domingo, 27 de dezembro de 2015

Torres de Loulé | Introdução ao xadrez (curso básico em 10 aulas)

Introdução ao Xadrez

(curso básico em 10 aulas)





No ano lectivo 2014/2015, a Beatriz, a Carolina, o Fernando e o Simão, todos alunos da EB 2/3 Padre Cabanita, em Loulé, quiseram iniciar-se no mundo do xadrez depois de confrontados, em jeito de desafio, com alguns padrões elementares de xeque-mate.
  
Os nossos encontros semanais foram sistematizados em dez resumos (e alguns problemas) que foram sendo disponibilizados no blog Xadrez Vigoroso para facilitar a revisão dos assuntos que abordámos.

São esses artigos, escritos e ilustrados a pensar naqueles jovens aventureiros, que aqui se deixam indexados, disponíveis para quem esteja interessado em descobrir o jogo que, ao longo de séculos, tem sido jogado e apreciado por milhões de pessoas, sem distinção de género, cultura ou idade.


O xadrez é um misto de arte (um xadrezista depende da sua criatividade e imaginação), de ciência (pressupõe a aquisição de conhecimento e exige a sua aplicação através de um método paracientífico) e de desporto (tem uma dimensão competitiva, de superação do outro e das limitações do próprio xadrezista).

A principal aptidão que o xadrez potencia nos seus praticantes é a melhoria do processo de tomada de decisão: ambos os jogadores são colocados na mesma situação inicial e devem utilizar os recursos que lhes são disponibilizados para montar uma estratégia vencedora.



Analisar situações, avaliar opções, planear estratégias e resolver problemas são as tarefas recorrentes de um xadrezista... e de qualquer pessoa no seu quotidiano: o simples acto de atravessar a rua é uma tarefa que requer visualização, conhecimento espacial, antecipação, previsão, análise estratégica e avaliação - as mesmas ferramentas intelectuais sem as quais se pode mexer peças, mas não jogar xadrez, pois aqui, como na vida, mais do que saber em tese qual a solução de um problema, importa, num situação concreta, conseguir identificá-lo e perceber como pode ser resolvido.



O xadrez é um meio de excelência para treinar os mecanismos intelectuais de resolução de problemas, sendo um dos raros campos, a par da música e da matemática, em que uma reduzida experiência de vida não é um factor decisivo de limitação.

Com efeito, não há obras-primas feitas por crianças na pintura, na escultura ou na literatura; mas não foi preciso muito mais que a sensibilidade inata para a estética e para o raciocínio lógico para Mozart compor a sua primeira sinfonia com 8 anos; para Shakuntala Devi, aos seis anos, ser apresentada numa universidade como "calculadora humana"; ou para Capablanca aprender as regras do xadrez, com apenas 4 anos... vendo o seu pai jogar!

Também no âmbito do relacionamento social e do conhecimento individual, o xadrez surge como um dos poucos palcos em que crianças e adultos se encontram numa situação paritária, não sendo raras as situações em que as papéis normais se invertem, assumindo um dos elementos mais novos do grupo o papel de educador xadrezístico dos restantes membros, por se mostrar o mais capaz.



Quanto a introduções ao xadrez, esta não é a mais curta nem a mais elementar. Trata-se da primeira parte de um «curso básico» de xadrez idealizado para, mais que transmitir as regras, passar aos interessados conceitos, padrões e metodologias que permitam a descoberta do que o xadrez tem para oferecer: a estruturação do procedimento de tomada de decisão, com fundamento num planeamento estratégico, tendo em vista a resolução de um problema.



Esperamos que estes textos ajudem a aumentar a curiosidade sobre o xadrez e que sejam motivo de muitos momentos de diversão, como aconteceu connosco.

Quaisquer dúvidas ou comentários podem ser transmitidos através do envio de uma mensagem para o facebook das Torres de Loulé.
A resposta pode seguir pela mesma via ou, ainda melhor, se a distância não for entrave, num café ou na biblioteca de Loulé, com um tabuleiro de permeio. Afinal, divulgar o xadrez em Loulé e no Algarve é o objectivo destas Torres.



1 - O Tabuleiro | O Rei | A Dama | As Torres | A notação das jogadas



As primeiras apresentações:
- o Tabuleiro (casas, filas, colunas e diagonais);
- o Rei, a Dama e as Torres (movimentação e captura);
- a Notação Algébrica (registo escrito das jogadas).


Desafios relativos a estas matérias:





- Conceitos de xeque, xeque-mate e afogado.

- Técnica das Escadinhas: xeque-mate com duas peças pesadas (duas Torres, duas Damas ou uma Torre e uma Dama) contra Rei sozinho.

- Técnica da Caixa: xeque-mate com Dama e Rei contra Rei sozinho | xeque-mate com Torre e Rei contra Rei sozinho


Desafios relativos a estas matérias:




Últimas apresentações:
- os Cavalos e os Bispos (movimentação e captura);
- os peões (movimentação, capturas e promoção).

A posição inicial das peças.






Roque (condições e requisitos)

Formas de terminar a partida:
- Vitória/Derrota (xeque-mate | desistência | tempo)
- Empate (tempo | material insuficiente | afogado | repetição da posição | 50 jogadas sem capturas ou movimentos de peão | acordo)

Valor relativo das peças (trocas benéficas e prejudiciais: ataque/ameaça vs defesa -afastar/proteger/capturar/interpor | tipos de vantagens: material e posicional)

Introdução à estratégia: como concretizar uma situação de vantagem material? simplificação


Desafios relativos a estas matérias:






Fases da partida: abertura | meio jogo | final

Abertura:
- Objectivos: proteger o Rei | desenvolver as peças | controlar o centro
- Princípios: desenvolver as peças por ordem crescente de valor e em direcção ao centro do tabuleiro | fazer roque
- Erros: falta de protecção do Rei (diagonal fraca | peão fraquinho | não se fez roque) | saída prematura da Dama


Desafios relativos a estas matérias:






Causas da desvantagem material: Falta de atenção | Elementos tácticos

Falta de atenção:
- Deixar as peças desprotegidas (não damos conta que fomos atacados | jogamos a peça para uma casa que não controlamos | retiramos a peça defensora do posto de defesa | a peça defensora continua na mesma casa mas foi impedida de se movimentar)
- Permitimos que a nossa peça seja cercada






Causas da desvantagem material: Falta de atenção | Elementos tácticos

Elementos tácticos: táctica | combinação | peças activas | alvo (Rei, peças pouco protegidas, casa importante) || com uma só jogada criamos mais que um ataque

Pressupostos do ataque: PaLA - Peças activas em Linha para o Alvo

Elemento táctico - o Ataque Duplo: uma peça ataca directamente dois alvos.



Desafios relativos a estas matérias:







Pregagem - uma peça ataca outra do adversário ao longo de uma linha que tem dois alvos, de tal modo que se a peça atacada (alvo da frente) fugir, podemos capturar a de maior valor (alvo de trás) que se mantém na linha de ataque.

Espetada / Raio X - É a mesma situação geométrica que acontece na Pregagem, mas aqui a peça de maior valor é o alvo da frente, não o de trás.

Utilização da PaLA

Pregagem como tema estratégico: aumentar a pressão
Pregagem como tema táctico: peça pregada não defenda
Escapar da pregagem




9 - Mistério no Tabuleiro: o Ataque a Descoberto


Elemento táctico - o Ataque a Descoberto: a peça que movemos ataca directamente um alvo e permite, indirectamente (porque abre uma linha de ataque), o ataque de outro alvo com outra peça

Baterias | Moinho

Elemento táctico - Eliminar o Defesa: quando o alvo é uma peça pouco protegida, isto é, que se encontra defendida com o mesmo número de peças que o número de atacantes, se um dos defesas for eliminado, podemos ganhar o alvo.

Eliminar o defesa: com uma captura | com uma ameaça | com um desvio




E com esta táctica termina a primeira parte desta introdução ao xadrez.
Agora é tempo de treinar todos estes truques até ficarmos com estas armas nas pontas dos dedos.
E de pôr estes conhecimentos em prática jogando muitas partidas: em casa, online, em torneios.
O QUE É QUE JÁ SABEMOS?
Na Abertura: (ver resumo n.º 5)
1 - Queremos tirar o nosso exército do quartel, abandonando a posição inicial para conquistar espaço no tabuleiro e proteger o nosso Rei.
2 - Para alcançar este objectivo, temos 3 regras de ouro:
i) Controlar o centro;
ii) Desenvolver as peças por ordem crescente de valor e, em princípio, sem movimentar duas vezes a mesma peça antes de todas terem saído do quartel (o xadrez é um jogo de equipa, é muito difícil dar xeque-mate só com uma peça: os Cavalos devem ir para o centro do tabuleiro, não para as laterais; os Bispos e as Torres devem ocupar preferencialmente linhas abertas, isto é, sem peões, para o seu raio de influência e a sua mobilidade serem maiores);
iii) Proteger o Rei num canto do tabuleiro, através do roque (que ajuda a desenvolver a Torre e encosta o Rei a um canto, onde o adversário tem menos linhas de ataque e reforça a defesa do peão de f, de Fraquinho).
No Meio-Jogo:
3 - Sempre que o adversário jogar, devemos fazer duas perguntas:
i) O que é que a peça que ele jogou está a ameaçar na sua nova posição?
ii) O que é que a peça que ele jogou deixou de fazer por já não estar na posição anterior?
(Deste modo vamos ficar concentrados e evitaremos que o adversário nos faça negócios ruinosos - ver resumo n.º 6)
4 - Vamos tentar obter vantagem material, através da realização de negócios ruinosos para o adversário, utilizando as tácticas da PaLA da boina do Sherlock Holmes.
Queremos: 
i) Peças activas, isto é, a desempenhar uma função útil, seja a atacar o adversário, seja a impedir a sua progressão, seja a ajudar outras peças do nosso exército;
ii) ocupar Linhas de progressão, ou seja, as nossas peças devem ter mobilidade para atacar alvos;
iii) identificar os alvos na posição adversária que podem ser:
          a) O Rei ou outra peça valiosa (Dama ou Torre);
          b) Peças desprotegidas ou pouco protegidas, isto é, defendidas com o mesmo número que o número de atacantes;
          c) Casas VIP, ou seja, casas onde podemos fazer coisas importantes, como dar xeque-mate, activar as nossas peças ou impedir a progressão do adversário.
(PaLA - Peças activas em Linha contra o Alvo: ver resumo n.º 7, primeira parte)
5 - O nosso radar de alvos tem que estar sempre ligado. Se encontrarmos:
i) Dois ou mais alvos, procuramos Ataques Duplos (resumo n.º 7, segunda parte);
ii) Se os alvos estiverem na mesma linha, procuramos Pregagens ou Espetadas Radioactivas e quando tivermos uma pregagem feita, o que queremos? Aumentar a pressão! E o que é que a peça pregada não faz? Peça pregada não defende! (ver resumo n.º 8);
iii) Se houver alvos e tivermos uma bateria, tentamos fazer um Ataque a Descoberto (ver resumo n.º 9);
iv) Se o alvo for uma peça pouco protegida, tentamos Eliminar o Defesa com uma captura, uma ameaça ou um desvio (ver resumo n.º 10)
6 - Depois de um negócio ruinoso (ver resumo n.º 4, parte final):
i) Se tivermos vantagem material, queremos trocar peças e não peões. Trocamos peças para diminuir a possibilidade de defesa do adversário e ficamos com os peões para promover um a Dama;
ii) Se estivermos a perder material, queremos trocar os peões e não as peças (trocamos os peões para o adversário ter mais dificuldade em promover um e ficamos com as peças para termos mais poder defensivo)
7 - O Rei deve ser protegido; os Cavalos devem controlar o centro; os Bispos gostam de diagonais abertas; as Torres também gostam de colunas abertas, sendo que dobradas triplicam de força e o objectivo é coloca-las no território adversário na sétima ou na oitava fila.
No Final:
8 - Devemos ter peças activas e explorar os peões fraquinhos (isolados, dobrados ou atrasados).
9 - O objectivo é promover um peão a Dama e devemos concretizar este plano com a ajudar do nosso Rei: como já há poucas peças no tabuleiro, não há grande risco de levar mate, pelo que o Rei deve ser uma peça activa. 
10 - Quando tivermos Rei e Dama contra Rei, devemos fazer a técnica da caixa; se tivermos duas peças pesadas (Dama/Torre) contra o Rei, a técnica mais eficaz é a das escadinhas. Cuidado para não afogar! (ver resumo n.º 2)
Vão ver que à medida que forem interiorizando estes ensinamentos os bons resultados vão aparecer: o objectivo do xadrez é dar xeque-mate ao adversário, mas ganhar, mais do que um objectivo, é o resultado do vosso empenhamento.
Se mantiverem o esforço, é garantido que vão ganhar mais vezes que aquelas que perdem.

Pelo caminho, dedicação: qualquer Grande Mestre já foi um iniciante e antes de começar a ganhar partidas e depois campeonatos, teve que perder muitas vezes e aprender com os seus erros.

Na verdade, qualquer Mestre já perdeu mais partidas do que todas aquelas que vocês já jogaram na vida!
Agora, mãos à obra que o xadrez é um caminho que se faz caminhando.
Trabalho, Dedicação e Boa sorte!

Quaisquer dúvidas ou comentários podem ser transmitidos através do envio de uma mensagem para o facebook das Torres de Loulé.
A resposta pode seguir pela mesma via ou, ainda melhor, se a distância não for entrave, num café ou na biblioteca de Loulé, com um tabuleiro de permeio. Afinal, divulgar o xadrez em Loulé e no Algarve é o objectivo destas Torres.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Super-Dezembro para André Ventura Sousa: de MN à primeira norma de MI, passando pelo título de Mestre FIDE!


Fonte: Federação Portuguesa de Xadrez
Grande mês de Dezembro para o jovem sub-16 André Ventura Sousa do Grupo Desportivo Dias Ferreira! Depois de iniciar o mês com a conquista do título de Mestre Nacional, tendo conseguido igualar o feito de ser o mais jovem a conquistar este título, consegue perto do fim do mês conquistar o título de Mestre FIDE depois de um desempenho fantástico num torneio fechado em Espanha.
A caminhada começou em Braga, de 4 a 8 de Dezembro, no II Torneio de Xadrez Mosteiro de Tibães, que venceu com 6 pontos em 7 possíveis, somando mais 21,2 pontos de Elo aos seus 2232. 
Depois, em Pontevedra, de 18 a 23 de Dezembro, participou no Cerrado Internacional de Ajedrez, um torneio disputado por 10 jogadores em formato de todos contra todos, com 3 Grandes Mestres e 3 Mestres FIDE presentes, e média de Elo de 2320. Arrancando do 8-º lugar do ranking inicial, o André fez um torneio fantástico, somando 7 pontos em 9 possíveis (5 vitórias e 4 empates), garantindo a vitória na prova isolado no 1.º lugar. Conquistou o título de Mestre FIDE logo à passagem da 3.ª Ronda, quando chegou aos 2300 pontos de Elo, e terminou a prova com a conquista da sua 1.ª norma de Mestre Internacional. Entretanto, somou mais 144 pontos, chegando agora aos 2400 e ascendendo ao 5.º lugar do Top Nacional dos jogadores actualmente filiados!
Torna-se assim o 18.º jogador português a ostentar o Título de Mestre FIDE e o 50.º jogador português titulado internacionalmente!
A lista de todos os Mestres Internacionais pode ser consultada em http://www.fpx.pt/web/nacional/elo/mestres-internacionais.
Todos os resultados e classificações das duas provas em http://chess-results.com/tnr191663.aspx?lan=10 e http://chess-results.com/tnr200137.aspx?lan=10.

sábado, 21 de novembro de 2015

II Open de Alte: MF Viktor Ulyanovskyy venceu invicto!




Com os objectivos de divulgar as actividades da Associação Cultural de Alte e promover a modalidade, no passado fim de semana de 14 e 15 de Novembro, o Núcleo de Xadrez da AC Alte, com o apoio da Caixa Agrícola, da Freguesia, da Escola Profissional e do Hotel de Alte, e da Associação de Xadrez de Faro, organizou o seu II Open de Xadrez em ritmo semi-rápido.




O convite para participação no evento foi dirigido a todos aqueles que estivessem interessados num fim de semana de fraterno convívio e tranquila descoberta do barrocal e da serra algarvia, além, claro, de exigente prática desportiva, tendo a iniciativa sido muito bem recebida por toda a comunidade, quer a xadrezística quer a altense, que respondeu de forma dedicada.




Com efeito, mais de um terço dos 52 xadrezistas filiados na Federação Portuguesa de Xadrez através da Associação de Xadrez do Distrito de Faro participaram na prova, representando os três clubes que se encontram actualmente em actividade no Algarve - a ACAlte, a Academia de Xadrez do Algarve e a Associação Desportiva e Cultural de Faro.

Entre eles, estavam alguns dos mais destacados jogadores do distrito:


João Pacheco, da ADC Faro, campeão distrital em ritmo semi-rápido.



André Dionísio, também da ADC Faro, que no início deste mês representou Portugal no Campeonato do Mundo de Xadrez do escalão sub-16 anos.


António Martins, da AC Alte, campeão distrital de Faro no escalão sub-16.


A estes juntaram-se alguns xadrezistas titulados pela Federação Internacional e pela Federação Portuguesa de Xadrez, tornando o II Open de Alte na prova mais competitiva do ano realizada no Algarve:


Mestre FIDE ucraniano Viktor Ulyanovskyy, do FC Barreirense.


Mestre FIDE Vasco Diogo, da Ass. Académica de Coimbra


Mestre Nacional Carlos Carneiro, da Acad. Xadrez Portugal / Atlantidiagonal


Candidata a Mestre Feminina Sara Monteiro, da Mata e Benfica.



A prova foi bastante eclética, reunindo jogadores de várias nacionalidades (vários portugueses, alguns alemães, uma francesa e um ucraniano) em representação de clubes do centro e sul do país.


O Open jogou-se na Casa do Povo de Alte...


... tendo a arbitragem ficado a cargo do Senhor Amadeu Solha Santos (Ass. de Xadrez de Lisboa) ...


... que foi coadjuvado pelo Senhor Carlos Fantasia Sousa, da AX Faro.



Para agradecer a presença de todos os jogadores que se deslocaram a Alte para participar na prova, bem como a excelente arbitragem, a organização ofereceu, como lembrança, docinhos regionais de doce fino do fabrico caseiro da Doces às Cores, de Loulé. Durante a prova, estiveram disponíveis para todos bolachinhas de aveia e de azeite, e também citrinos produzidos em Alte.


Outros produtos locais (bijuteria, escultura em pedra, artesanato em papel reciclado, costura, bordados e palma) estiveram disponíveis no mercadinho do 3.º sábado do mês realizado de manhã, em que, além de outros, participaram as artesãs «da Torre» que produziram...


... os troféus que premiaram os melhores resultados.


(pormenor do troféu para o terceiro classificado)


O mercadinho fez sucesso entre os participantes e seus acompanhantes que também puderam participar nas visitas guiadas que a Escola Profissional de Alte assegurou, além do secretariado.


Outra iniciativa dos artesãos de Alte foi a realização de tabuleiros de xadrez cuja exposição, na Casa Memória, esteve a cargo de Maya dos Termos, artista alemã que reside em Alte.


Alguns dos tabuleiros expostos.


Um dos conjuntos expostos, o delicioso «Xadrez das três delícias do Algarve», feito com amêndoa, figo e alfarroba, não chegará ao III Open de Alte, uma vez que desapareceu até à última migalha na cerimónia de entrega de prémios.


A abertura da exposição foi precedida de uma procissão cénica em homenagem a S. Martinho, na qual elementos do grupo do Teatro da Estrada da AC Alte leram quadras alusivas à data, e que culminou num magusto à entrada da Casa da Memória.


Alguns dos participantes optaram por recuperar energias pernoitando no Alte Hotel.



Quanto à vertente desportiva, o grande vencedor, invicto, com seis vitórias e apenas um empate, foi o Mestre FIDE ucraniano Viktor Ulyanovskyy.



O xadrez dos de Alte causou boa disposição aos de Faro? :)


... mais certo é tê-los deixado de boca aberta! :P

E não se pense que a tarefa do Luís Botelho, o melhor classificado da equipa de Alte, foi fácil...


... pois o Gunter Diete estava confiante ...


... e concentrado.


A prova estava equilibrada e todos queriam chegar pelo menos aos cinco pontos que permitiam lutar por um lugar no pódio.



Alguns embates pareciam verdadeiros duelos do farwest ao pôr-do-sol.



E os sorrisos de alguns não escondiam o estalar de dedos de outros...


Havia mesmo que não conseguisse reprimir o seu lado mais maquiavélico...


... e lançasse mão de todo o arsenal, incluindo danças voodoo.


O que não deu descanso à arbitragem que não pôde perder a atenção nem por um minuto, tendo ao longo da prova determinado vários resultados em virtude de lances ilegais, gasto integral do tempo disponível e toque de telemóvel.


Sem querer entrar em intrigas, a verdade é que houve um acontecimento estatisticamente estranho, como foi prontamente notado no local:
- Uma jogadora que fez três pontos não deu um único mate nem nenhum dos adversários abandonou - os três resultaram da intervenção directa do árbitro que atribuiu as vitórias quer por lances ilegais, quer por toque de telemóvel. 
E consta que essa mesma jogadora ofereceu um pastel de natal ao árbitro...
Es-can-da-lo-so!



Até a colega de equipa ficou incrédula!


O zunzum chegou às primeiras mesas e os jogadores só conseguiram tapar a boca. A favorita ao título feminino conseguiu permanecer focada no seu objectivo, tendo acabado por garantir o primeiro lugar neste escalão. No entanto, não resistiu à pressão da prima (se 3 pontos não chegam, há que vencer pelo cansaço auditivo...) e deixou o troféu em Loulé, ao cuidado desta. 



Classificação final


Cerimónia de entrega de prémios apresentada pelo Director do Torneio António Martins e que contou com a presença da Presidente da Junta de Freguesia de Alte Sílvia Martins.



Embora seja notório que ainda não sabem fazer pose para as fotos com os prémios virados para objectiva e que tanto esforço lhes põe coisas esquisitas na cabeça, o balanço desportivo foi positivo para os jogadores de Alte:


- O Luís Botelho, que terminou em 4.º com os mesmos pontos do 2.º, esteve ao seu nível, conseguindo uma performance de quase 2100 pontos, mostrando por que é um dos melhores xadrezistas do Algarve;


- O Tiago não conseguiu defender o título conquistado no I Torneio de Alte, mas conseguiu alcançar outro feito assinalável na Casa do Povo de Alte: desta vez conseguiu pontuar, pela primeira vez, contra dois Mestres FIDE, ganhando uma e empatando outra partida, a que impediu o vencedor de fazer um torneio 100% vitorioso;




-  O Kai fez um bom torneio, perdendo apenas com o MF Vasco Diogo e com o Luís Botelho, e empatando com o Konstantin Gotzen na última jornada;



- O António venceu o escalão sub-16, com 3 pontos, tendo apenas perdido uma partida «do seu campeonato», com o Paulo Xavier na última jornada.


- O Bruno Martins, 23.º do ranking inicial, terminou em 17.º, com três pontos, dando bons sinais de capacidade de progressão. Se jogar mais torneios e complementar essa prática com alguns conhecimentos teóricos, poderá ingressar no ranking internacional ainda esta época;



- A Cláudia verificou mais uma vez que a Casa do Povo de Alte é um local muito benéfico para o seu xadrez, conseguindo 3 pontos e uma performance superior a 1450 pontos elo;



- A Françoise mostrou muita garra e dedicação nas suas partidas, tendo lutado bastante. A ida ao bye na segunda jornada fez com que subisse rapidamente e defrontasse jogadores fortes. Tal como o Bruno Martins, se adquirir alguns conhecimentos teóricos de base e jogar mais para ganhar experiência, poderá dar o salto brevemente;



- O Bruno Almeida, tal como o Amarildo Lima, sofreu do «síndrome do organizador». As exigências da competição são elevadas, requerem concentração e dedicação absoluta, mas tal não é possível quando se é responsável por toda a logística da prova. Ainda assim, os dois pontos e a performance superior a 1200 pontos são um sinal de que, noutras condições, o acesso ao ranking internacional está ao seu alcance;



Foi um belo torneio e um fim de semana muito bem passado, fruto da dinâmica do Amarildo Lima e restantes responsáveis do Núcleo de Xadrez da Associação Cultural de Alte.

Já estamos à espera do próximo!!

(Muitas) mais fotos aqui.