treino de 28 de Setembro (se precisarem de ajuda leiam o sumário).


Jogam as brancas. Como devem prosseguir o ataque?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

João Vicente distinguido na Gala Nacional do Desporto Escolar

Retirado do site da Federação Portuguesa de Xadrez.


João Vasco Vicente com o Senhor Ministro da Presidência Pedro Silva Pereira.


Realizou-se no passado dia 16 de Outubro na Escola Secundária Luís de Freitas Branco, em Oeiras, a Gala Nacional do Desporto Escolar - 2008, na qual foram premiados os alunos que se distinguiram com uma postura comportamental e resultados desportivos de excelência no ano lectivo de 2007/08, cerimónia presidida pelos Senhores Ministros da Educação e da Presidência.

Pela primeira vez em 7 edições do evento, o xadrez esteve presente, através do aluno João Vasco Vicente, atleta do Clube de Desporto Escolar do Instituto Pedro Hispano (Coimbra) e federado pela Associação Académica de Coimbra.

Em representação da sua escola, o João Vasco Vicente é bicampeão da Região Centro (DREC) e venceu o XX Torneio Aberto Escolar Peão de Ouro - Espanha, trazendo pela primeira vez em 20 edições o Troféu para Portugal.

Campeonato do Mundo de Jovens



Decorreu ontem a cerimónia de abertura do Campeonato do Mundo de Jovens que tem lugar no Vietname até ao fim do mês.

A prova está dividida nos sectores masculino e feminino, e em escalões etários que vão dos sub-8 aos sub-18. Estão inscritos 885 xadrezistas (em representação de 73 países), sendo 130 titulados, dos quais 3 GMs, 4 GMs Fem., 16 MIs e 3 MIs Fem.



Portugal na cerimónia de abertura


No escalão sub-18 participarão dois portugueses: o MF Ruben Pereira (2437, 16.º do ranking inicial), vice-campeão mundial na edição do ano passado no escalão sub-16, e Rafael Teixeira (2192, 45.º do ranking inicial).

Os xadrezistas serão acompanhados pelo MI Rui Dâmaso (fonte: Viriatovitch, sem confirmação no site FPX que não tem ainda qualquer referência à prova).



Neste momento joga-se a primeira ronda.



Na mesa 8, Rafael Teixeira joga de brancas com o MI turco Emre Can (2464). (foto retirada de Viriatovitch)



O MF Ruben Pereira joga de negras contra o esloveno Boris Mitrovic (2146), no tabuleiro 16.

O Bispo engenhocas II

Continuamos a rever o treino de 28 de Setembro (se precisarem de ajuda leiam o sumário).


Jogam as brancas. Como devem prosseguir o ataque?

domingo, 19 de outubro de 2008

Mate de Pillsbury II

Continuamos a rever o treino de 28 de Setembro (se precisarem de ajuda leiam o sumário).


Jogam as brancas. Como devem prosseguir o ataque?

sábado, 18 de outubro de 2008

Mate de Morphy II

Esta semana estamos a rever o treino de 28 de Setembro (se precisarem de ajuda leiam o sumário).


Jogam as negras. Como devem prosseguir o ataque?

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

"Avessos à norma"

Por Maria José Carvalho, em Colectividade Desportiva

É sobre basquete, mas podia não ser...

A posição de uns:




Grande parte da conflitualidade social e da litigância judicial existente na nossa sociedade decorre dos hábitos de muitos portugueses na persistência pelo incumprimento da norma, pelo desrespeito pelos outros e pelos acordos livremente celebrados.
Infringir ou postergar as normas legal ou socialmente instituídas faz parte da cultura de desleixo, do “espertismo saloio” e da incompetência de muitos para alcançarem os seus objectivos com o menor esforço possível e desprezando o mínimo ético para vivermos bem connosco e com os que nos rodeiam.
É frequente assistirmos à complacência e até ao aplauso daqueles que, tanto no sector público como no sector privado, actuam na inobservância dos procedimentos legais e administrativos, saindo a maior parte das vezes incólumes dos erros, incorrecções e ilegalidades que cometem. Os recentes exemplos de muitos autarcas ou dirigentes da banca são mais do que evidentes para o que acabo de referir.

Ora, no sector desportivo, como não podia deixar de ser, já que o desporto é apenas um espelho fidedigno dos malsãs e das benignidades da nossa sociedade, a norma, em muitas situações, em vez de ajudar, atrapalha, em vez de organizar, complexiza, em vez de nortear, confunde. Que tolice a minha, dirão alguns ou algumas leitores/as.
Não será tanto assim, se
(...) nos inquietarmos com o esquecimento das regras instituídas em diversos estatutos e regulamentos das entidades desportivas; (...) Enfim, não pararia de enunciar desassossegos e constatações do mundo real que evidenciam o desrespeito e a aversão à norma.

(...)

Despachos, Portarias, Estatutos, Regulamentos, Contratos, Leis … que maçada … quando se cria o hábito de cada um se reger pela norma que mais jeito lhe dá!!




A posição de outros (em comentário ao post citado):

(...) Em economia dão-nos outra ideia da desconformidade entre a norma e o comportamento do individuo.
A razão é que o indivíduo ao procurar maximizar o seu interesse individual interpreta a norma gerando alternativas ao prescrito o que sendo seguido por outros cidadãos demonstra que a norma necessita de melhorias.
Caso exista apenas uma pessoa a não respeitar a norma certamente que não haverá necessidade de a alterar.

Os cidadãos não agem com objectivos de desleixo, espertismo saloio e incompetência.
Nem os individuos que fazem as normas sociais e nos clubes e federações estão isentos de cometer erros.


(...)

Este é o aspecto fundamental.
Usar as leis para garantir aumentar o produto social e o interesse dos cidadãos.
Este é o ponto que devemos discutir, o seu significado e o que devemos fazer para o alcançar.

Os técnicos de direito no desporto português tratam os restantes agentes como ineptos, saloios, etc, incapazes de compreender o que os juristas para eles legislam com desvelo e carinho.

Se há sector que no desporto português não se pode queixar é o direito.
As legislaturas ocupam-se a fazer leis que não ajudam o desporto e os agentes desportivos, Pequim os problemas do futebol e dos basquetebol e os orçamentos demonstram-no, e são juristas que ocupam o topo da hierarquia política do desporto português.

Os juristas e o seu trabalho são uma praga para o desporto português moderno.

Sacrifícios II

Esta semana estamos a rever o treino de 28 de Setembro (se precisarem de ajuda leiam o sumário).


Jogam as negras. Como devem prosseguir o ataque?

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Partida da 3.ª Divisão, anotada



"Toda a emoção vivida no jogo entre o AMAS II e o CA Mirandela. Um jogo decisivo, já que dele ia sair o campeão da 3ª divisão (série A) e, consequentemente, a equipa que subia à 2ª divisão!"


Retirada do XadrezAmigos, aqui fica a partida disputada entre David Martins (1423, CAMIR) e Miguel Pires (1608, AMAS II), anotada por este (na foto).



Reparem, também, na anotação ao lance 22 das negras. Vamos falar do tema quando, nos encontros sobre estratégia, analisarmos partidas sobre a Defesa (vejam a Planificação da Época).