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terça-feira, 17 de março de 2009

A importância de uma política de comunicação na divulgação de uma modalidade.




As razões de Reinaldo Ventura
Por Carlos Flórido, O Jogo

O actual melhor marcador do hóquei em patins português diz-nos hoje algumas verdades, e nem vou pelas lesões do seu FC Porto ou pela dificuldade do grupo que superou na Liga Europeia, mas por outro facto igualmente comprovável em números: a sua modalidade perde em exposição mediática face a outras que possuem semelhante ou até inferior número de adeptos. Mas o problema do hóquei, e sabendo-se que em Portugal só o futebol assegura vendas de jornais ou audiências televisivas que rentabilizam os investimentos jornalísticos, é não fazer muito para justificar mais espaço. A informação que a própria modalidade fornece é escassa se comparada com as suas "concorrentes" e, mais grave, os jogos são agendados segundo interesses muito próprios de cada clube e contra todas as regras de quem pretende vê-los publicitados. Fica só um exemplo: no passado sábado, e tendo FC Porto e Oliveirense jogos decisivos nas competições europeias, também se iniciou o play-off do Nacional, "competindo" no mesmo espaço; já os "europeus" jogam amanhã para o campeonato... a horas impróprias.


No xadrez, a pobreza é franciscana, embora com uma ou outra excepção. Por exemplo, quanto ao Europeu, acredito que alguém tenha feito uns comunicados de imprensa, pois as notícias do portal SCN são das melhores que tenho visto sobre xadrez. Ou isso os jornalistas daquele portal são xadrezistas ou trabalham a sério, ao contrário da maioria, que reproduz as notas da Lusa...

Basta ver, por exemplo, a forma como são tratados os campeonatos nacionais da 2.ª e da 3.ª Divisão. A FPX já nem sequer divulga os resultados dos encontros!! Para não falar no alinhamento das equipas e no resultado dos jogadores em cada partida.

Na primeira jornada, ainda tivemos direito aos resultados dos clubes. Mas a partir daí, apenas à classificação, apesar de o ficheiro se continuar a chamar, por exemplo, "resultados_serie_a_2div_ronda3.pdf" e estar arquivado na secção "Resultados" da página dos campeonatos. No rodapé de cada documento ainda se diz que You find all details of this tournament on http://chess-results.com, mas é só para enganar...

Isto para não ir mais longe, pois o site da FPX, e mesmo o daqueles campeonatos, não são propriamente um modelo quanto à facilidade de consulta. Para preparar uma peça um jornalista precisaria, à vontade, de uma manhã, só para perceber quais os resultados das equipas na última jornada...
Se o objectivo fosse o Europeu, então é que não haveria mesmo nada a fazer. O Campeão Nacional está a representar a FPX e esta nada teve a dizer durante toda a competição...

Quanta diferença quando comparados com um "mísero" campeonato distrital...
(Ver site distrital: acompanhamento jornada a jornada; dados estatísticos, resultados e classificações; ver site internacional)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Balanço dos Distritais de Jovens - evolução dos jogadores


Alguns dados para discussão:

Não é fácil analisar com rigor a evolução dos jogadores, uma vez que as listas de elo não funcionam e, mesmo que estivessem a sair com a regularidade esperada, não se jogaram torneios suficientes para que os dados fossem consistentes.

De qualquer modo, aqui fica a diferença entre o elo inicial e a performance obtida na Fase Preliminar deste ano:



Jogador: Elo Inicial - Performance Final = Diferença de pontos

André: 1296 - 2277 = + 981
Nuno: 1387 - 1840 = + 453
Tiago: 1200 (administrativo) - 1749 = + 549
Rui: 1417 - 1725 = + 308
Ricardo: 1296 - 1725 = + 429



Por outro lado, também não é fácil fazer a comparação dos resultados obtidos, pois o leque de adversários é alterado todas as épocas: com escalões etários de dois em dois anos e jogadores com apenas dois distritais na bagagem, as comparações seriam sempre entre duas amostras diferentes - os adversários da primeira época não são os mesmos da segunda.

Ainda assim, aqui fica a comparação entre o lugar no ranking da lista inicial e a classificação final:




E, também, a lista dos resultados dos Distritais, misturando a classificação da fase de qualificação e a final, quando o jogador se apurou:



Jogador: 2006/2007; 2007/2008; 2008/2009

André: 1.º (final sub-8); 2.º (final sub-8); 1.º (apuramento sub-10)
Nuno: 15.º (apuramento s12); 4.º (final s12); 2.º (apuramento s14)
Tiago: - ; 16.º (apuramento s12); 3.º (apuramento s14)
Rui: - ; 4.º (apuramento s14); 5.º (apuramento s14)
Ricardo: 5.º (final s12); 5,º (apuramento s12); 6.º (apuramento s14)



Os resultados obtidos foram positivos.
Todos os jogadores tiveram uma performance bastante acima do seu elo inicial.
Apenas um terminou abaixo do seu ranking inicial, devido a uma derrota na última ronda.
Ao longo do tempo, os jogadores que já costumavam terminar nas primeiras posições continuam a fazê-lo, enquanto que os menos experientes conseguiram acompanhar os mais fortes e estão agora ao nível destes. A turma conseguiu integrar estes atletas e apresenta-se homogénea, o que já tinha sido visível na participação na Taça AXP.

Todavia, os resultados parecem estar a estabilizar. Os jogadores (Ricardo, Rui) já terminam nos primeiros lugares mas, tirando o André (também ao nível Nacional) e o Nuno (apurou-se esta época e na anterior para a fase final do Distrital), ainda não jogam para o primeiro lugar. O Tiago, apesar de tudo, ainda tem muitas poucas partidas lentas jogadas (talvez menos de 20).

Parece haver dois motivos principais para esta estabilização:

1) Falta de experiência e ritmo competitivo

Esta prova foi a primeira em ritmo clássico que os elementos da turma jogaram esta época, a nível individual. As exigências de um torneio com sessões diárias, às vezes bidiárias, é muito diferente daquelas com que se defrontaram na Taça AXP, prova colectiva, com ritmo semanal e possibilidade de descanso superior a uma semana.

2) Esquema de apuramento do Distrital

A fórmula adoptada pela AXP para o Distrital de Jovens impunha, já se sabia, a eliminação de vários jogadores com possibilidade de lutar pelo título logo na fase de apuramento.

Ao apurar apenas 2 atletas, ficou desde logo impossibilitada a participação de todos os elementos da turma na fase final da prova. Ainda assim, os resultados foram muito meritórios e, embora não tenha acontecido desta vez, graças à excelente prova do Rui Cardoso, todos os lugares de apuramento podem ser preenchidos pela nossa turma:

Classificação Final do Apuramento dos Sub-14:

1.º Rui Cardoso (Espinho) - 6 pontos
2.º Nuno (GXP) - 5
3.º Tiago (GXP) - 4,5
4.º João Castro (Vila D'Este) - 4,5
5.º Rui (GXP) - 4
6.º Ricardo (GXP) - 4
7.º José Pintor (Alfenense) - 4
8.º António Marinho (Gaia) - 3
9.º Pedro Dias (Gaia) - 3
...
15.º Cristiana Ribeiro (Amial-Regado) - 3
...
inscreveram-se 24 jogadores.

Os 4 elementos da turma ficaram nos 6 primeiros lugares.
O Nuno apurou-se e o Tiago será o seu suplente e o do Rui Cardoso.


Um caminho a equacionar, é o de tomar um "atalho": jogar muitos torneios clássicos durante o ano, garantir a entrada no ranking internacional e, assim, conseguir o apuramento directo.
Não há dois torneios iguais, é certo, mas estou confiante que o nível actual dos elementos da turma é suficiente para, qualquer um deles, terminar em primeiro em qualquer prova do seu escalão.
Aliás, o Rui já venceu os sub-14 num prova de semi-rápidas esta época.


Duas notas finais que têm a ver com a prova e não com a turma:

1) Subscrevo a "ideia" do GoodChess: permita-se o acesso do público às salas de jogo. Estas provas também devem ser didácticas neste aspecto, para jogadores e público.

2) Apesar de, à luz da promoção da modalidade, ser compreensível o apuramento da melhor feminina para a fase final, o esquema parece contraproducente: a existência de uma fase preliminar visa garantir uma fase final muito disputada que serve de preparação para os Campeonatos Nacionais.
Todavia, nenhuma das três meninas que jogaram os sub-14 tem, objectivamente, força de jogo para aquela fase final: a apurada, por inerência, terminou no 15.º posto, com 3 pontos, sendo que 2 foram alcançados por falta de comparência. Aliás, durante a prova perdeu com a 2.ª feminina na terceira ronda. Esta fez dois pontos: além desta vitória, fez um ponto com o bye.

A questão das quotas coloca-se normalmente por uma questão de igualdade: há que dar tratamento igual a situações iguais, e distinto a situações diferentes. Todavia, as situações que geram a desigualdade - que se pretende ver resolvida através desta discriminação positiva - resultam normalmente de questões subjectivas relacionadas com o acesso a um direito: é o caso, por exemplo, das quotas partidárias - como o legislador entendeu que as mulheres têm maior dificuldade no acesso à vida política (uma vez que, tradicionalmente, assumem maiores responsabilidades na vida familiar), criou a lei da paridade.
Ora, aqui a situação é diferente.
Não se trata de uma situação de desigualdade no acesso à fase final do distrital, pois os critérios estão definidos e são iguais para todos os participantes. As raparigas jogam, como os rapazes, a fase de apuramento. Mas, no entanto, apuram-se de maneira diferente.
E estando no campo do "mérito", como alguns gostam de colocar a questão, o preenchimento dos critérios previamente definidos seria bastante para concretizar o dito princípio da igualdade. (a situação actual até parece violá-lo)
Como, aliás, se nota nos concursos de acesso ao ensino superior, à magistratura ou à carreira diplomática, em que, perante circunstâncias iguais, as senhoras costumam ter maior percentagem de sucesso.
Também não é por acaso que as situações de compadrio nunca foram designadas por "jobs for the girls" nem nunca se ouviu falar de "old girls networks"...



Creio que as raparigas e os rapazes têm abordagens diferentes ao jogo. E concordo com a GM Susan Polgar, que também advoga a necessidade do "xadrez feminino", seja para premiar, seja para evitar o isolamento, há várias boas razões.
Todavia, no caso, a inerência da melhor feminina (que vai jogar a fase final do distrital absoluto com o título feminino já assegurado) será até contra-producente: para os restantes jogadores apurados, o jogo não será estimulante; para ela, não será agradável acabar a prova com 5 batatas.
Pelo menos a experiência que, no ano passado, tivemos com uma jogadora em idênticas circunstâncias, não foi a melhor.

Só jogadores experientes e com método de trabalho conseguem tirar proveito de serem o saco de pancada. Para os restantes é desmotivador.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Brasil: Deputados propõem a criação do programa "Xadrez na Escola"



Segundo o portal Conexão Tocantins, no Estado de Tocantins, O deputado José Geraldo (PTB) apresentou, na manhã desta terça-feira, dia 9, um projeto de lei que propõe a criação do programa “Xadrez na escola: formando mentes que pensam”. O autor da matéria esclarece que o projeto visa promover um jogo que “é utilizado na educação, porque auxilia no desenvolvimento de algumas características do pensamento cognitivo como abstração, memorização, raciocínio lógico, dedução e indução”.

A proposta estabelece que as Diretorias Regionais de Ensino (DREs) da Secretaria de Educação apóiem as escolas da rede estadual com material, cursos de formação para educadores e torneios interescolares. Os professores envolvidos serão remunerados com o pagamento das horas-aula trabalhadas.



Segundo José Geraldo, o “xadrez na escola” é um projeto defendido por educadores, professores, psicólogos. “Nossa intenção é abrir um espaço para a prática desse jogo deixando que a vontade de melhorar o desempenho do raciocínio possa contagiar professores e alunos”, argumenta o deputado.



Também no Estado de S. Paulo foi apresentado um projecto de lei semelhante, baseado, de acordo com o site da Prefeitura de Apiaí, numa proposta da professora Janice Corrêa Prestes, idealizadora do “Xadrez na Escola: Formando Mentes que Pensam”, projeto inspirado em uma ação que a EE “Profª. Antonia Baptista Calazans Luz” desenvolve desde 2003 “Batalha do Conhecimento – Prazer em Aprender” e posteriormente estendido para as unidades Cemae e Escola Municipal “Honorina de Albuquerque”.

(...)
[Neste caso, o projecto foi da autoria de Carlos Giannazi], professor formado em pedagogia e história, diretor de escola municipal, professor universitário, ativista de movimentos sociais (...)".

(...)



Numa visita à escola CEMAE, o deputado pôde conhecer o trabalho dos alunos Mestres Multiplicadores Voluntários do jogo de xadrez, projeto que poderá ter sua regulamentação a nível de governo como disciplina em todas as escolas públicas do Estado – o Projeto de Lei nº. 627 de 2008, de autoria de Giannazi tramita pela Assembléia Legislativa.

Este Projeto de Lei foi, entretanto, alvo de parecer favorável no passado dia 19, e pode ser consultado na caixa de comentários.


Ainda está nas formalidades constantes da página 1, de 4, deste fluxograma do "processo legislativo do projeto de lei ordinária", mas se a política de lá for como a de cá, será chumbado: o proponente é do Partido Socialismo e Liberdade cuja bancada é constituída por 2 elementos... sendo que a Assembleia é composta por 94.

Em todo o caso, honra lhe seja feita, que está a tentar levar a bom porto uma medida que gostaria de ver por cá.
E, por isso, aqui fica:


De acordo com a Wikipedia, o Partido Socialismo e Liberdade surgiu em 2004, resultante de dissidências do Partido dos Trabalhadores e do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, "e acolheu diversas tendências que haviam discordado de políticas do PT que tinham por conservadoras (muito especialmente a partir da Reforma da Previdência dos servidores públicos realizada no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva).

Ganhou projecção em 2005, após o "escandâlo do mensalão" e "abriga diversas correntes de esquerda, algumas delas trotskistas e eurocomunistas", tendo, aparentemente, uma organização à Bloco de Esquerda, já que "O PSOL constitui-se como uma partido de tendências, abrigando diversas correntes internas como, por exemplo, a Ação Popular Socialista (considerada por alguns políticos e criticos internacionais como de extrema-esquerda), o Enlace Socialista, as dissidências do PSTU Corrente Socialista dos Trabalhadores, o Movimento Esquerda Socialista, o coletivo Revolutas, o Poder Popular, o Coletivo Socialismo e Liberdade e a corrente Socialismo Revolucionário".


E do site pessoal do deputado estadual professor Carlos Giannazi, onde impera o slogan "Um professor em defesa da educação":
Professor formado em Pedagogia e História, com mestrado em História e Filosofia da Educação pela Universidade de São Paulo (USP), e eleito para exercer o seu primeiro mandato parlamentar em 2000 — como vereador da cidade de São Paulo (reeleito em 2004) —, Carlos Giannazi foi eleito deputado estadual em 2006 pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e entrou na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo lastreado por um longo histórico de lutas em prol da melhoria da Educação. Essas reivindicações estão baseadas firmemente na sua experiência e atuação como diretor de escola municipal, professor universitário, ativista de movimentos sociais e, principalmente, defensor da abertura de novas vagas nas escolas públicas, da gratuidade e da qualidade de ensino para todos.

Logo em seu primeiro ano de atividade parlamentar (ainda pelo PT), Giannazi presidiu uma das mais polêmicas Comissões Parlamentares de Inquérito da Câmara Municipal: a CPI da Educação, tendo sido esta a primeira (e única) a pedir a suspensão dos direitos políticos dos ex-prefeitos Paulo Maluf e Celso Pitta (e de seis ex-secretários de suas administrações) por não terem investido a verba da Educação prevista em lei.

(parece estar relacionado com o incumprimento do Orçamento Participativo que se começa a falar agora por cá - no site tem um vídeo sobre esta Comissão).

A Comissão Parlamentar de Inquérito denunciou ainda, à época, um desvio de R$ 1,6 bilhão referente ao não cumprimento do orçamento da pasta da Educação nestas duas gestões e averiguou, também, sérios indícios de superfaturamento nas reformas e construção de escolas da rede municipal de ensino. Foi também a primeira CPI a investigar e denunciar as ‘escolas de latinha’, que apresentavam condições inapropriadas para o desenvolvimento do processo de ensino e de aprendizagem.
Carlos Giannazi sempre esteve ao lado da comunidade escolar, combatendo duramente o descaso das administrações com as áreas social e educacional, principalmente nas gestões Maluf e Pitta. Foi nessa época que ele organizou o movimento que processou, por improbidade administrativa, o ex-secretário municipal da Educação Sólon Borges dos Reis pela compra superfaturada (e sem licitação) de fitas cassetes com os hinos pátrios.
O então vereador também encaminhou vários projetos de lei, como o que limita o número de alunos por sala de aula (aprovado na Câmara mas vetado pelo executivo), o que institui transporte gratuito para alunos matriculados em escolas distantes de suas casas e o que implementa o conceito de "Escola Cidadã" (...) que permite, por meio de financiamento público, a abertura e o funcionamento das escolas municipais de ensino para que funcionem como órgãos fomentadores de atividades esportivas, de lazer e culturais nos finais de semana.


Uma última referência à sala de aula Chico Buarque de Hollanda, montada num edifício devoluto, que pode ser que venha a ter xadrez brevemente, seja o Projecto aprovado:



"Na sua carreira de diretor de escola municipal, ele desmoralizou e mostrou as contradições políticas e demagógicas da política educacional do governo Fernando Henrique Cardoso (1995/2002), que em seus dois mandatos como presidente da República pouco investiu em educação pública. Na assertiva de demonstrar a burocracia e a distância entre o discurso e a prática, Giannazi, como diretor de escola, matriculou mais de 600 crianças na escola em que atuava atendendo ao ‘apelo’ público de FHC ao lançar a campanha nacional “Toda criança na Escola”. Como não havia mais vaga disponível em sua escola, ele exigiu, da União, a anexação a EMEF Miguel Vieira Ferreira de um imóvel do INSS, que encontrava-se desativado, localizado ao lado da unidade escolar. Depois de muita mobilização popular o governo federal viu-se forçado a entregar o prédio à comunidade e a iniciativa do professor fez com que centenas de crianças da região de Cidade Dutra, bairro onde se encontra a escola até hoje, tivessem o direito a uma vaga para estudar."

Entretanto, voltando ao site da Prefeitura de Apiaí, aquela visita de que se fala no início do post terminou com uma conferência na Escola Municipal “Honorina de Albuquerque”, Bairro Alto da Tenda, (...) numa mesa composta pelo diretor da Rádio da Cidade, Valter Luiz Araújo, delegado de polícia Valmir Oliveira Barbosa, presidente do Psol local Fábio Fagundes, ex-prefeito Dr. Luiz Alencar, vereador eleito Geraldo Cássio Borges, deputado Carlos Giannazi, prefeito eleito Dr. Emilson Couras da Silva e vice-prefeito eleito Dr, Raul Alencar, a diretora da EE “Profª. Antonia Baptista Calazans Luz”, professora Sueli Martins, deu boas vindas aos presentes.
Diante de um grande público formado por alunos, servidores da educação e convidados, (...) Todos os integrantes da mesa fizeram pronunciamentos em defesa da Educação e parabenizaram a professora Janice pela idealização do Projeto Xadrez que poderá levar o nome de Apiaí à grande destaque estadual, nacional e até internacionalmente
.

Este blogue não é grande veículo nem a proposta é tão boa como a sua aprovação, mas, para já, Apiaí e o Projecto "Xadrez na Escola: Formando Mentes que Pensam", já marcam presença deste lado do oceano.

Xadrez em todas as escolas...
Que deputado terá perfil para ser o José Geraldo ou o Carlos Giannazi português?


quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A fazer lembrar a APMX... [aditada adenda]


Olímpicos contra Vicente Moura: "Não se tem portado à altura"


Os atletas estão contra a continuidade de Vicente Moura à frente do Comité Olímpico de Portugal (COP) e, nesse sentido, não vão apoiar a sua recandidatura. A posição foi manifestada esta quarta-feira, no Estádio Nacional, numa conferência de imprensa que reuniu alguns dos melhores classificados nos Jogos de Pequim e o próprio medalha de ouro no Triplo Salto.

«O presidente do COP não se tem portado à altura dos atletas. Fomos abandonados quando mais precisávamos de apoio. Gostaríamos que o movimento associativo ouvisse os atletas e encontrasse alternativas. Gostávamos de uma mudança», defendeu Nuno Fernandes, presidente da Comissão de Atletas Olímpicos, ladeado por Nelson Évora, Gustavo Lima (Vela), Simão Morgado (Natação), Joaquim Videira (Esgrima), Nuno Pombo (Tiro com Arco) e Paulo Bernardo (Disco).


Dirigentes da Comissão de Atletas Olímpicos recebidos em S. Bento no início do ano.


Perante jornalistas e atletas - na assistência estavam, também, Marco Fortes (Martelo), a dupla Álvaro Marinho/Miguel Nunes (Vela), Arnaldo Abrantes (Atletismo) e Tiago Venâncio (Natação), entre outros -, Nuno Fernandes lamentou o facto de a Federação Portuguesa de Atletismo ser a «única» a ter «a coragem pública de denunciar algumas situações e de pedir uma reflexão» sobre o momento. «Isso entristece-nos», acrescentou.

Uma das consequências da recondução de Vicente Moura no cargo será a demissão de Nuno Fernandes. «Ao contrário do que aconteceu com o comandante, será a minha saída da Comissão de Atletas Olímpicos. Se sou o líder e tomo uma posição contra não tem cabimento continuar [caso Vicente Moura seja reeleito]», defendeu o antigo atleta do F.C. Porto (Salto com Vara).

«Seria bom que o movimento associativo encontrasse alternativas e não optasse pelo caminho mais fácil», perspectivou.


Noutra notícia do mesmo jornal,
«Se os atletas estão contra, por que é que as federações apoiam a recandidatura?», questiona Gustavo Lima



Gustavo Lima, quarto classificado nos Jogos de Pequim, admitiu que o relacionamento com a «actual» Direcção da Federação Portuguesa de Vela não é dos «melhores», contudo, não compreende como é possível os atletas e as associações que os representam estarem em desacordo e deixou uma pergunta.

«Se estamos contra o presidente do COP, por que é que as federações apoiam a sua recandidatura?», questionou.




Intervenções e questões que fazem lembrar a posição da Associação Portuguesa de Mestres de Xadrez sobre as convocatórias para as Olimpíadas de Dresden.

A resposta é que parece simples: porque, como naquela brincadeira de crianças em que a frase segredada no início da fila chega completamente desvirtuada ao final, os interesses dos atletas vão sendo alterados à medida que se sobem os degraus - clube, associação, federação... - da pirâmide da administração desportiva.

Adenda

Olímpicas xadrezistas em discurso directo retirado do Xadrezismo:

(...) Ariana abordou o aspecto mais melindroso desta participação Olimpica: ”Por um lado, foi bom podermos jogar as 4 em simultâneo (o que não aconteceu nas outras olimpíadas), porque mantivemos a nossa homogeneidade enquanto equipa, o que outros países não conseguiram. Nós saímos de Portugal já sabendo que íamos jogar os 11 jogos, e tinhamos acordado neste aspecto com a Armanda Plácido, nossa capitã de equipa e 5ª jogadora. Apesar do meu problema de saúde, eu fiz os possíveis para continuar em prova porque sabia que era o melhor para a equipa, e que a nossa capitã não teria disponibilidade para jogar nos últimos dias. Não se pôs a questão de eu descansar alguma sessão simplesmente porque sabíamos que era o melhor para a equipa continuarmos a jogar as 4, e eu já sabia quando saí de Portugal que iria para Dresden jogar as 11 jornadas.

Nunca pensei vir a ter de desistir de um jogo, infelizmente, isso aconteceu porque me senti mal, talvez por o jogo ter sido logo de manhã. Como foi na última sessão, não houve a questão do que fazer "a seguir", mas provavelmente não iria poder continuar a jogar nas mesmas condições.

No entanto, nada disto invalida o facto de o facto de jogarmos apenas as 4 ter tido influência nos nossos resultados. Se tivessemos uma suplente à altura os nossos resultados teriam sido obviamente melhores, porque poderiamos ter descansado nas rondas em que defrontámos adversárias mais acessíveis, ou, no meu caso, poderia ter descansado assim que me comecei a sentir pior. É de lamentar que tenha existido um lugar vago pago pela organização e a FPX não ter enviado ninguém a esse lugar...

Agora, nas condições em que nos encontrávamos e que, apesar de discordarmos, tinhamos aceite, com a Maria Armanda como 5ª jogadora, a substituição de uma de nós iria ter influência negativa na equipa pois a Maria Armanda não se encontrava em Dresden para jogar nem teria força de jogo para defrontar a maioria das adversárias que enfrentámos. Na minha opinião esta seria uma influência negativa maior do que aquela provocada por eu não me encontrar nas melhores condições de saúde.”

A esta critica, junta-se a voz da 1ª tabuleiro Portuguesa: Catarina é peremptória ao afirmar: “desde a Olimpíada de 2000, a selecção feminina não teve qualquer apoio!” e depois, com a mesma frontalidade revelada por Ariana, continuou: “foi pena que tudo se tenha decidido muito em cima da hora de início da Olimpíada. Em Outubro, pedi uma reunião à Federação, mas não tive resposta. Quase na altura de partirmos, a Maria Armanda informou por e-mail que apenas seria capitã de equipa, não estando disponível para jogar qualquer partida, a não ser que algo de transcendente acontecesse. Mas em minha opinião o problema de fundo é a inexistência de uma 5ª jogadora com força de jogo equivalente ao de nós as quatro e para isso é que a FPX devia olhar, proporcionando condições reais de evolução às restantes jogadoras
(...)

domingo, 23 de novembro de 2008

Ana Baptista alcança dupla norma para Mestre Internacional Feminina

Nos últimos dias, as Olimpíadas não têm tido aqui grande destaque, uma vez que há vários sites a fazer excelentes coberturas.

No entanto, esta informação publicada no site da Associação de Xadrez do Porto não tem tido muita divulgação, de maneira que aqui fica:

Está de parabéns a campeã nacional WFM ANA BAPTISTA que, no 3º tabuleiro da selecção feminina portuguesa, alcança, com a vitória de hoje [9.ª jornada, dia 22, contra a República Dominicana], os pontos necessários para norma para WIM, que vale por duas nesta Olimpíada. Restar-lhe-á alcançar mais uma norma e a fasquia dos 2200 pontos de Elo para obter esse título da FIDE.



Mestre Fide Feminina Ana Baptista

É a actual Campeã Nacional e lidera o ranking feminino. Nasceu em Lisboa, em 1990, e representa o Ginásio Clube de Odivelas. Em 2000, foi a 5.ª classificada no Campeonato Mundial Sub-10. Em 2003, foi Campeã Europeia Sub-14. Foi 7 vezes Campeã Nacional Feminina e 3 vezes Campeã Nacional Absoluta nos escalões jovens. Tem vários títulos distritais femininos e absolutos em Lisboa. Participou em 7 Campeonatos do Mundo Femininos nos escalões de formação e em 2 Campeonatos de Jovens da União Europeia. Integrou a Selecção Nacional em 2 Olimpíadas e ficou em 2.º lugar no Torneio de Honra de 2004.

E para a conhecer um pouco, aqui fica a entrevista que deu ao 16x16:
A curiosidade pelo xadrez levou-a a entrar na modalidade. Gostou e de torneio em torneio a jovem Ana Baptista nunca mais parou. Hoje é campeã nacional feminina e detentora de um palmarés inusitado, no país e além-fronteiras.
Não pretende ser profissional de xadrez, mas confessa que gostaria de alcançar o título de grande-mestre feminina.
E o xadrez em Portugal? Como está? O que deveria ser feito?
Entre outras observações afirma, em entrevista ao 16x16, que deveria haver mais crianças a aprender xadrez na escola, sendo certo - na sua opinião - que a gestão da política de apoios à modalidade não é a melhor.

O que a despertou para a prática do xadrez?
Na escola primária que frequentei havia aulas de xadrez dadas pelo Luís Reynolds. Tive curiosidade em saber o que era o xadrez e fui lá. Gostei do jogo e continuei a ir e comecei a entrar em torneios...

Não é habitual, na sua idade, ter um palmarés invejável como o seu…
Na minha idade, em Portugal não e habitual, à excepção do Ruben Pereira que tem um palmarés bem mais invejável que o meu. Mas noutros países em que o xadrez é mais apoiado e visto de uma maneira mais séria é bastante comum.

Sagrar-se campeã nacional feminina é apenas mais um título ganho ou é a confirmação de uma atleta para o futuro em termos internacionais?
Penso que ter ganho o último campeonato nacional feminino apenas confirma que naquele torneio eu era a que estava a jogar melhor, era a que estava em melhor forma.

Quais os objectivos máximos que espera atingir como jogadora de xadrez?
O que espero do xadrez, uma vez que não tenciono ser xadrezista profissional, é continuar a jogar porque é uma coisa que me dá imenso prazer e esforçar-me sempre ao máximo em cada partida e ir aprendendo sempre mais e jogando melhor. Um dos objectivos que gostava de alcançar é o título de grande mestre feminina.

Imagine-se hoje a Ana Baptista sem o xadrez… Como se sentiria?
O xadrez é muito importante para mim. É algo de que gosto muito de fazer e não me quero imaginar no futuro sem jogar xadrez. Apesar de não tencionar ser jogadora profissional, como já referi, quero continuar a praticar e/ou a ensinar ao longo da minha vida.

Tem sentido apoio da família no seu percurso de xadrezista?
Sim, desde o início. Tanto dos meus pais como dos meus avós.

Quais os momentos mais marcantes na sua carreira?
Os momentos que mais me marcaram no meu percurso xadrezístico foram os empates em simultâneas com o Topalov e, principalmente, com a Judith Polgar porque é a jogadora que mais admiro, além do 5º lugar no mundial de sub-10 feminino, o 1º lugar no campeonato da união europeia de sub-14 feminino, a vitória no campeonato nacional feminino e o 3º lugar que obtive agora em Montenegro no europeu de sub-18 feminino de semi-rápidas.

Qual a importância da participação em competições internacionais na melhoria da sua «performance» como jogadora?
As provas internacionais permitem-me defrontar jogadores de nível bem superior ao meu e como as que costumo jogar são os europeus ou mundiais ou campeonatos da União Europeia de jovens em que vou pela Federação Portuguesa de Xadrez, pelo menos naquele tempo em que decorre a prova tenho treinos e posso preparar as partidas com mestres, o que me permite aprender sempre imenso.

Pensou alguma vez integrar a selecção nacional feminina? Esse é o primeiro objectivo de qualquer jogador?
Não sei se é o primeiro objectivo... O meu, por exemplo, foi ganhar ao meu pai. Mas penso que qualquer jogador ambiciona um dia representar o seu país e lembro-me que um dos meus primeiros objectivos era esse mesmo e fiquei bastante feliz quando em 2004 o pude fazer nas Olimpíadas de Palma de Maiorca.

Qual a vitória que lhe deixa melhores recordações?
A vitória que me deixou melhores recordações foi frente à xadrezista chinesa que venceu o mundial de sub-10 feminino no ano em que fiquei em 5º lugar.

Que leitura faz da evolução do xadrez em Portugal?
O xadrez em Portugal ainda está muito atrasado. Não há grande tradição de xadrez em Portugal, como há, por exemplo, no futebol. Já há algumas escolas onde se ensina xadrez mas é necessário que haja mais crianças a aprender xadrez na escola, mais clubes, mais apoios e a criação de escolas de xadrez. Hoje em dia, o xadrez assenta na internet, nas competições oficiais e menos nos clubes.

O quadro competitivo no país está bem delineado?
Na minha opinião, o quadro competitivo não está bem delineado e a prova disso é a confusão que está gerada em torno das selecções. Os critérios são maus e mal pensados. O facto dos campeonatos de jovens terem jornadas duplas é mais um argumento.

Como vê a política de apoios ao xadrez português?
Para além de haver poucos apoios, a sua gestão não é a melhor.

Os planos de desenvolvimento da modalidade estão bem estruturados?
O plano de xadrez de Lisboa que, na minha opinião até estava bem estruturado, acabou. Os outros desconheço.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

RJFD para "um dia destes"


O Regime Jurídico das Federações Desportivas será homologado brevemente, de acordo com o Secretario de Estado da Juventude e Desporto, embora Laurentino Dias tenha prevenido que o diploma "não pode ser aprovado de ânimo leve".

"Um dia destes. Trata-se de um documento trabalhoso e tem merecido uma reflexão da nossa parte. É um diploma muito importante que não pode ser aprovado de ânimo leve", disse Laurentino Dias que falava durante a inauguração oficial da Unidade de Medicina Desportiva e Controlo de Treino no Centro Desportivo do Jamor.

O Regime Jurídico das Federações Desportivas tem sido muito criticado sobretudo pelas associações distritais de futebol, que contestam a nova redistribuição de votos em assembleia-geral, já que perdem o peso maioritário nas reuniões magnas.

Nessa matéria o governo sempre insistiu que não abdicaria dos princípios de "democraticidade, representatividade e transparência" na proposta de diploma sobre o Regime Jurídico das Federações Desportivas. "Tem merecido uma reflexão muito séria da nossa parte e ainda sofreu a partilha de opiniões com um conjunto de entidades da área desportiva", sublinhou o responsável.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

"Avessos à norma"

Por Maria José Carvalho, em Colectividade Desportiva

É sobre basquete, mas podia não ser...

A posição de uns:




Grande parte da conflitualidade social e da litigância judicial existente na nossa sociedade decorre dos hábitos de muitos portugueses na persistência pelo incumprimento da norma, pelo desrespeito pelos outros e pelos acordos livremente celebrados.
Infringir ou postergar as normas legal ou socialmente instituídas faz parte da cultura de desleixo, do “espertismo saloio” e da incompetência de muitos para alcançarem os seus objectivos com o menor esforço possível e desprezando o mínimo ético para vivermos bem connosco e com os que nos rodeiam.
É frequente assistirmos à complacência e até ao aplauso daqueles que, tanto no sector público como no sector privado, actuam na inobservância dos procedimentos legais e administrativos, saindo a maior parte das vezes incólumes dos erros, incorrecções e ilegalidades que cometem. Os recentes exemplos de muitos autarcas ou dirigentes da banca são mais do que evidentes para o que acabo de referir.

Ora, no sector desportivo, como não podia deixar de ser, já que o desporto é apenas um espelho fidedigno dos malsãs e das benignidades da nossa sociedade, a norma, em muitas situações, em vez de ajudar, atrapalha, em vez de organizar, complexiza, em vez de nortear, confunde. Que tolice a minha, dirão alguns ou algumas leitores/as.
Não será tanto assim, se
(...) nos inquietarmos com o esquecimento das regras instituídas em diversos estatutos e regulamentos das entidades desportivas; (...) Enfim, não pararia de enunciar desassossegos e constatações do mundo real que evidenciam o desrespeito e a aversão à norma.

(...)

Despachos, Portarias, Estatutos, Regulamentos, Contratos, Leis … que maçada … quando se cria o hábito de cada um se reger pela norma que mais jeito lhe dá!!




A posição de outros (em comentário ao post citado):

(...) Em economia dão-nos outra ideia da desconformidade entre a norma e o comportamento do individuo.
A razão é que o indivíduo ao procurar maximizar o seu interesse individual interpreta a norma gerando alternativas ao prescrito o que sendo seguido por outros cidadãos demonstra que a norma necessita de melhorias.
Caso exista apenas uma pessoa a não respeitar a norma certamente que não haverá necessidade de a alterar.

Os cidadãos não agem com objectivos de desleixo, espertismo saloio e incompetência.
Nem os individuos que fazem as normas sociais e nos clubes e federações estão isentos de cometer erros.


(...)

Este é o aspecto fundamental.
Usar as leis para garantir aumentar o produto social e o interesse dos cidadãos.
Este é o ponto que devemos discutir, o seu significado e o que devemos fazer para o alcançar.

Os técnicos de direito no desporto português tratam os restantes agentes como ineptos, saloios, etc, incapazes de compreender o que os juristas para eles legislam com desvelo e carinho.

Se há sector que no desporto português não se pode queixar é o direito.
As legislaturas ocupam-se a fazer leis que não ajudam o desporto e os agentes desportivos, Pequim os problemas do futebol e dos basquetebol e os orçamentos demonstram-no, e são juristas que ocupam o topo da hierarquia política do desporto português.

Os juristas e o seu trabalho são uma praga para o desporto português moderno.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O dia de amanhã das convocatórias para as selecções nacionais



Desde há vários meses que muito se tem escrito sobre as convocatórias para as selecções nacionais que disputarão as Olímpiadas de Dresden, no próximo mês.



A controvérsia surgiu primeiro na selecção feminina, logo em Julho, em que a não convocatória de Bianca Jeremias originou uma exposição da própria à FPX e um abaixo-assinado das participantes no Campeonato Nacional Feminino, tendo a discussão circulado por email, chegado à LusoXadrez e à blogosfera.

Fiquei com a ideia de que, neste caso, no momento em que a convocatória foi realizada, a Bianca Jeremias reunia as condições para ser a última xadrezista convocada para a prova, como cheguei a escrever aqui.



Agora a questão coloca-se em relação à selecção masculina. O GM António Fernandes, não convocado, entende que a aplicação dos Critérios definidos pela FPX para a convocação dos xadrezistas que devem representar a selecção nacional lhe garantem um lugar na equipa, por inerência, uma vez que é o actual Campeão Nacional Absoluto.

O GM António Fernandes apresentou uma contestação, que divulgou publicamente, com a qual pretendia alterar a convocatória existente, por forma a fazer parte da equipa. Muito se escreveu, nem sempre bem: em resposta a uma solicitação da AXP, alinhavei algumas ideias sobre a questão - que foram depois divulgadas numa nota daquela Associação - que não estão correctas (desde logo, numa das hipóteses equacionei uma incompetência absoluta - que geraria a nulidade da convocatória - quando, na verdade, quando muito existiria incompetência relativa - que gera mera anulabilidade).



De qualquer modo, creio que não valerá a pena esmiuçar a questão da (in)validade da convocatória, uma vez que a solução será sempre a mesma: não havendo qualquer nulidade, os eventuais vícios que gerariam a anulabilidade da convocatória (incompetência relativa da Direcção da FPX para a prática do acto convocatório; violação do regulamento que determina os critérios de convocação para as selecções nacionais) não poderiam ser arguidos nesta altura, pois o GM António Fernandes teria que ter apresentado a sua reclamação no prazo de 15 dias a contar do momento em que teve conhecimento da convocatória.

Parece, assim, que nada há a fazer quanto à produção de efeitos da convocatória existente, pois, uma vez que a FPX já informou, mais do que uma vez, que não a alterará (a não ser em caso de impedimento dos jogadores convocados). Mas se o recurso à justiça desportiva e ao tribunal administrativo não é procedimental e processualmente possível (a não ser que fosse alegada uma nulidade, eventualmente seguindo o caminho traçado pelo Prof. Freitas do Amaral no parecer relativo à crise do Conselho Jurisdicional da Fed. Portuguesa de Futebol, relato em livro recentemente publicado; mas, mesmo aí, sempre se teria que ver se se trata, ou não, de questão "estritamente desportiva", já que a discussão destas não é admissível em tribunal), tal não significa que a questão não deva ser discutida.

E tal discussão, mais do que efectuada pelos simpatizantes da modalidade - que naturalmente desejam que a sua equipa vá a jogo com a melhor formação possível -, a troca de impressões mais relevante terá que ser efectuada pelos sócios da FPX, na Assembleia Geral desta.



São várias as questões que todos gostariamos de ver dilucidadas, nomeadamente as seguintes:

- Certo que a inscrição da selecção teria que ser efectuada até Julho para a comitiva beneficiar do alojamento e da alimentação. Mas a indicação dos jogadores não terminou apenas em 12 de Setembro? E tal não era do conhecimento público deste Junho? ("For the first time, federations have to nominate their candidates until the fixed date of 12 September 2008")

- Independentemente da validade da convocatória, tendo a selecção nacional sido inscrita em Julho para garantir o alojamento e a alimentação gratuita, uma vez que os prazo para a apresentação da equipa só terminou em Setembro, por que é que o GM António Fernandes não foi integrado na comitiva? É que, antes de terminar o prazo de apresentação das equipas, o GM António Fernandes sagrou-se Campeão Nacional Absoluto - o que, de acordo com os regulamentos aplicáveis, lhe garante um lugar na selecção, por inerência.

- De outro modo: Por que é que a FPX não alterou a constituição da sua equipa, para nela incluir aquele que é, neste momento, o melhor português graduado na última lista de elo da FIDE, quando este reunia as condições para integrar a selecção, o prazo para apresentação da equipa não tinha terminado - nos termos do Boletim 2 - e o alojamento e as refeições estavam garantidos para uma comitiva de X elementos, sendo naturalmente irrelevante se estes elementos seriam os senhores A, B, C ou os senhores 1, 2, 3?

- De forma lapidar, a questão é colocada à FPX pelo GM Luís Galego, primeiro tabuleiro da selecção, durante muito tempo o melhor jogador português no ranking internacional (e com ganas de voltar a ser :P): "(...)não sei se haveria algum prémio para a primeira equipa a ser inscrita nas olímpiadas, mas se não ganhamos devemos estar na luta... e era sobre isto que eu queria dar a minha opinião. Qualquer selecção tem que participar com os melhores jogadores e deixar o campeão nacional e agora creio o melhor elo Fide (espero que por pouco tempo heh) acho um absurdo, sobretudo porque com estes 2 resultados estes jogadores preencheriam os requisitos necessários para fazerem parte da equipa e isto é que é importante! Conclusão estes dois jogadores conseguiram realizar os resultados dentro do prazo estabelecido pela Fide e em que nós decidimos ser mais papistas do que o Papa. Não sei o que se poderá fazer a não ser tentarem tudo para a inclusão destes jogadores na equipa, a ver se começamos a fazer as coisas bem para bem do xadrez...".

- Qual foi o destino dado à exposição apresentada pela Bianca Jeremias?



Os simpatizantes da modalidade podem discutir estes e outros assuntos nos clubes e na internet, podem participar em votações e emitir as suas opiniões. Alguns até podem expor a questão a entidades supra-federativas e à comunicação social. Mas, em última análise, o local onde se podem produzir os melhores resultados é na própria FPX. E, aí, continuando a Direcção a defender a sua convocatória e a exclusão de jogadores que deveriam representar o País, compete aos sócios, na Assembleia Geral, discutir a questão e deliberar sobre a bondade de tal opção para o xadrez nacional. Da moção de confiança à destituição dos órgãos sociais, passando pela alteração dos princípios orientadores da política da FPX, as hipóteses são variadas.

A minha dúvida é a de sempre: por que é que as soluções constantes das regras de convocatória aprovadas pela FPX não foram por esta concretizadas? O GM António Fernandes e a Bianca Jeremias tinham direito a representar o país, isso parece seguro. Todavia, o mais provável é ficarem em terra porque os princípios dos regulamentos não foram observados. Que responsabilidades e que consequências vão exigir as Associções Distritais na Assembleia Geral da FPX, sendo que o GM António Fernandes as informou do que se passava e solicitou aos órgãos competentes que este ponto conste da próxima Ordem de Trabalhos?

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Xadrez e Poker

Por GM Oleg Korneev. Descoberto por António Caramez em Ajedrez en Madrid.



GM Oleg Korneev, jogador da AX Gaia


Acabei de ler a página de poker cuja publicidade se encontra no canto superior direito do site www.ajedreznd.com e estou impressionado com os resultados da última semana: o vencedor de um torneio internacional em Castellon ganhou € 28.000,00, o 3.º classificado do Internacional de Milão € 40.000,00, o 33.º do Torneio de Barcelona € 17.000.
Calma, meus senhores! Torneios de poker, não de xadrez!

Na mesma altura, 45 titulados – Grandes Mestres e Mestres Internacionais – estão a competir no Open Sants, durante 10 dias, por € 10.000,00 de prémios… no total! Um torneio em que participam mais de 500 jogadores!! Um torneio de xadrez – um jogo de enorme difusão pública, um reputado rei entre os jogos sociais e, ao mesmo tempo, incomparavelmente mais profundo, mais útil para o desenvolvimento pessoal e mais próximo da vida real que o poker!!!

O que é isto, meus senhores? SOCORRO!! Como caímos tão baixo??

E não me digam que no poker se tem que pagar inscrições e que num torneio de xadrez um Grande Mestre tem tudo pago. Trata-se de um argumento absurdo e primitivo! Um Grande Mestre, que tem a estadia paga no Open Sants, tem que se alimentar durante 10 dias (pelo menos € 200,00) e pagar o avião (uns € 300,00). Ou seja, gasta € 500,00. Este valor não é comparável com a inscrição num torneio de poker? Com a única diferença que num torneio de poker um profissional trabalha 2-3 dias, enquanto que no xadrez 10.

Talvez seja altura de esquecer a cortesia e começar a perguntar quem são os responsáveis por esta situação (do xadrez em geral, não apenas de Sants).

Suponho que não sejam os Grandes Mestres quem não está a lutar pela dignidade. Suponho que não seja o jornalista do “El Pais” que publicou uma peça excelente, baseada na realidade. Também não creio que os culpados sejam os simpatizantes da modalidade. Sim, é verdade que alguns escrevem coisas pouco inteligentes nos fóruns e respeitam muito pouco os grandes jogadores. Mas a maioria não tem poder de decisão quanto à parte económica do xadrez e as suas opiniões não são mais do que um reflexo do tratamento indigno que os grandes jogadores recebem nos torneios.

Penso que os principais responsáveis, os pais desta situação de desespero, miséria e vergonha que reina no xadrez profissional são os funcionários do xadrez, os organizadores, as pessoas que mostraram a sua indignação nos fóruns depois de lerem a pura, mas muito pouco agradável, verdade do xadrez actual, publicada em 2005 por um fiável jornalista do “El Pais”!

Mais um editorial do site AjedrezND e nova propaganda à miséria no xadrez. Abram os olhos, por favor! € 200.000,00 para 30 torneios não é coisa que nos deva orgulhar! Bem pelo contrário! Se fossem € 200.000,00 para 5 torneios, seria o primeiro a aplaudir. Mas € 200.000,00 para 30 torneios é uma miséria. Se alguém duvida, que compare este prize money com o dos torneios de poker, um jogo muito mais primitivo e primário que o xadrez!

Senhores organizadores, senhores funcionários das federações de xadrez, já chega desta PROFANAÇÃO DESENFREADA do xadrez!

Em vez de procurarem investir o mínimo em prémios para atrair o maior número de participantes, comecem, por favor, a pensar em como se pode dignificar o nosso maravilhoso, mas gravemente atacado pela miséria, jogo-ciência!

Cumprimentos a todos os amantes do Xadrez,
Oleg Korneev

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Vida e Desporto

Nadar para fora e contra a corrente
José Manuel Constantino (ex-presidente do IDP), in Colectividade Desportiva, 10 de Julho de 2008

Declaração prévia: o que se está passar com o futebol e respectivos órgãos dirigentes é suficientemente grave para merecer a censura e reprovação públicas. O governo tem a obrigação de avaliar a natureza das ocorrências e adoptar os procedimentos previstos no ordenamento jurídico de modo a salvaguardar os interesses e as competências públicas delegadas na FPF. Dito isto é preciso nadar para fora. Para fora do futebol e para fora do desporto. E contra a corrente. Para não cair no ”meiinho” para onde a hierarquização mediático/social nos quer empurrar.

Nestes tempos conturbados do futebol luso ocorre-me com frequência o velho princípio de que o desporto é um reflexo da sociedade. Escrevi intencionalmente desporto porque o que se passa com o futebol só é diferente na escala, na dimensão e na visibilidade. Tudo o resto se pode passar em outras modalidades. Basta que deixem de ter pouco de desporto e façam o “up-grade”: muito de “produto”, ”negócio“, ”espectáculo”, ”indústria” e vocábulos equivalentes. E que passem a ter um escrutínio e interesse públicos como tem o futebol.

Dito isto vale a pena acrescentar algo mais: o que se passa com o futebol em nada é substancialmente diferente, a não ser para os distraídos, do que por aí anda no resto do país. Se fosse possível fazer um ranking da “gravidade dos factos” o futebol perderia. E dou por mim não a defender o futebol, mas a criticar aqueles que não querem olhar para o país para além do futebol. É que os dirigentes do futebol não são nem mais sérios, nem mais incompetentes que os seus homólogos de outros sectores da sociedade. Respiguemos factos recentes. (...)

Perante este descalabro ético que sector da sociedade portuguesa tem autoridade moral para dar lições ao futebol?
Não se trata de branquear ou aligeirar o que se passa no futebol. O que passa com o futebol e com o organismo de justiça é grave. Mas não é de todo diferente do que se passa com o país. De resto é cada vez mais nítido que o direito serve para muitas coisas mas nem sempre para a administração da justiça. No desporto e fora dele.

O que está doente não é futebol. Se fosse só o futebol o problema seria apesar de tudo bem mais fácil de resolver. (...) É o país que está doente. E em vez de diagnosticar o que está a ocorrer limitamo-nos a seguir a onda do que mais se fala. A seleccionar sintomatologias em função do que é mediaticamente relevante. A solução vai invariavelmente para o reforço dos meios legais e similares.

E para o desporto tudo agora se parece resumir a um novo edifico de magistratura: o Tribunal Arbitral. Será sério, honesto e imune a influências e poderes. Não será deste mas de outro mundo. Terá uma vocação e bênção divinas? Oxalá assim seja. Mas cá para mim há uma pequena coisa bem mais importante de discutir e mais difícil de debelar: o carácter. O carácter das pessoas. A sua formação e honorabilidade. Aquilo de que são ou não capazes de fazer. Os valores e os princípios que norteiam as suas condutas. Não do que apregoam. Nem do que rezam ou juram. Mas do que fazem. Em casa, no emprego, na sociedade. E deixem de pedir ao desporto o que ele por si só não tem capacidade de fazer: o de regenerar a sociedade!


Texto integral aqui.