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sexta-feira, 3 de outubro de 2008

I Jogos Mundiais dos Desportos da Mente



Iniciam-se hoje, em Pequim, simbolicamente no local dos Jogos Olímpicos deste ano, os I Jogos Mundiais dos Desportos da Mente.

Como se pode ler no site da Associação Portuguesa de Go, "este evento irá decorrer no coração do complexo Olímpico - o Centro de Convenção Nacional - entre 3 e 18 de Outubro 2008.

Os Jogos são organizados pela IMSA (International Mind Sports Association) sob a direcção da GAISF (General Association of International Sports Federations).
O evento é constituidos por [5] disciplinas (Go, Xadrez, Bridge, Damas [e Xiangqi]), onde participam mais de 2000 jogadores de mais de 100 países e inclui mais de 600 funcionários (responsáveis, treinadores, árbitros…)."


Os Jogos foram divulgados, ao mais alto nível, pelas instituições das diversas modalidades - FIDE, International Go Federation, World Bridge Federation ou a Fédération Mondiale du Jeu des Dames -, pelo que teve natural repercussão ao nível nacional.




Por cá, apenas não encontrei qualquer referência no site da Federação Portuguesa de Damas.




A Associação Portuguesa de Go, apesar de ser a mais pequena e, presumo, a única sem Utilidade Pública Desportiva, foi a primeira a assumir a sua presença na competição. Portugal estará representado nesta modalidade pelos atletas Cristóvão Neto e Vasco Pimenta (que apresentaram esta modalidade no último Festival de Xadrez Dolce Vita (2 e 3 de Fevereiro), organizado pelo Estrela e Vigorosa Sport) que jogarão o Open Individual Absoluto, e por Pedro Carmona, Diogo Figueirinhas e Rui Malhado que jogarão o Individual Masculino. Os cinco atletas constituirão a selecção nacional na prova colectiva.




A Federação Portuguesa de Bridge anunciou, no dia 29 de Setembro, que estará "representada nas Olimpíadas de Beijing, inseridas nos Jogos da Mente (...) [e que] a selecção Open será constituída por Nuno Paz (Capitão jogador), António Lopes, Carlos Luis, João Sá, José Carlos Henriques e Vitor Diegues; A selecção de senhoras tem a seguinte composição: Alexandra Rosado, Ana Tadeu, Anabela Oliveira, Isabel Ferreira, Paula Lima, Teresa Kay, Luis Oliveira (Capitão) e Luis Ahrens Teixeira (Assistente); E a selecção júnior é composta por Carlos Luis (Capitão não jogador), Francisco Pereira Gonçalves, Rafael Braga, Ricardo Braga e Pedro Prates".




No dia anterior, a 28 de Setembro, a Federação Portuguesa de Xadrez emitiu um comunicado em que informa que, tendo sido informada, dois dias antes, pela FIDE, que o pagamento das viagens a Pequim não estava assegurado, ao contrário do garantido até esse momento, uma vez que não dispunha de verba orçamentada para estas despesas, a Direcção deliberou ser mais adequado não participar no evento. Lamentando a ocorrência de tal situação, a que é alheia, e os eventuais prejuízos dela emergentes, a FPX convidou os jogadores seleccionados, que já tinham visto de entrada para a viagem à China, a adquirirem os bilhetes de avião por sua conta e risco, sendo reembolsados se o patrocinador da FIDE entretanto disponibilizar o seu apoio.

Desconhece-se a resposta dos xadrezistas portugueses a este repto. Mas face ao cancelamento tão em cima do acontecimento, é provável que não estejam reunidas as condições para a sua participação. É que não há tempo útil para, tão pouco, lançar um apelo semelhante ao que a selecção Australiana normalmente faz para angariar os fundos que permitem a sua participação nas Olimpíadas.

No bridge a situação não foi muito diferente, só que atempadamente preparada, de acordo com a parte final da notícia publicada no site federativo: "O Presidente e a Direcção da FPB manifestam todo o seu apreço e reconhecimento para com todos os elementos das equipas Open e senhoras, que se deslocam a suas expensas e com detrimento das suas actividades profissionais e pessoais, dando assim provas do seu empenhamento e dedicação à modalidade ao viabilizarem a participação de Portugal numa das mais importantes competições do Bridge mundial, que se realiza apenas de 4 em 4 anos.
Todas as equipas merecem o maior apoio da FPB a qual se encontra convicta de que representarão condignamente em todos os aspectoso bridge nacional gozando de toda a estima e interesse por parte dos associados da Federação"
.

No site oficial, a delegação portuguesa conta com sete xadrezistas: Diogo Fernando, Paulo Dias, Catarina Leite, Ariana Pintor, Carlos Pereira dos Santos, Antóno Fernandes e Luís Galego.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Deve o xadrez ser um desporto olímpico?


Por Meahgan Haire, Revista Time, citada pela GM Susan Polgar.

O que caracteriza um desporto olímpico? O aval oficial do Comité Olímpico Internacional (COI) às modalidades pode ser controverso e, até, confuso: a ginástica rítmica é considerada um desporto olímpico, mas as danças de salão não; o andebol e o badminton fazem parte do programa, todavia o rugby e o squash ficam de fora. Entre os 28 desportos admitidos para 2012 encontra-se o ping pong, mas não o golfe, o basebol, o softball ou o racquetball.

O curling também faz parte da lista olímpica, e isso mexe com Kirsan Ilyumzhinov, presidente da FIDE, para quem aquele desporto é "xadrez no gelo, sendo um desporto olímpico, enquanto que o xadrez clássico não é reconhecido". Ilymzhinov tenta, há já mais de uma década, que o jogo de tabuleiro, um "desporto da mente", seja aceite pelo COI.



A Federação Mundial de Bridge (FMB) — que represente este jogo de cartas — está igualmente desagradada. Como a federação de xadrez, a FMB faz lobbying desde 1995 para conseguir entrar no palco olímpico. As duas federações comprometeram-se até a submeter os seus praticantes a testes anti-doping, de maneira a cumprirem também o regulamento olímpico anti-doping, mas, mesmo assim, no ano passado foi negada, uma vez mais, a entrada destas modalidades nos Jogos Olímpicos.

Nem a FIDE nem a WBF aceitam esta rejeição levemente. Ser um desporto olímpico poderia beneficiar significamente estas modalidades, já que poderia funcionar como cartão de visita em países onde o investimento estadual é baixo. A dada altura, a FIDE estudou a possibilidade de intentar uma acção junto do Tribunal Arbitral do Desporto, em Lausana, Suiça, mas mais tarde recuou. Peter Rajcsanyi, relações públicas da FIDE, admite que "a nossa força não está no tribunal" e que a FIDE está agora envolvida num "processo sério de negociação e relacionamento institucional [com o COI]". Com tal desiderato, a organização do xadrez abriu um gabinete em Lausana, de modo a estar mais próxima dos dirigentes do COI e conseguir promover melhor o jogo como um desporto internacional, informa Rajcsanyi.



Capa da edição de 31 de Julho de 1972


Mas acrescentar desportos aos Jogos Olímpicos é uma matéria sensível, em parte devido ao tamanho imenso do evento. Emmanuelle Moreau, porta voz do COI, diz que os Jogos estão já tão grandes que muitas cidades não os conseguem receber. Daí que, quando assumiu a presidência do COI em 2001, Jacques Rogge tenha limitado o número de desportos olímpicos a 35 (28 no verão, 7 no inverno) e implementado um processo periódico de revisão que evitasse a expansão do programa olímpico. Assim, actualmente, o COI admite novos desportos e analisa a continuação dos que já integram os jogos com base em análises técnicas e critérios específicos, após a realização de cada Olimpíada. (Pequim será a última a incluir o basebol e o softball que já foram excluídos pelo COI para 2012).

O Comité Olímpico Internacional atribuiu às federações de bridge e de xadrez o estatuto de
"Federação Reconhecida" ["Recognized International Sports Federations status", no original], respectivamente em 1995 e 1999, mas não admitiu nenhuma das modalidades nos Jogos Oficiais com fundamento em que às duas falta o elemento essencial da actividade física. "Desportos da mente, pela sua natureza, não podem fazer parte do programa", diz Moreau, embora ressalvando que o COI ainda não pôs completamente de lado a possibilidade de os incluir no futuro.




"Nos Jogos da Grécia Clássica, o elemento da actividade cultural e mental estava presente", responde Rajcsanyi. De facto, os Jogos Olímpicos da Antiguidade incluiam provas de música, teatro, poesia e outras artes. "Até à Segunda Guerra Mundial, os Jogos Olímpicos incluiam competições que recompensavam o esforço intelectual dos participantes, do mesmo modo que recompensavam o esforço físico", acrescenta. "Actualmente, a ausência deste factor pode ser suprida com a integração do xadrez e, eventualmente, do bridge".

Os adeptos do bridge discordam daquela caracterização deste jogo de cartas como uma actividade não física. Dan Morse, secretário da FMB e presidente da Liga Estado-Unidense de Bridge sustenta que "o bridge é um desporto. Requer resistência, força mental e concentração... o bridge é um desporto tal como o basebol e o futebol. Exige treino e exercício vigoroso. É mais do que apenas uma actividade recreativa". Os Comités Olímpicos de alguns países já aceitaram o bridge como um desporto oficial. Antes das Olímpiadas de Salt Lake City, em 2002, a FMB organizou uma competição de exibição, e a FIDE teve duas iniciativas semelhantes nas Olimpíadas de Sydney, em 2000.

Por ora, quer a FIDE quer a FMB vão continuar a sua cruzada global pela aceitação Olímpica. Este Outono, xadrezistas e jogadores de bridge vão competir nos Primeiros Jogos Mundiais dos Desportos da Mente, num local familiar para os adeptos do desporto - Pequim. Mais de 3.000 atletas de pelo menos 150 países vão competir pelas 35 medalhas de ouro em xadrez, bridge, damas, go e xiang qi (xadrez chinês). O evento terá lugar no Centro Nacional de Convenções, no coração da cidade olímpica. Os Jogos da Mente, diz Rajcsanyi, vão "mostrar ao mundo que estes desportos exigem esforço, competência e determinação, tal como qualquer outro" e que "podem trazer alegria, felicidade e espectáculo aos participantes e aos espectadores".


Georgios Makropoulos, responsável da FIDE e da Associação Internacional dos Desportos da Mente, concorda: "Esperamos que este evento em Pequim seja tão importante e tão grande que o COI perceba que precisa de nós."



Capa da edição de 7 de Dezembro de 1925