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segunda-feira, 20 de julho de 2009

Afonso Luz, Campeão de Aveiro sub-10.



Hoje joguei com o Afonso. Não o conhecia, mas não foram precisos muitos lances para ver que é outro daqueles casos em que o elo só lá está para fazer de conta. Não joga para 1200. E é dar-lhe tempo... mais um para a minha galeria de promessas.

É dos Galitos e é o actual campeão de Aveiro, no escalão sub-10. Apesar de imberbe, já é jogador de pêlo na venta...



Ele também tem o seu quê de sanguinário :)
Aqui, se tivesse jogado 18. ... Ch5 (em vez de Ra8?!), deixava-me em maus lençóis...




Amanhã jogo com outro reguila, já meu conhecido...

* * *
(O André Mateus (sub-12) empatou com o MI Paulo Dias!)

domingo, 23 de novembro de 2008

Sábado, fez-se a festa da Taça no GXP!


Sábado passado, jogou-se a primeira ronda da Taça AXP. Três das quatro equipas do Grupo jogaram em casa, mas a sala encheu também com a presença da equipa Pontex, o Núcleo de Xadrez da Escola da Ponte (Vila das Aves), e com alguns sócios que, além de assistirem aos encontros, seguiram as Olimpíadas e jogaram, claro, algumas partidas...


À esquerda, o encontro GXP B - GXP D, com os vigorosos Nuno e Rui ainda na luta em que acabaram por garantir dois excelentes empates, como se noticia noutro post. Mais próximo da câmara, paralelas à parede do fundo, ficam 4 mesas onde se disputou o GXP A - Pontex, uma delas aqui ocupada pelo André que iniciava a análise da sua partida. No outro conjunto de mesas, alguns sócios jogam umas partidas. Mais à direita, a atenção é dada ao computador através do qual se seguiam as partidas das Selecções Nacionais nas Olimpíadas de Dresden.




Foi com prazer que, passados uns 8 anos, voltei a "vestir a camisola" do Grupo. Ainda por cima, o jogo foi duplamente simbólico, pois os nossos simpáticos adversários são de um clube recém-formado, o Núcleo de Xadrez da Escola da Ponte, uma escola cuja cara mais conhecida é o Prof. José Pacheco, que, se nunca ouviram falar, devem visitar.
Ainda quanto a primeiras visitas, o meu oponente, o Filipe Jacinto, jogou comigo a sua primeira partida oficial, o que deve fazer de mim uma espécie de padrinho ocasional neste mundo do xadrez, o que não deixa de ser uma séria responsabilidade. :P

Infelizmente, as coisas não começaram bem. O aniversário de um familiar meu motivou um almoço especial que se alongou mais do que o esperado, e o resultado foi o Filipe apanhar uma seca de uns bons 40 minutos! :/ Ainda por cima, quando iniciámos a nossa partida, a equipa dele já estava a perder 3-0, o que poderia ter sido desmotivador para ele...



Todavia, não só o Filipe jogou muito melhor do que era expectável para alguém que jogou a sua primeira partida oficial, como mostrou alguns pormenores, como, por exemplo, o facto de estar razoavelmente à vontade com a notação algébrica num tabuleiro sem identificação das filas e colunas.

Além de muito simpático - felizmente desculpou-me o atraso -, o Filipe mostrou capacidade de concentração durante a maior parte do jogo e, no final, teve paciência para analisar comigo a partida. Se gostar de jogar xadrez, mantiver esta atitude nas partidas e continuar a estudar o jogo com os colegas de equipa, parece-me ter potencial para obter bons resultados no seu escalão sub-12.

Apesar de ter jogado os primeiros lances "como manda o livro", uma imprecisão no 8.º deu-me vantagem. Nesse lance, fez roque, o que normalmente é bom, mas naquela posição em concreto, permitiu que eu tomasse conta do centro (o que é sempre positivo) e empurrasse os seus cavalos para as bordas do tabuleiro, o que raramente é recomendável.

Acho que aquele 8.º lance foi o primeiro momento crítico da partida. Mas, até para a posteridade, vejamos melhor a primeira partida oficial do Filipe Jacinto, do PonteX, o clube de Xadrez da escola da Ponte:



A equipa A do Grupo venceu, assim, a PonteX por 4 - 0, com vitórias de António Silva, Fernando Cleto e Américo Moreira sobre, respectivamente, Albino Ribeiro, Paulo Topa e Jorge Pereira.

Por sua vez, a equipa C do Grupo foi a Alfena bater a equipa local também pela margem máxima, com os parciais 1. Hugo Soares (0) 0 : 1 Alexandre França (1627), 2. António Bastos Pintor (1303) 0 : 1 José Manuel Costa (1608), 3. José Bastos Pintor ( 1277) 0 : 1 José Manuel Lopes (1606) e 4. João Bastos Pintor (1097) 0 : 1 Augusto Moura Pires (1462).

No próximo sábado há mais!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

1.ª Jornada do Internacional de Guimarães - Ivo Dias

Disputou-se a noite passada a 1.ª Jornada do V Torneio Internacional de Guimarães, nas instalações do Museu Alberto Sampaio.

A Sara fez de taxista e foi-me buscar, pelo que consegui estar às 20h20 à porta do Guinapo que não teve horário mais flexível: também recém-chegado do seu emprego, encontrava-se a terminar o jantar, pelo que estacionei e saquei do saquinho providencial que a minha mãe me deixara no carro e ataquei sem pudor 3 rissóis e 2 croquetes, regados com iogurte líquido.
Coisas menores para um bom garfo, que era noite de xadrez.

Seguimos viagem sem percalços - a consulta ao Via Michelin foi proveitosa - mas quando chegámos a Guimarães passámos mesmo à porta do Museu e não demos por ele! Foi necessário socorrermo-nos da simpatia vimaranense e depois de certeiras orientações, rumámos para o local de jogo.

Para trás ficou o carro, estacionado em lugar reservado à Relação, e o arrumador que grunhia qualquer coisa como "Se não fosse noite havia moedinhas para o parquímetro..."

Chegados ao Museu com o atraso da praxe (cerca de 20 minutos, salvo erro), primeiro contacto com a arbitragem - pelo omnipresente Vitorino Ferreira - e com a organização da prova, ocasião para perceber o que se havia passado com a minha inscrição em representação do GXP: quando enviei o email indiquei o meu nome, idade, n.º fide e elo, esquecendo-me do clube. O Senhor Fernando Castro reconheceu o apelido e juntou-lhe o clube... apelido do Joaquim (Brandão de Pinho), presidente do GX Porto, o mesmo mas não o meu. =D

Entretanto, um olhar rápido para o emparceiramento apenas para descobrir que jogava de negras, na mesa 14, contra o Ivo Dias. O nome não me dizia nada e calculava que deveria ser um adversário à volta do 65.º lugar do ranking inicial, logo com um elo a rondar os 1400.

Quando cheguei ao tabuleiro, esperava-me apenas o peão de rei, avançado duas casas. Repliquei simetricamente, preenchi a folha de registo e aguardei a presença do meu adversário que não tardou em comparecer.

O Ivo é um rapaz novo, com ar simpático e olhar arguto, que me pareceu entre o surpreendido e o desconfiado com o meu equipamento desportivo - a "farda" profissional. Jogámos uma variante pouco comum da Espanhola que ele não conhecia e me deu alguma vantagem inicial. Mas não foi preciso muito para eu perceber que à minha frente estava um daqueles "miúdos" cuja progressão xadrezística anda 3 vezes mais depressa do que o sistema de Elo permite monotorizar. De tal maneira que, já no meio-jogo, me levantei para espairecer e ver na lista de inscritos de onde era aquele jogador que me estava a morder os calcanhares.


A posição não era muito clara - pelo menos para mim :) - e suscitou interesse em alguns dos espectadores que deviam estar a torcer, como eu muitas vezes faço, pela surpresa do xadrezista com menos elo. Este retrato da Juliana Chiu é sintomático: algumas espreitadelas, o Ivo seguro a olhar para mim com ar guerreiro e desafiador, eu agarrado aos neurónios o mais que podia...

Indo ao que interessa, parece-me que a posição em que demorei mais tempo a jogar foi esta:



O Ivo tinha acabado de jogar 10. d3 (nas análises disse-me que hesitou entre este lance e 10. f3 que talvez não fosse pior) e o seu objectivo pareceu-me claro: queria o meu peão de e4 que estava pregado. Felizmente, as minhas hipóteses eram reduzidas e obrigatórias: ou defendia o peão ou o sacrificava.

Hesitei até à última e acabei por defender com 10. ... Bb4. Mas era possível prosseguir de forma mais arrojada de acordo com o plano inicial (8. ... Bc5).
DESAFIO A - Como é que as negras podem explorar a coluna semi-aberta de F e pressionar o peão de f2? Conseguem ver o que eu não vi? Respostas por mail ou nos comentários.

Deixei passar a oportunidade de atacar f2 em segurança e, quando o fiz, a coisa podia ter dado para o torto...




Na dança das trocas, depois de 14. ... exd3 15. Txd3 Cxf2 16. Cxf2 Dxf2, o Ivo continuou na onda e jogou 17. Dxf2. (bem, na verdade, não foi bem assim: mesmo nas análises, ele optou sempre por variantes que retiravam as Damas do tabuleiro, o que lhe dá mais segurança mas, ao mesmo tempo, diminui as possibilidades de atacar o Rei adversário, pelo que este lance deve ter sido uma jogada reflectida.)
DESAFIO B - Com esta "diz-que-é-uma-espécie-de-dica", consegues arranjar um plano melhor para as brancas que deixe as negras em apuros?


Alguns lances mais tarde, num final complicado de Torres com Bispos de cor contrária e muitos peões, o Ivo optou por um bom plano (ganhar espaço, avançar os peões e protegê-los do Bispo adversário) que só não funcionou porque as negras tinham uma surpresa táctica. Consegues descobri-la?


As brancas acabaram de jogar 28. c3. As negras jogam e ganham vantagem decisiva. Como? (DESAFIO C)



A noite desportiva acabou na zona reservada às análises, onde confirmei que o Ivo tem pinta de xadrezista.


Regressado a casa, ainda houve curiosidade para passar a partida no computador e ver se conhecia mais qualquer coisa sobre o meu adversário.


Ivo Dias, enquanto jogador do Externato Leonardo da Vinci, Braga


Quando, durante a partida, fui ver qual era o seu clube e me deparei com o Núcleo de Xadrez Vale S. Cosme - Didáxis, lembrei-me logo do Mário Oliveira e pensei que se calhar seria melhor aliviar o nó da gravata. É que por aquelas bandas não se brinca.



Suspeitas que confirmei ao chegar a casa. Depois de um estágio de preparação com o Caramez, em Julho, o Ivo terminou o III Torneio Fechado do Vale com apenas 3 derrotas em 9 partidas.



E, apesar de ser sub-10, tem já um curriculum recheado: Vice-Campeão Regional Norte de Xadrez Escolar 2008, Campeão Distrital Escolar na categoria Infantil A (sub-12), vencedor do torneio Sá de Miranda, 1.º sub-10 no V Torneio Sub-20 da Escola João de Meira, entre outros...

Parece-me que o 5.º lugar no Nacional Sub-10 vai ser para melhorar (brevemente)!



Parece-me que qualquer dia deixa de pedir autógrafos (na foto, Catarina Guerra e Costa) e passa a ser ele o requisitado.