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terça-feira, 17 de março de 2009

PDX do Barreiro lança "Fichas de Xadrez", a mais recente obra do MI Sérgio Rocha


O PDX do Barreiro editou um novo livro, intitulado Fichas de Xadrez, da autoria do MI Sérgio Rocha.
Esta obra, pensada para o nível de iniciação, é composta por 30 fichas com exercícios que, tendo o xadrez como tema e pano de fundo, estão relacionadas com a matemática e o português, sendo ideal para o ensino escolar.



Em Portugal existem vários Planos de Desenvolvimento de Xadrez (PDX), fruto da aposta, de várias autarquias e escolas, no desenvolvimento desta modalidade que se sabe ser um importante auxiliar no desenvolvimento de várias capacidades cognitivas do indivíduo, tais como a inteligência, a memória, a atenção ou a análise.

Por isso é natural nos dias de hoje, encontrar a disciplina de xadrez em várias escolas, normalmente integrada em núcleos escolares ou nas actividades extracurriculares.
Sendo uma modalidade em expansão no meio escolar e devido à grande lacuna, para não dizer quase inexistência de manuais em português, entendi que podia dar mais um contributo de forma a complementar o trabalho já desenvolvido anteriormente com os livros
Xadrez Mágico e Xeque-Mate , apresentando este caderno de fichas onde alunos, professores, qualquer outro praticante de xadrez ou simples curioso possa fazer uma avaliação de conhecimentos.

Uma vez que o Xadrez, por ser um JOGO, cativa facilmente os jovens, considero o mesmo uma das soluções para a resolução dos tão falados problemas de concentração e interesse pelo estudo da população escolar.
A selecção de fichas presente neste caderno foi desenvolvida no sentido de aplicar conhecimentos de matemática e português utilizando como tema o xadrez.

Sérgio Rocha


quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Olimpíadas: Ronda 1


Ronda 1 - absoluto: [25] Eslováquia 3,5 - 0,5 Portugal [61]

Mesa 25.
Tabuleiro 1 - GM Lubomir Ftacnik (2571) 0,5 - 0,5 GM Luís Galego (2484) (clica! vale a pena :P)
Tabuleiro 2 - MI Rui Dâmaso (2425) 0 - 1 GM Jan Markos (2557)
Tabuleiro 3 - GM Tomas Petrik (2487) 1 -0 MI Paulo Dias (2406)
Tabuleiro 4 - MI Sérgio Rocha (2417) 0 - 1 MI Peter Vavrak (2478)

Comentário da jornada:
Diz o MI Sérgio Rocha sobre a sua partida (ver): "Quando joguei Cdb5 não vi o sacrifício de dama com dxc3 de imediato, só vi com 1....Dxb2 2.Tb1, dxc3 3.Txb2,cxb2 4.Cc3 com vantagem branca."
Ou seja, aquela troca de peça por dois peões foi um erro de cálculo, e não uma opção premeditada. Continuar com 14. Cxc6 talvez fosse melhor para as brancas. Mas há mais jogos e temos um feeling que o MI Sérgio Rocha vai conseguir fazer óptimas partidas!


Ronda 1 - feminino: [21] Israel 2,5 - 1,5 Portugal [49]

Mesa 21.
1 - MI Masha Klinova (2327) 1/2 - 1/2 MIF Catarina Leite (2153)
2 - MFF Ariana Pintor (2152) 0 - 1 GMF Bella Igla (2254)
3 - MIF Olga Vasiliev (2235) 1 - 0 MFF Ana Baptista (2168)
4 - MFF Margarida Coimbra (2105) 1 - 0 MFF Marsel Efroimski (2052)

Comentário da jornada:
Pelo MI António Vítor, em Viriatovitch: (...) No caso das nossas meninas não foi um resultado negativo contra uma equipa superior, perder pela margem mínima até nem foi nada mau, e até as partidas foram de luta. Força meninas de Portugal. Na Rapaziada depois de analisar rapidamente as partidas, há que louvar o Galego pelo coração enorme que teve durante toda partida para salvar uma final complicado onde desde muito cedo ficou com um peão a menos depois daquilo que me pareceu caiu em preparação caseira na abertura. (...) Vamos lutar, rapaziada! (...) Força, estamos todos a apoiar! (...)

Imprensa - Record




Quem é quem na nossa malta:


Grande Mestre Luís Galego

Jogador do Vale de Cambra (Aveiro). É um dos jogadores mais experientes do país, alcançando muitas vezes bons resultados contra jogadores mais fortes. Já participou em 9 Olimpíadas, 3 Campeonatos da Europa por Equipas e numa edição do Campeonato Mundial Sub-26. Já foi Campeão Nacional várias vezes (de juvenis, juniores, por equipas e absoluto), além de ter vencido alguns torneios importantes (Grande Prémio Nocal, Torneio Internacional de Ílhavo, Torneio Internacional de Macau, Torneio 25 de Abril...) É natural do Porto (1966) e vivemos numa aldeia global, parece que o seu instrutor de condução foi um tio meu :P



Mestre Internacional Rui Dâmaso

É jogador do Barreirense (Setúbal). Considerados por muitos como o mais talentoso jogador português - foi, recentemente, eleito o melhor xadrezista português de todos os tempos em votação promovida pelo blogue Viriatovitch -, tem no curriculum 7 participações em Olimpíadas e 3 em Campeonatos da Europa por Equipas. Foi Campeão Nacional de Juvenis e Júniores, e várias vezes Campeão Nacional Absoluto, em ritmo rápido, semi-rápido e clássico. Venceu em diversas ocasiões a Taça de Portugal e o Torneio de Mestres, sendo de destacar ainda a vitória nos Torneios de São Paulo e Camaguey (Cuba).



Mestre Internacional Paulo Dias

Jogador do G.D. Diana (Évora), nasceu em 1979.

Somos da mesma idade e fizemos o percurso de formação nos mesmos escalões (assisti - e participei, perdendo - às suas vitórias nos nacionais sub-16 (1994) e sub-20 (1998).

Venceu o Torneio de Honra em 1997 e Campeão Distrital de Lisboa em 1999.

Venceu a Preliminar do Absoluto em 2006 (foi Vice-Campeão Nacional) e, o ano passado, venceu a Taça de Portugal e foi Campeão Nacional em ritmo rápido.

No curriculum, conta ainda com 2 participações em Olimpíadas e um participação numa Olimpíada sub-16.



Actualmente, é um dos principais responsáveis pela Revista Portuguesa de Xadrez.




Mestre Internacional Sérgio Rocha

Nasceu em Alhos Vedros em 1972 e começou a jogar xadrez em 1984, com 12 anos, no G.D. da Quimigal, tendo ganho o seu primeiro título nacional em 1987, no campeonato de juvenis. Em 1993, tornou-se Mestre FIDE e conquistou a medalha de bronze no Campeonato Mundial Sub-26.
Em 1995, voltou a subir ao pódio num Campeonato do Mundo, ao conquistar a medalha de prata no mesmo escalão. No ano seguinte sagrou-se Mestre Internacional.
É, desde 2006, Treinador oficial da FIDE. Actualmente é o Director Técnico do Plano de Desenvolvimento de Xadrez do Barreiro, onde vive e joga (Barreirense), e treinador alta competição da Federação Portuguesa de Xadrez, instituição onde também é Formador de Monitores e Treinadores.
Costuma ser convocado para representar a Selecção Nacional, tendo participado em 4 Olimpíadas e 2 Campeonatos da Europa por Equipas, e escreveu os livros Xadrez Mágico, Xeque-Mate, Estratégias e Técnicas de Xadrez (em parceria com o MI e TF António Fróis) e Cadernos de Xadrez - Finais de Peões, que temos seguido nas nossas aulas.


Tem um site pessoal - http://www.sergiorocha.com.




Mestre FIDE Ruben Pereira

Jogador do AA Amadora é a grande novidade desta selecção. Ainda está nos escalões de formação - é sub-18 -, mas já é uma das referências do xadrez nacional. Tem sido Campeão Nacional de Jovens, consecutivamente, de escalão em escalão, desde 2001! Em 2005, além de Campeão Nacional Sub-14 em ritmo clássico, foi também Campeão Distrital de Lisboa Absoluto e Campeão Nacional Sub-14 em ritmo semi-rápido. Em 2007, foi Vice-Campeão Nacional Absoluto e este ano venceu o Torneio de Mestres. Esta é a sua primeira participação numa Olimpíada mas, o ano passado, foi Vice-Campeão Mundial Sub-16, e já participou em vários Campeonatos Europeus de Jovens.


É o suplente (de luxo) da equipa.




Mestre Internacional Joaquim Durão

Joaquim Durão, capitão de equipa, nasceu em 1930, em Lisboa. Aos 11 anos de idade tomou contacto com o xadrez, quando o seu amigo Carlos Pérez lhe mostrou os primeiros movimentos do jogo, durante as suas férias em Tuy, Espanha.
Com 15 anos Joaquim Durão tinha um interesse diferente: o cinema e o cineclubismo. Juntamente com outros jovens promoveu o Clube de Amadores da Arte Cinematográfica, onde conheceu Vasco Granja (ligado ao cinema de animação).
Na tentativa de seguir uma carreira no mundo do cinema, chegou a ser assistente de montagem no filme Vendaval Maravilhoso, de Leitão de Barros, sob chefia do espanhol António Martinez e com participação de Amália Rodrigues.
Durante o convívio com outros nomes ligados ao cinema, António Matos e Afonso Romano, tomou de novo contacto com o xadrez. A partir daí nunca mais deixou de o jogar, conciliando-o com o interesse pelo cinema mas pondo de parte os estudos pré-universiários.
Integrou a Sociedade de Geografia, onde estava instalado o Grupo de Xadrez de Lisboa, e ali se aperfeiçoou no jogo.
Em 1952, com 21 anos, Joaquim Durão era mestre nacional de xadrez. Dois anos mais tarde enquanto ocupava o cargo de chefe da publicidade na Sonoro Filmes, aceitou o convite para participar em três torneios de xadrez realizados em Espanha: Tarragona, Madrid e Málaga. Neste último ficou classificado em 3.º lugar, tendo derrotado o mestre holandês Lodewijk Prins. (fonte: Infopedia)
Foi Presidente da Federação Portuguesa de Xadrez e é o xadrezista com mais títulos de Campeão Nacional conquistados - 13, obtidos entre 1955 e 1973. Participou, enquanto jogador, em 10 Olimpíadas. Foi condecorado pelo Senhor Presidente da República, Jorge Sampaio, com a Ordem do Mérito, grau de comendador, pela sua actividade na prática e desenvolvimento do xadrez.



As meninas:



Mestre Internacional Feminina Catarina Leite

Nasceu em Odivelas, em 1983, e representa o G.D. Diana (Évora). É, até ao momento, a única xadrezista portuguesa com o título de Mestre Internacional Feminino que obteve em 2000, com 17 anos. Foi Campeã Nacional oito vezes consecutivas, entre 1999 e 2006, além de várias vezes nos escalões jovens. Foi Campeã Nacional Absoluta Sub-12 e Sub-14. Ficou em 6.º lugar no Campeonato Nacional Absoluto de 2006, tendo sido a única xadrezista a disputar a fase final desta prova. Participou em 7 Campeonatos Mundiais de Jovens Femininos e em 2 Mundiais Absolutos. Participou no Europeu de Jovens Feminino Sub-12, em 1996, e sénior, em 2007. Foi 4.ª classificada no Torneio de Mestres em 2001. Participou em 3 Olimpíadas e um Europeu Colectivo, sempre como primeiro tabuleiro. Foi chamada à Selecção Nacional Absoluta no amigável Portugal - País Basco, em 2003. A segunda presença esteve programada para os I Jogos Mundiais de Desportos da Mente, neste Verão, mas a equipa nacional acabou por não participar no evento.


Mestre Fide Feminina Ariana Pintor

A nossa colega de clube nasceu no Porto, em 1988, e foi a jogadora nacional que alcançou com menor idade (16 anos) o título de Mestre Fide Feminina. Foi 9 vezes campeã nacional feminina nos escalões jovens e 3 vezes campeã nacional absoluta, também nos escalões de formação. Tem vários títulos distritais femininos e absolutos do Porto, tendo sido Vice-Campeã Distrital Absoluta em 2007. Em 2006, integrou a equipa do GX Porto que foi finalista vencida na Taça de Portugal. Participou em 6 Campeonatos Mundiais Jovens Femininos e num Campeonato Europeu de Jovens Feminino e numa edição do Campeonato de Jovens da União Europeia. Representou a Selecção Nacional Feminina em duas olímpiadas e foi pré-convocada para os I Jogos Mundiais de Desportos da Mente. Em 2006, foi a 1.ª feminina no escalão sub-2300 do Torneio Internacional de Benidorm. Em 2007, venceu o IV AEJ FIDE Open e o XXV Aberto de Cucujães.



Mestre Fide Feminina Ana Baptista

É a actual Campeã Nacional e lidera o ranking feminino. Nasceu em Lisboa, em 1990, e representa o Ginásio Clube de Odivelas. Em 2000, foi a 5.ª classificada no Campeonato Mundial Sub-10. Em 2003, foi Campeã Europeia Sub-14. Foi 7 vezes Campeã Nacional Feminina e 3 vezes Campeã Nacional Absoluta nos escalões jovens. Tem vários títulos distritais femininos e absolutos em Lisboa. Participou em 7 Campeonatos do Mundo Femininos nos escalões de formação e em 2 Campeonatos de Jovens da União Europeia. Integrou a Selecção Nacional em 2 Olimpíadas e ficou em 2.º lugar no Torneio de Honra de 2004.



Mestre Fide Feminina Margarida Coimbra

Nasceu em Lisboa, em 1983, e joga no AM Palma e Arredores. Foi Campeã Nacional Feminina em 2007 e Vice-Campeã em 2002, 2003 e 2005. Nos escalões jovens, venceu o Nacional Feminino por 6 vezes, tendo sido Campeã Nacional Absoluta Sub-12, em 1995, e Vice-Campeã Absoluta Sub-14, três anos depois. Jogou em 6 Mundiais de Jovens Femininos, em Campeonatos Mundiais de Jovens Absolutos e nos Campeonatos Mundiais de Juniores Femininos em 2003. Participou, ainda, em 3 edições dos Campeonatos Europeus de Jovens Femininos. Já jogou em 3 Olimpíadas anteriores.

Tem uma norma para Mestre Internacional Feminina, alcançada o ano passado no Open de Gibraltar.




Maria Armanda Plácido

A capitã e suplente da selecção feminina nasceu em 1951. O ano passado representou Portugal no Campeonato do Mundo de Veteranos, tendo terminado em 22.º lugar, entre 34 participantes, sendo a 25.ª do ranking inicial. É Presidente da Associação de Xadrez de Lisboa, Vice-Presidente da Federação Portuguesa de Xadrez, Chefe da Comitiva na Olimpíada e Representante da FPX no Congresso da FIDE que decorre em simultâneo com a competição.

De acordo com o site da AXP, actualmente encontra-se sem clube. Não consta do site www.xadrezfeminino.com, nem do História do Xadrez de Competição em Portugal. No site da Olimpíada também não é apresentado qualquer currículo desportivo.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

"Cadernos de Xadrez - Finais de Peões"




Cadernos de Xadrez - Finais de Peões é a mais recente obra do Mestre Internacional e Treinador FIDE Sérgio Rocha. Tal como o "Técnicas e Estratégias de Xadrez", este volume tem o apoio do Plano de Desenvolvimento do Xadrez no Barreiro, é editado pelo Clube de Xadrez local, sendo a capa da responsabilidade da CMB. Com este Caderno, o MI Sérgio Rocha volta a assumir em exclusivo a autoria de um livro de xadrez - como já havia sucedido em "Xadrez Mágico" e "Xeque-Mate" -, depois de "Técnicas e Estratégias" ter sido escrito em parceria com o MI e também Treinador FIDE António Fróis.

Este volume é um caderno de exercícios em que, ao longo de cerca de 50 páginas, são apresentadas "90 posições de finais de peões onde o leitor poderá exercitar e melhorar os seus conhecimentos". Para o autor, "os finais são a parte mais importante do jogo de xadrez e também onde se decidem a maior parte das partidas", sendo "uma das características mais importantes deste tipo de posições (...) a actividade e o poder de decisão que os reis podem ter", pelo que "é por aqui que se deve iniciar a aprendizagem séria no xadrez, uma vez que se pode aprender de uma maneira mais eficaz as capacidades e características de cada peça".

Na Introdução do livro, o Treinador Fide Sérgio Rocha defende ainda que "é também importante que os jovens jogadores desenvolvam a capacidade de trabalharem sozinhos", citando Razuvaev (2006) para sublinhar que «não é possível ensinar alguém que não queira aprender».

O autor adverte que "apesar do estudo dos finais ser aparentemente aborrecido, há que ter sempre em mente que conhecer e saber jogar os finais de partida é saber jogar o próprio xadrez". E, como é habitual, a tónica do livro está na radicalidade do jogo, não no sentido de apenas mostrar posições espectaculares - todavia não deixa de haver vários problemas com soluções surpreendentes e aprazíveis -, mas, antes, no sentido de mostrar a raiz do xadrez, os alicerces onde a estratégia, a táctica, a imaginação ou o rigor se movimentam. Exemplo disto, "é a prática e análise da seguinte posição" que o autor considera "um dos estudos e treinos mais importantes do xadrez":


A justificação para o estudo desta posição está na solução 89: "os finais com muitos peões são extremamente complexos e têm largas variantes. Por esse motivo é muito importante para qualquer jogador o treino de rei e oito peões contra rei e oito peões".



Como se disse, este livro é um verdadeiro caderno de exercícios. Consequentemente, fornece posições de treino sem ter a preocupação de expor os elementos fundamentais da teoria do finais de Rei e Peão. No "Estratégias e Tácticas" pode ler-se um pouco sobre a Regra do Quadrado, a Oposição, a Actividade do Rei, o Peão Passado ou a Promoção. Já neste caderno de finais de peões, o leitor encontra 90 posições devidamente introduzidas por um breve comentário que explicita o objectivo do exercício, realçando os temas em foco (onde, além daqueles, se encontram outros como o Afogado, Maiorias de Peões e até mesmo Estruturas de Peões):

- "Será que ter o rei no quadrado do peão adversário e um peão passado afastado é suficiente para alcançar a vitória?" (posição 11);
- "O rei preto ganhou a oposição. Será a derrota inevitável ou o empate é possível? (posição 37);
- "Como podem as brancas resolver o problema do afastamento do seu rei?" (posição 1);
- " Neste tipo de posição há que aproveitar a vantagem do peão passado afastado para tentar concretizar a vantagem" (posição 66);
- "O peão preto de h7 tem o caminho livre até à promoção e desvia a atenção do rei branco" (posição 40);
- "O afogado está iminente em cada jogada" (posição 61);
- "Mais uma posição típica de maiorias em ambas as alas. Como devem ser jogadas estas posições?" (posição 82);
- "Nesta estrutura de peões típica da Variante Dragão, como devem as brancas prosseguir?" (posição 62).

No final do livro encontram-se as soluções das posições, com variantes, e, em alguns casos, com "dicas teóricas" ("nesta posição o rei recua sempre de modo a manter-se na linha do peão" - solução 4; "quando o lado forte tem o peão na 5.ª e o rei na 6.ª ganha independentemente de quem é a jogar" - solução 6) ou explicações descritivas ("e o rei preto dispõe da casa h4 para entrar caso o rei branco tente chegar a f5" - solução 32).

Trata-se, pois, de um livro que privilegia a prática mas que pressupõe a teoria, relembrada pelo autor aqui e ali, apenas nos locais em que considera fundamental. Por este motivo, é uma obra exigente que "pede" o trabalho do leitor. Mas ninguém vai enganado: como se diz na introdução, só se pode ensinar xadrez a quem quer aprender. E este livro pretende ensinar quem estiver na disposição de estudar para aprender.

Por € 6,00, não é (um livro) vendido, é (um seminário) 'bem dado'!


Sobre o autor:

Sérgio Rocha nasceu em Alhos Vedros e começou a jogar xadrez em 1984, com 12 anos, no G.D. da Quimigal, tendo ganho o seu primeiro título nacional em 1987, no campeonato de juvenis. Em 1993, tornou-se Mestre FIDE e conquistou a medalha de bronze no Campeonato Mundial Sub-26.
Em 1995, voltou a subir ao pódio num Campeonato do Mundo, ao conquistar a medalha de prata no mesmo escalão. No ano seguinte sagrou-se Mestre Internacional.
É, desde 2006, Treinador oficial da FIDE. Actualmente é o Director Técnico do Plano de Desenvolvimento de Xadrez do Barreiro, onde vive, e treinador alta competição da Federação Portuguesa de Xadrez, instituição onde também é Formador de Monitores e Treinadores.
Costuma ser convocado para representar a Selecção Nacional, e escreveu os livros Xadrez Mágico, Xeque-Mate, Estratégias e Técnicas de Xadrez (em parceria com o MI e TF António Fróis) e Cadernos de Xadrez - Finais de Peões.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Livro de xadrez em português, por e para portugueses.

Como tem sido abundantemente divulgado (Viriatovitch, 7/10; 16x16, 10/10; AX Benedita e Ala de Rei, 13/10; Casa do Xadrez, 14/10...), está disponível o livro "Estratégias e Técnicas de Xadrez", dos Mestres Internacionais Sérgio Rocha e António Fróis.


A generalidade daquelas fontes indica como principal mérito da obra o facto de ser escrita em português, por reputados treinadores portugueses, a pensar nas fragilidades estruturais do xadrez jovem nacional. Assinala-se também o facto de a obra estar concluída desde Fevereiro de 2007 mas, devido ao pouco entusiasmo das editoras, só agora surgir, à laia de edição de autor, com o apoio do Plano de Desenvolvimento do Xadrez no Barreiro.

Uma obra escrita a pensar na transmissão dos rudimentos do xadrez - que pretende responder a questões do tipo "Como estudar xadrez?" ou "Como e o que devo ensinar?", como os autores assinalam na introdução - funciona como um curriculum, pelo que o facto de ficar um ano e meio na prateleira não faz desaparecer o seu interesse.


E não há dúvida que se trata de uma obra de fôlego, só comparada, na literatura nacional, ao velhinho "Introdução ao Xadrez", do GMC Álvaro Pereira (Editorial Caminho, 1988), pelo qual nutro especial carinho, pois foi o meu primeiro livro de xadrez.

Têm em comum o objectivo de ensinar, de forma sistemática e criteriosa, os elementos essenciais do jogo que permitam ao leitor não ser apenas "um jogador de café", para utilizar a expressão do MI António Fróis. A forma de exposição é também semelhante, pois as matérias estão bem delimitadas e a exposição é concisa, o que facilita a apreensão.

Além de as matérias tratadas por um e por outro serem naturalmente diferentes, pois que reflectem a perspectiva pessoal dos autores, a maior diferença estará no facto de a edição de um ser de uma das mais importantes editoras nacionais e a do outro ser uma edição de autor.

Tal não se nota, contudo, ao nível da paginação, qualidade dos diagramas ou forma de exposição, mas apenas na apresentação mais corrida deste "Estratégias e Tácticas", sem qualquer caixa de destaque na explicação passo a passo das técnicas ou no seu resumo no final da exposição.
E, bem assim, em algumas contradições menores, mesmo irrelevantes, que são habituais nas edições de autor: a mais curiosa é o facto de na primeira página o título ser "Estratégias e Técnicas de Xadrez", invertendo a ordem da capa (o que talvez se deva ao facto de esta ter sido da responsabilidade da CMB e não dos autores); outra, talvez por a obra ter sido elaborada em co-autoria e não haver o revisor da editora, está na apresentação das variantes que ora são apresentadas em parentisis, parentisis recto ou itálico; gralhas, nesta primeira leitura na diagonal, só encontrei uma, no diagrama da p. 14, em que a casa sinalizada não é a correcta (há uma seta que deveria terminar em h4 mas que segue até h5). Coisa pouca, pois.

Todavia, quanto à facilidade de leitura, que é o que interessa, o facto de as variantes estarem assinaladas - de uma maneira ou de outra - e de a variante principal ser sempre apresentada em negrito, além de as linhas do texto estarem espaçadas, permite um acompanhamento fácil da exposição que, com a grande quantidade de diagramas disponíveis, permite muitas vezes a leitura sem ser necessário montar um tabuleiro.
No entanto, um dos conselhos apresentados é o de passar as variantes no tabuleiro e, até, escrever as análises efectuadas, pois os autores defendem que a aprendizagem é tanto mais efectiva quanto forem os sentidos utilizados.




Nas 107 páginas em formato próximo do A5 e papel de boa qualidade com cerca de 80g, Sérgio Rocha e António Fróis "propõem uma viagem por todo o jogo", a pensar em "todos aqueles que querem de facto progredir no xadrez, independentemente da sua faixa etária ou da sua força de jogo".

E esta última parte é especialmente verdadeira, pois se é certo que a obra começa com mates elementares, há exercícios em que jogadores com 1800/1900 pontos de elo, talvez mais, hesitarão na resposta. Felizmente, todos os exercícios são precedidos de uma explicação teórica e as soluções são fornecidas no final, pelo que assim é possível "aferir se está a haver evolução ou mesmo se se adquiriu o conteúdo", uma das preocupações que os autores expressam na introdução.



O livro começa pelos finais, prioridade que é justificada com a experiência profissional, didáctica e internacional dos autores. A partir de alguns temas que explicam - a actividade do Rei, a promoção do Peão e a importância do Plano -, são apresentados alguns finais teóricos (que são contrapostos aos finais práticos), dando os autores indicações sobre o modo de estudar uns e outros.

A "matéria" começa na p. 12, com "Mates Simples". Primeiro, a "técnica de xeque-mate com rei e dama contra rei", que é apresentada passo a passo, modo de exposição que é seguido muitas vezes na obra. Explicitando melhor, este mate é ensinado em 4 passos: 1. Colocar a Dama em "L" ou posição de cavalo com o rei adversário; 2. Forçar a ida do rei adversário até um dos extremos do tabuleiro; 3. Aproximar o nosso rei; 4. Dar xeque-mate. Segue-se um exemplo prático, com os lances devidamente anotados com referência àqueles passos iniciais.

Nestes mates simples, além do "Duas Torres contra Rei", "Torre contra Rei" ou "Dois Bispos contra Rei", há ainda espaço para referir a "técnica de xeque-mate com rei, bispo e cavalo contra rei" e, ainda, a "técnica de xeque-mate com rei e dois cavalos contra rei e peão". Apresentação sintética, é certo, mas, convenhamos, pouco "simples" para a maioria dos xadrezistas. E é isto que distingue este livro: tudo nele é "simples" porque basilar e estruturante. Não se trata aqui da simplicidade do jogador de café, bem pelo contrário, como se disse.



Na p. 18, começa a tratar-se de "Peões e Finais de Peões", pois estes são "a base para jogar finais em geral". Após um breve enquadramento teórico, são apresentadas as primeiras regras - a do quadrado e a da oposição, directa, indirecta e distante. As preocupações didácticas são evidentes, como veremos adiante também nos finais de torre, e nunca é dito que se está a ensinar a oposição directa ou a oposição distante: os autores preferem os exemplos práticos aos nomes e, talvez para não confundir, não dão "os nomes aos bois", passe a expressão. Há ainda espaço para a apresentação de conceitos estruturais como "peão passado", "peão passado protegido" ou "peão distante", acabando o capítulo com uma bateria de mais de 20 exercícios e 2 técnicas de treino que também constam do curriculum da GM Susan Polgar.



Na p. 29, a matéria passa a ser "Finais de Torre". Os autores explicam por que é que estes finais surgem muitas vezes na prática e analisam a "Torre" de uma perspectiva estática, isto é, explicam os seus pontos fortes sem a relacionarem com as restantes peças. Só depois desta introdução é que seguem para a matéria propriamente dita, escolhendo "dois tipos de posições que importa conhecer na luta de torre, rei e peão contra rei e torre": A - Quando o rei do lado fraco não está em frente ao peão; e B - Quando o rei do lado fraco está em frente ao peão. Mais uma vez, segue-se o caminho didáctico, preferindo aquela nomenclatura aos palavrões tradicionais - Posição de Lucena e Posição de Philidor. Mas mais: junto àquela aparente facilidade, vem, quanto à posição de Philidor, além do plano tradicional, dois planos adicionais subsidiários. Está ali muito do que é preciso saber para defender uma posição de Rei e Torre contra Rei, Torre e Peão, o que é efectivamente fundamental, mas está longe da mesa de café: são posições que suscitam dificuldades a jogadores de 1900/2000. Há um ou dois anos perdi uma posição daquelas que, afinal, tinha safa - bastava usar um dos planos subsidiários...

Na p. 37 estão os finais de Bispos, apresentados através da Posição de Centurini, e a seguir vêm os finais de Rei e Dama contra Rei e Peão na 7.ª.



Segue-se "a táctica no xadrez". Na introdução do capítulo explica-se o que é a táctica, qual a diferença entre esta e a estratégia, e os autores respondem à questão "como aprender e estudar táctica?", além de distinguirem táctica de cálculo. São propostos quatro temas tácticos - ataque duplo, descoberto, pregagem e ataque ao rei - e apresentadas 4 dezenas de exercícios. A haver uma melhoria no livro, talvez a fizesse neste capítulo, pois, atentas as finalidades da obra, talvez fosse interessante explicar como é que um xadrezista pode procurar os elementos tácticos.



Na p. 68 inicia-se a parte dedicada à estratégia. São duas partidas amplamente comentadas, uma sobre o tema "ataque das minorias" e outra sobre a luta das peças menores, no caso "cavalo bom contra bispo mau".

A parte final do volume - e fim do passeio pelo jogo - é dedicada às aberturas. Também aqui há uma introdução teórica onde se abordam os tipos de aberturas (abertas, semi-abertas, fechadas, semi-fechadas e irregulares) e se alerta para a importância da compreensão dos princípios, mais que a memorização das variantes, abordando os autores o "desenvolvimento", a "ocupação do centro" e a "segurança do nosso rei". Por fim, através da análise de partidas, são explicadas a cilada da Defesa Steinitz da Abertura Espanhola e apresentados os "labirintos da Italiana", especialmente após 4. 0-0.

As últimas páginas do livro contêm as soluções de todos os exercícios.



Trata-se realmente de um trabalho abrangente, muito técnico, que apesar de suceder ao "Xadrez Mágico" e ao "Xeque-Mate" só tem a ver com estes quanto à seriedade da selecção das matérias e às preocupações didácticas. "Técnicas e Estratégias de Xadrez" não é um livro de iniciação, adequando-se antes aos níveis de introdução e aperfeiçoamento. Como diz António Fróis, "é um livro para quem sabe movimentar as peças"... tenha aprendido a fazê-lo há 6 meses ou há 6 anos, tenha 1300 ou 1900 de elo.

A obra contém ainda uma pequena biografia de cada um dos autores e está prefaciada por Joaquim Durão, Mestre Internacional, e António Bravo, na qualidade de Professor de Matemática do Instituto Superior Técnico.

Para quem gosta de fazer contas à vida, creio que este livro vale mais que os €8,00 do preço de capa. Em suma, é barato pagar cerca de € 0,07 por cada uma das 107 páginas.