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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Pérolas de Wijk aan Zee




Retirado deste artigo da Chess Vibes sobre os "Factos e Figuras" do torneio Corus que hoje começa, aqui ficam duas partidas a que têm chamado as "Pérolas de Wijk aan Zee", por serem das mais emblemáticas de entre as milhares que se jogaram neste fortíssimo torneio que decorre anualmente desde 1938!

Preparem-se para ficar de boca aberta e soltar uns "Xiiiii!"s, uns "Bolas!" ou outras expressões mais adequadas...

A primeira aquece ao lance 24, a segunda... também!


terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Kasparov, xadrezista e activista pelos direitos humanos.


Aproveitando o video disponibilizado pelo Viriatovitch Chess, volto a Kasparov, uma personalidade que não deixa ninguém indiferente.





De outro filme trata a notícia de hoje do jornal britânico


O filme de Kasparov: do xadrez para a política
Na estreia de um filme sobre a batalha de Garry Kasparov para a presidência da Rússia, o campeão contou a Geoffrey Macnab por que é que ela terminou afogada.

A primeira vez que vi Garry Kasparov em carne e osso foi numa tarde de Outono, em 1993, durante o match para o Campeonato do Mundo, contra o candidato inglês, Nigel Short, que teve lugar no Teatro Savoy, em Londres.



A ocasião teve um momento caricato. Depois de os jogadores fazerem os primeiros lances da abertura, ambos desapareceram para os camarins e o público ficou a olhar para um palco vazio com um tabuleiro de xadrez, durante um período que pareceu anormalmente longo. Claro que Kasparov venceu Short, ele que ainda hoje é considerado um dos mais fortes xadrezistas de sempre. Lembro-me do seu ar absorto quando olhava para o público enquanto a audiência se divertia, de forma contida, com as piadas que os comentadores nos transmitiam para os phones.

Era difícil não me lembrar desse palco vazio no mês passado, em Amesterdão. Kasparov estava na cidade para ver o filme In the Holy Fire of Revolution [No Fogo Sagrado da Revolução], de Masha Novikova, no IDFA - International Documentary Film Festival Amesterdam, uma obra sobre a tentativa falhada do xadrezista se apresentar às eleições presidenciais russas do ano passado.
Tratou-se de uma experiência arrasadora. Kasparov era o candidato da Outra Rússia, uma coligação de partidos da oposição a Vladimir Putin, e foi importunado em todas as fases do processo. No filme podemos ver grupos de jovens ultra-nacionalistas a caricaturar Kasparov de papagaio estado-unidense. Esses grupos seguiam-no para todo o lado. As suas acções de campanha foram interrompidas. Foi-lhe negado o acesso aos meios de comunicação social. A certa altura, foi detido pela polícia e passou cinco dias na prisão. Antigos amigos abandonam-o ("Muita gente esqueceu que eu existia. Agora sei exactamente qual o valor da amizade", diz Kasparov). Ironicamente, uma das poucas pessoas que o tentou visitar na prisão foi o antigo arqui-inimigo do circuito xadrezístico, Anatoly Karpov. Testemunhámos a rapidez com que a campanha de Kasparov colapsou.



O "The Holy Fire of Revolution" é a versão russa, mais apagada, do "The War Room", o documentário sobre a campanha de Bill Clinton para a presidência dos EUA, em 1992. No entanto, enquanto Clinton tinha uma máquina eleitoral muito bem oleada, com estrategas e comunicadores que contornavam os escandalos utilizando os media para o favorecer, a campanha de Kasparov pareceu condenada quase desde o início. As câmaras filmaram acções de campanha que foram sabotadas pelas forças de segurança. Vê-se os funcionários do Governo que controlam o staff de Kasparov, que parecem seguranças de discotecas, a falar da sua lealdade e afeição por ele. Os apoiantes partilham estórias chocantes sobre as formas como foram intimidados e ameaçados.

O filme é a gravação de uma campanha política que nunca foi autorizada a passar da primeira mudança. Não há um final épico que Novikova pudesse colocar no seu material. Afinal, Kasparov acabou por ser obrigado a desistir da sua caminhada presidencial.

"Duvido que ele apareça", avançou um dos organizadores do Festival, na véspera da data combinada para a chegada de Kasparov a Amesterdão. Mas Kasparov acabou por conseguir comparecer. Para o xadrezista, estar no Ocidente é claramente um alívio. Por um dia ou dois consegue escapar das atenções das organizações juvenis que apoiam o regime de Putin. "Eles tornam-lhe a vida impossível", diz-me Novikova, acrescentando que até o filho de Kasparov precisa de ser acompanhado por guarda-costas quando vai para a escola. O próprio Kasparov está sob vigilância 24 horas por dia, e os seus telefones estão sobre escuta. A sua imagem pública está a ser alvo de um ataque de propaganda que visa desacreditá-lo.



A coragem de Kasparov é inegável, mesmo que se questione se ele será tão competente na política como é no tabuleiro. Numa altura em que os jornalistas russos são intimidados e assassinados, Kasparov tomou a iniciativa de denunciar o regime de Putin, sendo consistente na sua mensagem ao denunciar a falta de empenho dos países do Ocidente no combate às violações dos direitos humanos na Rússia. Kasparov é cristalino nos seus ataques aos oligarcas que acusa de abafar a economia, enquanto espera que a crise económica actual possa acordar os seus compatriotas e terminar com a sua apatia, duvidando que Putin e o Presidente Dimitry Medvedev gozem efectivamente de apoio popular.
Como o filme torna claro, Kasparov está a pagar um preço elevado pela sua campanha contra o Kremlin. Anda sempre acompanhado por guarda-costas e há um receio real de que possa sofrer o mesmo destino que Anna Politskovaya ou Paul Klebnikov, jornalistas que foram assassinados.

As características que fazem um excelente xadrezista não são claramente as mesmas que fazem um político de sucesso. A intensidade cerebral que conduziu Kasparov no tabuleiro ainda é evidente, mas parece faltar-lhe a flexibilidade e o charme necessário a um político.

Quando Kasparov chega finalmente a Amesterdão, teve o mesmo comportamento que demonstrava nos seus torneios de xadrez. Activo e articulado, falou em ritmo acelarado, como se o relógio estivesse a contar. "O que se vê no documentário é, infelizmente, o quotidiano daqueles que se opõem à ditadura na Rússia... é um material bastante educativo para aqueles que ainda acreditam que a Rússia de Putin pertence ao arco dos países democráticos. Infelizmente, já estamos no campeonato do Irão, de Cuba, da Bielorússia e outros que tais", foi a sua declaração inicial.



Kasparov acredita que 85% da população russa sofre devido ao regime de Putin. Apesar de o campeão falar sobre si mesmo, ao estilo de Júlio César, na terceira pessoa, ele também insiste que a sua carreira política não é conduzida pelo egoísmo. "Não é sobre mim, Garry Kasparov, pessoalmente", declarou. "A Rússia é um Estado autoritário. É muito rígido. A censura está cada vez mais dura... como se se tratasse da União Soviética, o regime KGB combate o espelho. Se não gostam dos factos, os factos têm que desaparecer. Não gostam do que Garry Kasparov diz ou faz, pelo que ele não existe na televisão estatal russa".

Kasparov diz que não tem ilusões sobre os problemas que teria que enfrentar quando se lançou na sua carreira política. Em alguns casos, as suas ambições políticas são bastante modestas. Não quer o poder. Como ele diz, "não estamos a tentar vencer as eleições, estamos a tentar ter eleições". Para haver verdadeiros candidatos da oposição nos boletins de voto e para que eles possam fazer campanha em liberdade é o primeiro objectivo - e nesta altura, mesmo isto, é um sonho. "No xadrez, como na política normal, é uma questão de ganhar ou perder. O que estou a fazer não tem nada a ver com ganhar ou perder. É um imperativo moral - lutar pela democracia e pelos direitos humanos!"

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Há procura de lembranças para uma festa de Natal?




Aqui ficam duas sugestões:


A Vida Imita o Xadrez, de Garry Kasparov (editora Gestão Plus)


Já está disponível a versão portuguesa do "How Life Imitates Chess" - site oficial aqui.

Nesta obra, Kasparov parte das lições que, durante a sua carreira enquanto xadrezista profissional, aprendeu no tabuleiro, para enunciar os princípios fundamentais dos pontos-chave de um bom processo de decisão: como avaliar oportunidades, antecipar o futuro e desenhar estratégias vitoriosas.

De uma forma viva e original, Kasparov apresenta as bases da estratégia, da avaliação, do desenvolvimento de um estilo pessoal e da utilização da memória, da intuição, da imaginação e, até, da fantasia.

Levando os leitores até aos grandes matches da sua carreira, incluindo os duelos lendários contra o GM Karpov e o super-computador da IBM Deep Blue, Kasparov também se socorre de outras experiências pessoais e exemplos retirados da vida política, literária, desportiva e militar. Independentemente da situação e do adversário, Kasparov ensina os leitores a combinar a capacidade bruta da análise com o instinto que um xadrezista - ou um empresário - de sucesso utiliza contra o seu oponente.

Com franqueza, discernimento e, por vezes, com humor, Kasparov olha para as suas vitórias e para os seus erros, na perspectiva quer do xadrezista da elite mundial, quer na do líder político da Coligação Outra Rússia.

Combinando a visão estratégica com as memórias pessoais de Kasparov,
A Vida Imita o Xadrez é uma breve vislumbre da mente de um dos maiores e mais inovadores pensadores da actualidade.

Preço: € 16,00


Para uma leitura mais soft,

Não Compreendo as Mulheres, de Ivar Corceiro (editora Ulisseia)


Ivar Corceiro já esteve aqui no blogue, em Agosto, devido às composições sobre xadrez, como a que se encontra no início deste post, que publica de vez em quando no seu blogue Não Compreendo as Mulheres.

Na altura escrevi que "foi a partir destes cartoons escaquísticos que me tornei leitor do não compreendo as mulheres, o blogue do Ivar Corceiro, uma espécie de homem do renascimento do século XXI: mais que cartoonista, ele é DJ/VJ residente no "melhor bar do mundo", onde, em parceria com a DJ Moa Bird, actua o Couscous Projeckt; é cronista, e "todas as sextas (ou quase) [são publicadas] as Crónicas da Cidade que Sopra, no Diário de Aveiro"; faz fotografia, performances, desenhos digitais e alguns dos seus filmes passam em festivais - outros, às vezes, por falta de orçamento, viraram contos - e publicou o livro Numa Avenida de Merda; De resto, é bloquista, parece porreiro, anda na casa dos 30, é divorciado, pai babado e não compreende as mulheres..."

Como já devem ter adivinhado, alguns dos posts do blogue deram origem ao livro.
Podem lá dar um saltinho e, se gostarem, podem comprar o livro: como algum software, "what you see is what you get"!

Preço: € 12,00
Locais de Venda.