Alguns dados para discussão:
Não é fácil analisar com rigor a evolução dos jogadores, uma vez que as listas de elo não funcionam e, mesmo que estivessem a sair com a regularidade esperada, não se jogaram torneios suficientes para que os dados fossem consistentes.
De qualquer modo, aqui fica a diferença entre o elo inicial e a performance obtida na Fase Preliminar deste ano:
Jogador: Elo Inicial - Performance Final = Diferença de pontos
André: 1296 - 2277 = + 981
Nuno: 1387 - 1840 = + 453
Tiago: 1200 (administrativo) - 1749 = + 549
Rui: 1417 - 1725 = + 308
Ricardo: 1296 - 1725 = + 429Por outro lado, também não é fácil fazer a comparação dos resultados obtidos, pois o leque de adversários é alterado todas as épocas: com escalões etários de dois em dois anos e jogadores com apenas dois distritais na bagagem, as comparações seriam sempre entre duas amostras diferentes - os adversários da primeira época não são os mesmos da segunda.
Ainda assim, aqui fica a comparação entre o lugar no ranking da lista inicial e a classificação final:

E, também, a lista dos resultados dos Distritais, misturando a classificação da fase de qualificação e a final, quando o jogador se apurou:
Jogador: 2006/2007; 2007/2008; 2008/2009
André: 1.º (final sub-8); 2.º (final sub-8); 1.º (apuramento sub-10)
Nuno: 15.º (apuramento s12); 4.º (final s12); 2.º (apuramento s14)
Tiago: - ; 16.º (apuramento s12); 3.º (apuramento s14)
Rui: - ; 4.º (apuramento s14); 5.º (apuramento s14)
Ricardo: 5.º (final s12); 5,º (apuramento s12); 6.º (apuramento s14)Os resultados obtidos foram positivos.
Todos os jogadores tiveram uma performance bastante acima do seu elo inicial.
Apenas um terminou abaixo do seu ranking inicial, devido a uma derrota na última ronda.
Ao longo do tempo, os jogadores que já costumavam terminar nas primeiras posições continuam a fazê-lo, enquanto que os menos experientes conseguiram acompanhar os mais fortes e estão agora ao nível destes. A turma conseguiu integrar estes atletas e apresenta-se homogénea, o que já tinha sido visível na participação na Taça AXP.
Todavia, os resultados parecem estar a estabilizar. Os jogadores (Ricardo, Rui) já terminam nos primeiros lugares mas, tirando o André (também ao nível Nacional) e o Nuno (apurou-se esta época e na anterior para a fase final do Distrital), ainda não jogam para o primeiro lugar. O Tiago, apesar de tudo, ainda tem muitas poucas partidas lentas jogadas (talvez menos de 20).
Parece haver dois motivos principais para esta estabilização:
1) Falta de experiência e ritmo competitivo
Esta prova foi a primeira em ritmo clássico que os elementos da turma jogaram esta época, a nível individual. As exigências de um torneio com sessões diárias, às vezes bidiárias, é muito diferente daquelas com que se defrontaram na Taça AXP, prova colectiva, com ritmo semanal e possibilidade de descanso superior a uma semana.
2) Esquema de apuramento do Distrital
A fórmula adoptada pela AXP para o Distrital de Jovens impunha, já se sabia, a eliminação de vários jogadores com possibilidade de lutar pelo título logo na fase de apuramento.
Ao apurar apenas 2 atletas, ficou desde logo impossibilitada a participação de todos os elementos da turma na fase final da prova. Ainda assim, os resultados foram muito meritórios e, embora não tenha acontecido desta vez, graças à excelente prova do Rui Cardoso, todos os lugares de apuramento podem ser preenchidos pela nossa turma:
Classificação Final do Apuramento dos Sub-14:1.º Rui Cardoso (Espinho) - 6 pontos
2.º Nuno (GXP) - 53.º Tiago (GXP) - 4,54.º João Castro (Vila D'Este) - 4,5
5.º Rui (GXP) - 46.º Ricardo (GXP) - 47.º José Pintor (Alfenense) - 4
8.º António Marinho (Gaia) - 3
9.º Pedro Dias (Gaia) - 3
...
15.º Cristiana Ribeiro (Amial-Regado) - 3
...
inscreveram-se 24 jogadores.
Os 4 elementos da turma ficaram nos 6 primeiros lugares. O Nuno apurou-se e o Tiago será o seu suplente e o do Rui Cardoso.
Um caminho a equacionar, é o de tomar um "atalho": jogar muitos torneios clássicos durante o ano, garantir a entrada no ranking internacional e, assim, conseguir o apuramento directo.
Não há dois torneios iguais, é certo, mas estou confiante que o nível actual dos elementos da turma é suficiente para, qualquer um deles, terminar em primeiro em qualquer prova do seu escalão.
Aliás, o Rui já venceu os sub-14 num prova de semi-rápidas esta época.
Duas notas finais que têm a ver com a prova e não com a turma:
1) Subscrevo
a "ideia" do GoodChess: permita-se o acesso do público às salas de jogo. Estas provas também devem ser didácticas neste aspecto, para jogadores e público.
2) Apesar de, à luz da promoção da modalidade, ser compreensível o apuramento da melhor feminina para a fase final, o esquema parece contraproducente: a existência de uma fase preliminar visa garantir uma fase final muito disputada que serve de preparação para os Campeonatos Nacionais.
Todavia, nenhuma das três meninas que jogaram os sub-14 tem, objectivamente, força de jogo para aquela fase final: a apurada, por inerência, terminou no 15.º posto, com 3 pontos, sendo que 2 foram alcançados por falta de comparência. Aliás, durante a prova perdeu com a 2.ª feminina na terceira ronda. Esta fez dois pontos: além desta vitória, fez um ponto com o bye.
A questão das quotas coloca-se normalmente por uma questão de igualdade: há que dar tratamento igual a situações iguais, e distinto a situações diferentes. Todavia, as situações que geram a desigualdade - que se pretende ver resolvida através desta discriminação positiva - resultam normalmente de questões subjectivas relacionadas com o acesso a um direito: é o caso, por exemplo, das quotas partidárias - como o legislador entendeu que as mulheres têm maior dificuldade no acesso à vida política (uma vez que, tradicionalmente, assumem maiores responsabilidades na vida familiar), criou a lei da paridade.
Ora, aqui a situação é diferente.
Não se trata de uma situação de desigualdade no acesso à fase final do distrital, pois os critérios estão definidos e são iguais para todos os participantes. As raparigas jogam, como os rapazes, a fase de apuramento. Mas, no entanto, apuram-se de maneira diferente.
E estando no campo do "mérito", como alguns gostam de colocar a questão, o preenchimento dos critérios previamente definidos seria bastante para concretizar o dito princípio da igualdade. (a situação actual até parece violá-lo)
Como, aliás, se nota nos concursos de acesso ao ensino superior, à magistratura ou à carreira diplomática, em que, perante circunstâncias iguais, as senhoras costumam ter maior percentagem de sucesso.
Também não é por acaso que as situações de compadrio nunca foram designadas por "jobs for the girls" nem nunca se ouviu falar de "old girls networks"...

Creio que as raparigas e os rapazes têm abordagens diferentes ao jogo. E
concordo com a GM Susan Polgar, que também advoga a necessidade do "xadrez feminino", seja para premiar, seja para evitar o isolamento, há várias boas razões.
Todavia, no caso, a inerência da melhor feminina (que vai jogar a fase final do distrital absoluto com o título feminino já assegurado) será até contra-producente: para os restantes jogadores apurados, o jogo não será estimulante; para ela, não será agradável acabar a prova com 5 batatas.
Pelo menos a experiência que, no ano passado, tivemos com uma jogadora em idênticas circunstâncias, não foi a melhor.
Só jogadores experientes e com método de trabalho conseguem tirar proveito de serem o saco de pancada. Para os restantes é desmotivador.