Mostrar mensagens com a etiqueta bonecada. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta bonecada. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 11 de março de 2009

Mind Game: Preparação do meu jogo com o MN José Padeiro. O lance é Rxb6!!


Depois de aqui ter analisado o lance Re8-f7, que não me convenceu, tive que aprofundar as minhas análises para estar preparado para o próximo jogo importante que surgisse.

Após várias semanas de trabalho de laboratório, sem esquecer a vertente física - preparei o sprint em apurado trabalho aeróbico, hoje, na véspera da minha partida com o Mestre Nacional José Padeiro, com o intuito de tornar a partida equilibrada e não embaraçar o Mestre, decidi divulgar aqui o meu lance surpresa.

Espero que, com 24 horas de antecedência, o meu adversário consiga encontrar a refutação.

Anuncio, assim, a minha descoberta que vai mudar a concepção do xadrez. Passe a falta de modéstia, creio não haver nada comparável desde a última grande alteração das regras e do "Mein System", de Nimzowitsch.

Prepara-te, Padeiro, o melhor que conseguires, para receberes no meio-jogo o meu Rxb6!! Tenho-o na ponta da língua, mesmo entre os dentes. E, para que não haja dúvidas, não se trata de jogar o meio-jogo como se fosse o final, avançar com o monarca, e jogar Rei toma b6! Nem, sequer, de garantir o domínio da coluna com Rook takes bee six!



Rxb6!! E depois quero ver se recuperas o material!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Torneio dos Mercenários: (Ex-)Talibã Quintã troca xeques por cheque!


Teve ontem lugar o primeiro Torneio dos Mercenários. Apesar de as forças de segurança estarem avisadas, a maior parte dos desaparecidos compareceu à chamada, no local altamente secreto das arcadas da Aurélia de Sousa.

Naturalmente, sob disfarce.
Assim,



O Cowboy Bang Bang deixou o chapéu do cartaz e compareceu com óculos temáticos.
A troca de adereços afastou qualquer suspeita.




JoJo Fast Hand optou por camuflar as mãozinhas voadoras durante toda a noite:
com um cotovelo prendia uma mão e com os dentes segurava a outra.




Tony Caramez adoptou um look desportivo, à personal trainer, pretendendo ser o camisola amarela na corrida pelos € 50,00.



Extremamente surpreendido, vi o Talibã Quintã chegar sem qualquer tipo de disfarce.

Depois de ter passado os últimos 5 meses absolutamente camuflado (por temer pela minha integridade física, não o fotografei quando foi ao Grupo jogar para a Taça AXP), ele surgia agora de "cara lavada" :)

Fiquei de pé atrás. Mais felizes ficaram as meninas dos anúncios dos shampoos que costumam aparecer em topless nos anúncios televisivos, com os seios tapados apenas por longos cabelos brilhantes. É que, nos corredores das produtoras, constava-se que a H&S pensava contratar o Talibã para o próximo comercial em que, rodando a cabeça consecutivamente para os lados, ao mesmo tempo que flectia ligeiramente os joelhos, o talibã taparia, alternadamente, ora o seu mamilo esquerdo, ora o seu mamilo direito... com a barba, claro.

Experiente como sou, a coisa não me cheirou bem. Vi logo que o vencedor da prova estava cozinhado. Para se atrever a comparecer sem barba ou disfarce, o Quintã tinha que estar protegido...

Muito bem protegido.



E se poucas dúvidas tinha, mais certo fiquei quando soube quem era a malta que o acompanhava e, principalmente, qual era o carro que os transportava.



Este veículo é inconfundível. Paira por todo o lado. É quase omnipresente.
Nem é preciso ver quem o conduz.


Era o veículo do Chefe. O Presidente do Conselho Nacional de Arbitragem da Federação Portuguesa de Xadrez. Em pessoa! Vito (rino) Corleone seria o árbitro do torneio!


E os seus longos braços estavam ali para amparar o Talibã Quintã!
Para mim era já uma evidência!



Mas a coisa ficou ainda mais clara quando o Emanuel foi falar com o Chefe e lhe fez um reparo. Com alguma razão. Realmente, não é bonito ir ao clube dos outros com tanta malta tão forte.
Mas tal foi um erro crasso, como o Emanuel já devia saber.
Vito Corleone não recebe reparos de quem quer, só de quem pode!


Já viram este melro? - perguntou, apontando o indicador ao Emanuel enquanto sorria para a fotografia. Já a formiga tem catarro, hein? Espera aí que eu já te dou a tosse...
O Matos ficou atrapalhado com a conversa, olhou com pena para o Emanuel, mas fez de conta que não era nada com ele, até porque o Vito tinha um homem de fila, ex-SS, ao seu lado...
(Faz bolso-cachaço em 1.2 segundos. Menos com a mão direita. Forte e seco!)


Ó Mário, desculpa lá, eu não queria vir aqui meter-me no teu torneio, mas tu tens que segurar os teus jogadores. Os gajos não podem andar por aí a dizer-me o que lhes passa pela cabeça... Quem? O Sousa, pá! - disse, apontando friamente para o Emanuel. Ele pensa que já é galo, mas eu já lhe dou o arroz. Para começar, hoje não vai aos prémios. Há dinheiro até que lugar? Quinto? Então, para ele pensar duas vezes antes de voltar a mandar uma posta, vai ficar a cheirar os euros. Põe aí no papel: Emanuel, sexto lugar! Vamos lá ver se para o mês que vem ele não regressa com outra atitude...



Vito Corleone disse, estava dito. E tudo estava preparado para que nada caísse em saco roto...



Naquela altura do campeonato, nem o Afonsov Abramovitch tinha margem de manobra para intervir.
Vito Corleone já juntara mais um j'adoube à lista.



Sem surpresas, horas depois, chega a classificação final.
Quintã em primeiro (claro!), Emanuel em sexto (pois!).
E, como todos os Chefes que se prezem, Vito Corleone gosta que os seus protegidos se sintam bem. Como um dos seus rapazes precisava de comprar uma prenda para a namorada, lá reservou um quarto lugar...


O Johnny War & Back, procurado por ter abandonado o xadrez demasiado cedo, ficou tão contente por poder comprar uma prenda à sua mais que tudo que até pretende voltar para o mês que vem.
Meus senhores, Johnny War Is Back!


E assim se jogou o primeiro Torneio dos Mercenários do Outlaw Motorcycle Club!
(o quarto de banho estava muito limpinho, como de costume)

Em Março há mais!


Até lá, treina-se às quartas. Preencher 8 dos 14 lugares da primeira metade da tabela não é mau, mas mesmo com Vito Corleone, acho que conseguimos fazer melhor... :P


Todas as fotos no sítio do costume.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

AX Gaia: Media local assinala nova GRANDE surpresa no mercado de transferências!




Segundo o portal Gaia Global, da Câmara Municipal de Gaia, a Academia de Xadrez de Gaia continua a surpreender no mercado de transferências!



Depois da contratação do actual Campeão da Europa - o GM de origem russa, naturalizado holandês, Sergei Tiviakov - e da saída do GM António Fernandes, aquele meio de informação coloca fora da academia gaiense José Miguel Margarido que no sábado passado venceu a série de apuramento do Convento dos Gatos e a Taça AXP, em ambos os casos em representação... da AX Gaia :)

Como a notícia é de hoje, a contratação terá sido efectuada ontem ou anteontem.

Ou então é um erro! :P

Lê-se naquele portal que


(...) Da Associação de Proprietários da Urbanização Vila D' Este marcam presença neste torneio [Convento do Gatos] nove atletas, com cinco deles a assegurarem a presença nas meias-finais. São eles José Miguel Margarido (...)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

FPX: Cartão de Atleta


Num momento em que o Cartão de Atleta instituido pela FPX é obrigatório (e, logo, obrigatoriamente pago - cfr. ponto 8, alínea j), do Regras de Filiações 2008/2009), o António Matos questiona o vazio que muitos de nós temos da carteira no seu mais recente Art Work.


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

FPX: Lista de elo de semi-rápidas

Apesar de quase todos os regulamentos de torneios de semi-rápidas dizerem que a prova respectiva conta para Elo FPX, a verdade é que a Federação Portuguesa de Xadrez não actualiza a lista há mais de um ano. A última conhecida é de Janeiro de 2008...

No último Art Work, publicado no blogue do Moto Clube, o António Matos "desenterra" o assunto com piada:


terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Phelps: Fãs consumidores contra-atacam!


Como se recordarão, a foto de Phelps a fumar marijuana publicada na capa de uma revista criou celeuma. Apesar de a Federação de Natação dos EUA não ter considerado o consumo como violação de normas antidopagem, ainda assim aplicou uma sanção ao nadador por considerar o acto lesivo para a natação estado-unidense. A Kelloggs também reagiu e retirou o seu patrocínio ao atleta.



Agora chega o contra-ataque. Milhares de fãs do nadador, alguns consumidores sociais da mesma substância (em Portugal, o consumo foi descriminalizado há já alguns anos), lançaram uma petição que apela ao boicote dos cereais daquela empresa.

Gostaria de saber melhor inglês, acho que valeria a pena :)
De qualquer modo, a petição, neste momento com mais de 4000 assinaturas, reza mais ou menos assim:

Ao cuidado da empresa Kellogg's.

Exmos. Senhores,

Considerando:

1) Que a Kellogg's é um importante fabricante de cereais e de comida de plástico, incluindo, entre outros, o Special K, o All-Bran, os Chocos, os Choco Krispies, os Frosties, os Smacks, os Rice Krispies, os Miel Pops, os Corn Flakes e muitos outros produtos que integram os hábitos alimentares de muitos consumidores de marijuana;

2) Que a Kellogg's tem tido lucros, nas últimas décadas, com os desejos alimentares que surgem sempre quando acabamos de fumar marijuana;
(Na verdade, acreditamos que a maioria das pessoas com mais de doze anos só consome produtos da Kellogg's por estar ganzada.)

3) Que a Kellogg's decidiu cancelar o seu patrocínio ao nadador olímpico Michael Phelps após a publicação de fotos em que ele, aparentemente, estará a fazer exactamente aquilo que a maioria dos consumidores da Kellogg's faz imediatamente antes de apreciar uma tigela de Frosties misturados com Choco Krispies;

4) Que a atitude referida no número anterior, apesar de legal, é completamente "pseudo";

5) Que, deste modo, a Kellogg's se comporta como um grande e gordo hipócrita, tal como os nossos pais se comportaram quando descobriram o nosso sabãozinho que estava escondido debaixo da cama, e o confiscaram para, de seguida, se sentarem na sala a ouvir repetidamente o Dark Side Of The Moon, não pararem de dançar nem de rir, e eu juro que nos cheirava a qualquer coisa;

6) Que uma rápida pesquisa na Wikipedia mostra que o fundador da Kellogg's - John Harvey Kellogg - foi um tipo completamente apanhado da cabeça que acreditava que cobrir os genitais das crianças com uma caixa impediria que eles se entretivessem sozinhos, e também acreditava que o iogurte era bom para limpar o intestino através de clisteres;

7) A sério, pesquisem "John Harvey Kellogg" no Google. O tipo não batia bem!

8) Que aquela coisa sobre clisteres e iogurte nos faz querer vomitar quando olhamos para a caixa de Kellogg's Yogos que temos na despensa;

9) Que o Michael Phelps é que deveria cessar o patrocínio e deixar-VOS, devido à vossa obsessão com farelos e fibras e masturbação e manteigas
[butts; também quer dizer traseiros] e outras coisas.
Vocês é que O abandonaram? O rapaz ganhou oito medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos e, provavelmente, não teve qualquer comportamento menos apropriado: não atou nenhuma medalha ao rabo, nem as passeou amarradas ao seu mais que tudo! O moço só queria relaxar. A sério Kellogg's, PQP!


Os abaixo-assinados,
Face a todos estes factos e ao total desrespeito pelos vossos clientes (e àquela coisa com o iogurte), planeiam BOICOTAR todos os vossos produtos.


E estamos a falar a sério.

Embora deixar de comer Frosties seja complicado.

Com os nossos melhores cumprimentos,

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Conferência sobre o estado moribundo do blogue


Após três dias sem novidades, a Associação dos Leitores do Blogue, entretanto constituída, vai organizar, com carácter de urgência, um debate sobre o estado moribundo deste, para o qual todos estão desde já convidados. A situação ganhou novos contornos quando, após várias procuras e sucessivas pesquisas sem resultados, o desespero tomou conta dos leitores que se cansaram de buscas com resultado em branco.

Dois destacados especialistas - um advogado antigo jornalista, actual representante da O.A., e um advogado actor, em tempos mediático professor - discutirão o tema "Buscas em Branco - Terrorismo Vigoroso?", numa mescla de saberes que pretende dar um renovado olhar interdisciplinar a esta questão que está na ordem do dia. O debate será depois alargado à assistência e será transmitido em directo no forum da TSF.

ps:
Infelizmente, antes de o cartaz seguir para a tipografia, houve um problema com a identificação das fotos...



Alguém é capaz de distinguir o Professor do Tonecas do Senhor Bastonário?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Os Traços: Di Maria, Maradona e a Selecção Argentina

Directamente do blogue Xadrezismo, a primeira tira d'Os Traços, "a família mais «fina» de Portugal":



Cuidado!

A equipar de azul e branco ainda se arriscam a não ganhar o campeonato! ;)

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O que faz falta... - Parte 2


Continuando este post de Setembro e a alegoria de Outubro, já se sabia em Novembro (Adenda ao post sobre a Fórmula do Sucesso) o que se leu em Dezembro.



Arthur Bloch, A Lei de Murphy - volume III, Editorial Presença.

"Como já é do seu conhecimento «se algo pode correr mal, correrá mal». Pois bem, se julgava que a lei de Murphy era coisa do passado, desengane-se, pois surgiram Outras Más Razões para as Coisas Correrem Mal. O terceiro volume da lei de Murphy é um auxílio precioso para quem não quer ter preocupações desnecessárias; afinal «o verdadeiro problema não tem solução». Portanto seja optimista, e lembre-se de que «errar é humano – mas atribuir a culpa a outra pessoa qualquer é mais humano ainda»."



Depois deste post MoNsTrUoSo de Janeiro do ElToreroBombero na Casa do Xadrez - "É a bomba: cartas polémicas que envolvem as Olimpíadas de Dresden", só os ensinamentos de Murphy poderão conseguir recolocar os pés do xadrez português no chão.
(Este título do último post do Ala de Rei é menos sensacionalista mas igualmente assertivo: "Há casos em que a vergonha não tem limites. A Vice-Presidente da Federação Portuguesa de Xadrez, Maria Armanda Plácido é um exemplo disso.")


Sobre a convocatória das selecções absoluta e feminina para Dresden:
Quarta Lei de Frothingam - A urgência é inversamente proporcional à importância.
Lei de Murphy - Se algo pode correr mal, correrá mal.
Comentário de O'Toole - Murphy era um optimista.
Corolário de Kohn à Lei de Murphy - Dois erros são apenas o início.
Princípio de Parouzzi - Se o começo for mau, os problemas aumentarão em progressão geométrica.


Sobre a jogadora-capitã-chefe de delegação:
Lei de Murphy na Administração Pública - Se algo correr mal, correrá mal em triplicado.
11.º Mandamento - Não participarás em comissões.
Lei de Perrusel - Não há trabalho tão simples que não possa ser mal feito.
Princípio de Rockefeller - Nunca faças nada que não devas ser apanhado a fazer.


Pensa a Direcção da FPX:
Lei de Tussman - Nada é tão inevitável como um erro que viu chegada a sua hora.
Lei de Maahs - As coisas correm bem para poderem correr mal.
Lei da Dualidade de Dude - Consideradas duas hipóteses, acontecerá a mais indesejável.
Observação de Mae West - O erro é humano, mas provoca sensações divinas.
Lei de Allen - É sempre mais fácil entrar em do que sair de.
Primeira Lei da Política - Ficar, apoiando os que saem.


Sobre a resposta à carta que, apesar de algumas imprecisões, tem tudo e não acrescenta nada ao que foi escrito no relatório de 17 páginas, ilustrado com fotografias e cerca de 500 páginas de anexos (versão resumida), e respostas seguintes:
Regra do Fracasso de Fahnestock - Se não for bem sucessido à primeira vez, destrua todas as provas da sua tentativa.
Lei de Zymurgy sobre a Dinâmica dos Sistemas Evolutivos - Uma vez aberta uma lata de minhocas, para as guardarmos de novo teremos de usar uma lata maior.
O Império da Lei - Se os factos estiverem contra si, ponha a lei em causa. Se a lei estiver contra si, ponha os factos em causa. Se os factos e a lei estiverem contra si, grite como um louco.
Comentário de Kaiser à Lei de Zymurgy - A menos que queira ir à pesca, não abra uma lata de minhocas.
Lei dos Grandes Problemas de Hoare - Dentro de cada grande problema há um pequeno problema que luta para se libertar.
Conversão da Lei dos Grandes Problemas de Hoare, por Schainker - Dentro de cada pequeno problema há um problema maior que luta para se afirmar.


Conclusão:
Lei de Baxter - O erro da premissa aparecerá na conclusão.
Lei de Hane - Tudo pode correr mal, até limites desconhecidos.


Próximos capítulos:
Lei da Retórica de Hartz - Se durar o suficiente, qualquer discussão acaba na semântica.
Terceira Lei do Debate de Fahnstock - Qualquer assunto digno de ser debatido também é digno de ser esquecido.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Há procura de lembranças para uma festa de Natal?




Aqui ficam duas sugestões:


A Vida Imita o Xadrez, de Garry Kasparov (editora Gestão Plus)


Já está disponível a versão portuguesa do "How Life Imitates Chess" - site oficial aqui.

Nesta obra, Kasparov parte das lições que, durante a sua carreira enquanto xadrezista profissional, aprendeu no tabuleiro, para enunciar os princípios fundamentais dos pontos-chave de um bom processo de decisão: como avaliar oportunidades, antecipar o futuro e desenhar estratégias vitoriosas.

De uma forma viva e original, Kasparov apresenta as bases da estratégia, da avaliação, do desenvolvimento de um estilo pessoal e da utilização da memória, da intuição, da imaginação e, até, da fantasia.

Levando os leitores até aos grandes matches da sua carreira, incluindo os duelos lendários contra o GM Karpov e o super-computador da IBM Deep Blue, Kasparov também se socorre de outras experiências pessoais e exemplos retirados da vida política, literária, desportiva e militar. Independentemente da situação e do adversário, Kasparov ensina os leitores a combinar a capacidade bruta da análise com o instinto que um xadrezista - ou um empresário - de sucesso utiliza contra o seu oponente.

Com franqueza, discernimento e, por vezes, com humor, Kasparov olha para as suas vitórias e para os seus erros, na perspectiva quer do xadrezista da elite mundial, quer na do líder político da Coligação Outra Rússia.

Combinando a visão estratégica com as memórias pessoais de Kasparov,
A Vida Imita o Xadrez é uma breve vislumbre da mente de um dos maiores e mais inovadores pensadores da actualidade.

Preço: € 16,00


Para uma leitura mais soft,

Não Compreendo as Mulheres, de Ivar Corceiro (editora Ulisseia)


Ivar Corceiro já esteve aqui no blogue, em Agosto, devido às composições sobre xadrez, como a que se encontra no início deste post, que publica de vez em quando no seu blogue Não Compreendo as Mulheres.

Na altura escrevi que "foi a partir destes cartoons escaquísticos que me tornei leitor do não compreendo as mulheres, o blogue do Ivar Corceiro, uma espécie de homem do renascimento do século XXI: mais que cartoonista, ele é DJ/VJ residente no "melhor bar do mundo", onde, em parceria com a DJ Moa Bird, actua o Couscous Projeckt; é cronista, e "todas as sextas (ou quase) [são publicadas] as Crónicas da Cidade que Sopra, no Diário de Aveiro"; faz fotografia, performances, desenhos digitais e alguns dos seus filmes passam em festivais - outros, às vezes, por falta de orçamento, viraram contos - e publicou o livro Numa Avenida de Merda; De resto, é bloquista, parece porreiro, anda na casa dos 30, é divorciado, pai babado e não compreende as mulheres..."

Como já devem ter adivinhado, alguns dos posts do blogue deram origem ao livro.
Podem lá dar um saltinho e, se gostarem, podem comprar o livro: como algum software, "what you see is what you get"!

Preço: € 12,00
Locais de Venda.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Re8-f7: !!, !, !?, ?!, ? ou ?? ?

A notícia, em versão electrónica, do diário desportivo Record, que divulgou o caso da convocatória para as Olimpíadas de Dresden, publicada há uma semana (22 de Outubro), terminava informando que "a Agência Lusa contactou a Federação Portuguesa de Xadrez, mas esta não respondeu em tempo oportuno".

Esta madrugada (29 de Outubro), foi publicada, no site do mesmo órgão de informação, nova notícia sobre o mesmo assunto, de que consta a posição do Presidente da Federação Portuguesa de Xadrez.



Sob o título "Xadrez: Olimpíadas voltam a provocar polémica" e o sub-título "Guerra de regulamentos amputa Selecção em Dresden", os dois primeiros parágrafos da notícia identificam a polémica, o terceiro (com o destaque "Absentismo" (?!)) transmite a posição do PFPX e o último parágrafo desta notícia sobre Dresden refere-se a... doping no xadrez.

(...)
Absentismo

António Bravo, presidente da FPX, diz que foi aplicada a metodologia das direcções anteriores em relação à Selecção, que nem sequer tem seleccionador, alegadamente por falta de verbas: “Voltar atrás seria uma falta de respeito pelos seleccionados. Cumprimos regulamentos. A Selecção não foi lesada porque os valores são semelhantes. A Associação de Mestres, por exemplo, nada fez para mudar os regulamentos. Sou presidente numa situação de recurso e não houve listas alternativas nas eleições. Existem locais próprios para estes assuntos serem debatidos.”
(...)




Sejam bem-vindos a mais uma tarde desportiva. A partida que tem honra de acompanhamento jornalístico não se joga no Vietname e continua a ser disputada num conjunto tabuleiro/peças pouco habitual, quiçá não homologado para provas FIDE.

Nos últimos lances, o Cavalo da Associação de Mestres manobrou calmamente, fazendo uma pausa para conversar com este, outra para ouvir aquele, mas lá capturou a torre negra em a8, finalizando a travessia Ch1-f2-d1-c3- (driblando o Bispo da Direcção da FPX que controla a diagonal b1-h7 e não deixa o Rei do GM António Fernandes aproximar-se do quadrado dos 5 seleccionados e do peão e7) -b5-c7-a8. Entretando, o Rei da FPX aguardava o início da Olimpíada para mandar promover os convocados em jogadores efectivos, jogando Re8-d8-e8-d8-e8-d8-e8 debaixo do guarda-chuva do peão e7, conhecido na bancada como "seleccionador mistério".

A razão que acompanha o Campeão em título, só aparentemente pregada pela Ta8, deslocou-se de a2 para a5 nas páginas do Record - xeque! -, e, no mesmo local, seguiu-se Re8-f7.


As negras jogam Re8-f7 nas páginas do Record


Apesar de as negras estarem com uma vantagem de tempo avassaladora - a queda da bandeira branca parece ser mesmo uma questão de dias -, este lance foi reflectido durante uma semana: as brancas deram xeque no dia 22 de Outubro e as negras responderam a 29, só depois de o Cavalo ter tomado em a8. Tal é possível porque no xadrez as regras cronológicas e temporais são próprias: por exemplo, fora do tabuleiro, o caminho mais curto entre dois pontos é em linha recta; mas o xadrez tem tempos que são só seus. Basta ver que o Rei demora o mesmo tempo a ir de a5 a h5 quer vá em linha recta quer vá aos ziguezagues... aqui, pelo menos, não há doping que o suspenda preventivamente por ziguezaguear, apesar de isso, à luz das regras de outros jogos, poder ser considerado aumento de rendimento!

Este lance Re8-f7 merece ser analisado.
Por um lado, cumpre os regulamentos - o Rei pode andar uma casa adjacente e, se tropeçou, pelo menos não caiu em e7 (peça largada, peça jogada!). Depois, permite ao Rei seguir para g8, onde um roque artifical tentará protegê-lo das investidas da Dama branca. Será este, porventura, o local próprio para debater a questão, pois, apesar de o Rei ter jogado em recurso - não houve voluntários para a interposição e não era possível tomar a Dama branca -, à míngua de alternativas, o Rei vai para junto do seu Bispo... se bem que não se saiba bem se o Bispo está em h7... ou em i8. Aqui da bancada de imprensa não se vê bem, devido ao poste de iluminação, sendo certo que já houve casos em que os Bispos negros participaram no jogo sem estarem no tabuleiro.
Por fim, mas não menos importante, a jogada Re8-f7 permite um ataque a descoberto ao Ca8 que, todavia, está bem defendido pela Dama branca e prepara-se para manobrar novamente, no sentido Ca8-c7-d5-e7, onde terá g8 em mira, estando prevista a chegada àquela casa para o dia 9 de Novembro. Certo que Cxe7 causa um certo incómodo - é mais um xeque, e como se dizia na sala onde aprendi a jogar "na dúvida dá-se xeque! Pode ser que seja mate!" - também resolve a questão do seleccionador, pelo que não se poderá dizer que o Cavalo nada fez.


Variante 9 de Novembro com o Bispo em i8.


Apesar de as peças críticas no tabuleiro serem, nesta posição, a Dama e o Cavalo branco e o Rei negro - além, claro, do Rei branco (sem rei não há jogo!) e dos seis peões negros (que estão suspensos até dia 12 de Novembro) - aquele lance Re8-f7 pretende também acabar com todo o jogo das brancas na ala de dama para centrar todas as atenções na de Rei, onde o cavalo do doping foi descoberto, sem querer, enquanto almoçava.


As negras pretendem resolver a polémica com Rf6-g5!!


Esta manobra surpreendente talvez não queira eclipsar a ala de Dama, mas não há dúvida que surpreende, até porque o Ch4 costuma estar amarrado à manjedoura na casa i5, onde, de acordo com muitos regulamentos, relincha se quiser que algum xadrezista lhe troque o feno ou a água. Se o Cavalo não relinchar, o jogador pode ir para casa sem correr o risco de ser preventivamente suspenso por tomar um diurético.

Mas não será necessário ir mais longe na análise, porque, além da posição não pedir a consideração de Rf6-g5 como tema candidato, agora que atento melhor na ala de Rei, bem vistas as coisas, a posição negra, concretamente a sua estrutura de peões, é ilegal: não é possível chegar àquela estrutura através de qualquer sequência de lances regulamentares. Há ali um peão, talvez o de h3 que deveria ser substituído por outro. Nem que fosse o de b2 que, de acordo com o cartão de atleta federado, é de uma xadrezista da AX Faro.

Prevê-se algum tempo de descanso neste match, pelo que voltaremos para acompanhar os Campeonatos do Mundo.

ps: Não é preciso dizer que qualquer semelhança com a coincidência é pura realidade.
ps2: Qualquer adepto pode dizer que todos os seleccionáveis são igualmente bons. O Presidente da FPX não pode dizer que a Selecção não saiu prejudicada porque se trata, aqui, de uma questão de justiça (aplicação do regulamento), não de valor desportivo.
ps3: Voltar atrás seria uma falta de respeito para os seleccionados? Que respeito receberam os jogadores que deveriam ter sido seleccionados mas não o foram? Voltar atrás não era oportuno por aquele motivo. Mas seria legal?

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Dia de descanso no Campeonato do Mundo


Hoje é dia de descanso, não há jogo entre Anand e Kramnik. Mas há adeptos e adeptos, e Didi Senft, também fã de cicloturismo, apresentou uma proposta inovadora:




Percebe-se por que é que Didi Senft é conhecido por El Diablo, e por que é que estas imagens, da Reuters, foram encontradas na secção "Planeta Bizarro" do portal de notícias da Globo.


Longe do selim e do Planeta Bizarro, o Campeonato do Mundo segue assim (notícia do Guardian):



Anand alcança vantagem de 3 pontos sobre Kramnik
Agência Noticiosa Assotiated Press
Terça, 21 de Outubro de 2008
Por ROBERT HUNTINGTON

Para The Associated Press, BONA, Alemanha (AP) - O indiano Viswanathan Anand venceu novamente o candidato Vladimir Kramnik esta terça-feira, pregando mais um prego no caixão das esperanças do candidato russo em reclamar o título de campeão do mundo.

A terceira vitória de Anand nos últimos quatro jogos deu ao campeão em título a liderança do match por 4.5-1.5. Uma onda de vitórias desta dimensão é praticamente inédita em matches pelo título mundial de xadrez, onde o habitual é as partidas terminarem empatadas.

A título de exemplo, quando, em 2000, Kramnik derrotou o então campeão do mundo Garry Kasparov, venceu duas partidas e empatou as restantes 13. Kramnik perdeu o título o ano passado, precisamente para Anand.

Com seis partidas por disputar, Kramnik, que nunca perdera 3 jogos em 4, tem poucas hipóteses de sair do buraco em que se encontra, até porque só jogará três com as brancas e Anand pode empatar os desafios que faltam.

O nono lance de Anand, numa Nimzo-India, foi uma novidade preparada que, posteriormente, o jogador classificou como "interessante porque força o adversário a sair da teoria e a começar a pensar desde muito cedo".

O antigo campeão do mundo Anatoly Karpov considerou que "a reacção de Kramnik não foi boa".

Já Kramnik declarou que "a abertura foi estranha mas a posição pareceu-me muito igualada". "Os meus lances pareceram muito lógicos".

Todavia, Anand gostou da posição que alcançou após a troca de Damas pois tinha pressão na coluna C contra o peão fraco de c7, e criticou o 17.º lance de Kramnik. Este concordou, acrescentado que, após esse lance, "não consegui ver como igualar".

Anand considerou a sua resposta - pregagem do cavalo de Kramnik à sua torre, "um pouco desagradável. Nessa altura senti que estava melhor."

A consequência lógica daquele lance 17 foi um sacrifício de peão que Karpov considerou "demasiado arriscado", mas Kramnik considerou-o necessário pois, caso contrário, "ficaria sem contra-jogo".

Apesar de ter um peão a menos, Kramnik tinha as suas peças mais activas e a torre de Anand estava um pouco descoordenada em g2. Mas foi apenas uma questão de tempo até Anand melhorar a sua posição.

"Ele conseguiu imenso contra-jogo [pelo peão sacrificado] mas não o recuperou", disse Anand. Kramnik considerou o seu lance 33 "o erro decisivo".

No final, Anand teve que jogar com precisão, mas tinha vários planos vitoriosos por onde optar. Kramnik desistiu no lance 47.

A conferência de imprensa após a partida atrasou-se mais de meia hora devido aos testes anti-doping obrigatórios. Questionado sobre estes, Anand considerou-os "completamente desnecessários" e apontou os computadores como a principal forma de fazer batota no xadrez. "Os testes anti-doping foram pensados para outros desportos", sustentou Anand.

Na quinta-feira, Anand jogará de brancas no jogo 7.



Aqui fica a partida, retirada de Chess Vibes, anotada pelo MI Merijn van Delft e por Peter Doggers, redactores daquele site:



quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Xadrez geopolítico: antecedentes de uma mini-guerra no Cáucaso

Por Immanuel Wallerstein
Tradução de Luis Leiria, publicado no Esquerda




O mundo foi testemunha em Agosto de uma mini-guerra no Cáucaso, e a retórica foi apaixonada, mas em grande parte irrelevante. A geopolítica é uma gigantesca série de jogos de xadrez, no qual os dois jogadores procuram obter vantagem de posição. Neste jogos, é crucial saber as regras que regem os movimentos. Os cavalos não podem andar na diagonal.

De 1945 a 1989, o principal jogo de xadrez era travado entre os Estados Unidos e a União Soviética. Chamava-se Guerra Fria, e as regras básicas eram metaforicamente chamadas de "Yalta". A regra mais importante referia-se à linha que dividia a Europa em duas zonas de influência. Winston Churchill chamava-a de "Cortina de Ferro", e ia de Stettin a Trieste. A regra estabelecia que, fosse qual fosse o tumulto instigado na Europa pelos peões, não haveria guerra entre os Estados Unidos e a União Soviética. E no final de cada instância de tumulto, as peças deviam voltar aonde estavam no início. Esta regra era observada meticulosamente até ao colapso dos comunismos em 1989, que foi marcado pela destruição do Muro de Berlim.

É verdade, como toda a gente observou na época, que as regras de Yalta foram revogadas em 1989, e que o jogo entre os Estados Unidos e (a partir de 1991) a Rússia mudou radicalmente. O principal problema desde então é que os Estados Unidos não compreenderam as novas regras do jogo. Autoproclamou-se, e foi proclamado por muitos outros, como a única superpotência. Em termos de regras de xadrez, a interpretação era que os Estados Unidos podiam mover-se por todo o tabuleiro como quisessem, e em particular transferir os ex-peões soviéticos para a sua esfera de influência. Sob Clinton, e de forma mais espectacular sob George W. Bush, os Estados Unidos passaram a jogar desta forma.


Só havia um problema: os Estados Unidos não eram a única superpotência; já nem havia sequer superpotências. O fim da Guerra Fria significava que os Estados Unidos tinham sido rebaixados de uma das duas superpotências para serem um estado forte numa distribuição verdadeiramente multilateral do poder real no sistema inter-estados. Muitos países grandes podiam agora jogar o seu próprio jogo de xadrez sem esclarecerem os seus movimentos a uma das duas anteriores superpotências. E começaram a fazê-lo.

Duas importantes decisões geopolíticas foram tomadas nos anos Clinton. Primeiro, os Estados Unidos pressionaram fortemente, e com mais ou menos sucesso, pela incorporação dos anteriores satélites soviéticos à NATO. Estes próprios países estavam ansiosos por entrar, apesar de os países-chave da Europa ocidental - a Alemanha e a França - estarem de certa forma relutantes de seguir este caminho. Viram a manobra dos EUA como estando em parte dirigida contra eles, procurando limitar a sua recém-adquirida liberdade de acção geopolítica.

A segunda decisão importante dos Estados Unidos foi tornar-se um agente activo nos realinhamentos de fronteiras no interior da ex-República Federal da Jugoslávia. Isto culminou numa decisão de apoiar, e impô-la com as suas tropas, a secessão de facto do Kosovo da Sérvia.

A Rússia, mesmo sob Yeltsin, ficou muito descontente com estas acções dos EUA. Contudo, a desordem política e económica da Rússia durante os anos de Yeltsin era tal, que o máximo que ele podia fazer era queixar-se, e de forma muito fraca, acrescente-se.

A chegada ao poder de George W. Bush e de Vladimir Putin foi mais ou menos simultânea. Bush decidiu impor a táctica da superpotência solitária (os Estados Unidos podem mover as suas peças da forma que só a eles cabe decidir) muito mais longe do que fizera Clinton. Primeiro, Bush em 2001 abandonou o Tratado Anti-Mísseis Balísticos firmado em 1972 entre a União Soviética e os Estados Unidos. Depois, anunciou que os Estados Unidos não ratificariam dois novos tratados assinados nos anos Clinton: o Tratado Abrangente de Proibição de Testes Nucleares (Comprehensive Test-Ban Treaty) de 1996, e as modificações acordadas no tratado de desarmamento nuclear SALTII. Em seguida, Bush anunciou que os Estados Unidos iam avançar com o seu sistema Nacional de Defesa de Mísseis.

E, é claro, Bush invadiu o Iraque em 2003. Como parte deste envolvimento, os Estados Unidos pediram e obtiveram direitos de instalar bases militares e de sobrevoar as repúblicas da Ásia Central, que antes eram parte da União Soviética. Além disso, os Estados Unidos promoveram a construção de oleodutos para o petróleo e o gás natural da Ásia Central e do Cáucaso que contornariam a Rússia. E, finalmente, os Estados Unidos entraram em acordo com a Polónia e a República Checa para instalar mísseis defensivos, alegadamente para se defenderem de mísseis iranianos. A Rússia, porém, olhou-os como sendo dirigidos contra ela.

Putin decidiu resistir de forma muito mais efectiva que Yeltsin. Como jogador prudente, contudo, o seu primeiro movimento foi reforçar a própria casa - restaurando a autoridade central e revigorando o Exército russo. Neste ponto, a maré da economia-mundo mudou, e a Rússia subitamente tornou-se um rico e poderoso controlador não só da produção petrolífera como também do gás natural que tanto necessitam os países europeus ocidentais.

Em seguida, Putin começou a agir. Fez tratados com a China. Manteve relações estreitas com o Irão. Começou a empurrar os Estados Unidos para fora das suas bases na Ásia Central. E assumiu uma postura muito firme contra a ampliação da NATO a duas zonas-chave: a Ucrânia e a Geórgia.

A ruptura da União Soviética dera origem a movimentos secessionistas em muitas anteriores repúblicas, incluindo a Geórgia. Quando a Geórgia em 1990 procurou acabar com o estatuto de autonomia das suas zonas étnicas não-georgianas, estas prontamente se proclamaram estados independentes. Não foram reconhecidas por ninguém, mas a Rússia garantiu a sua autonomia de facto.

O estímulo que detonou a actual mini-guerra foi duplo. Em Fevereiro, o Kosovo transformou a sua autonomia de facto em independência de jure. A sua decisão foi apoiada e reconhecida pelos Estados Unidos e por muitos países da Europa ocidental. A Rússia advertiu na época que a lógica desta decisão aplicava-se igualmente às secessões de facto nas ex-repúblicas soviéticas. Na Geórgia, a Rússia decidiu imediatamente, pela primeira vez, autorizar o estabelecimento de relações directas com a Ossétia do Sul e a Abkházia, em resposta directa à decisão do Kosovo.

E, em Abril deste ano, os Estados Unidos propuseram numa reunião da NATO que a Geórgia e a Ucrânia fossem recebidas num chamado Plano de Acção para Adesão à Aliança (Membership Action Plan). A Alemanha, a França, e o Reino Unido opuseram-se, dizendo que seria uma provocação à Rússia.

O presidente neoliberal e fortemente pró-americano da Geórgia, Mikhail Saakashvili, ficou desesperado. Viu que a reafirmação da autoridade georgiana sobre a Ossétia do Sul (e a Abkházia) estava perdida para sempre. Assim, escolheu um momento de desatenção da Rússia (Putin nas Olimpíadas, Medvedev de férias) para invadir a Ossétia do Sul. Claro que o insignificante exército da Ossétia do Sul entrou completamente em colapso. Saakashvili esperava forçar a mão dos Estados Unidos (e também da Alemanha e da França).


Cartoon de Gonçalo Viana publicado na Visão de 21 de Agosto.


Em vez disso, o que obteve foi uma resposta militar imediata da Rússia, sobrepujando o pequeno exército georgiano. O que obteve de George W. Bush foi retórica. O que podia Bush, no fim de contas, fazer? Os Estados Unidos não eram uma superpotência. As suas forças armadas estavam presas em duas guerras perdidas no Médio Oriente. E, o mais importante de tudo, os Estados Unidos precisavam da Rússia mais que a Rússia precisava dos Estados Unidos. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, observou designadamente num artigo de opinião no Financial Times que a Rússia era um "parceiro com o Ocidente no... Médio Oriente, no Irão e na Coreia do Norte".


Quanto à Europa ocidental, a Rússia controla, no essencial, as suas reservas de gás. Não por acaso, foi o presidente Sarkozy da França, e não Condoleezza Rice a negociar a trégua entre a Geórgia e a Rússia. A trégua incluiu duas concessões essenciais da Geórgia, que se comprometeu a não usar mais a força na Ossétia do Sul, e o acordo não continha referências à integridade territorial georgiana.

Assim, a Rússia emergiu muito mais forte que antes. Saakashvili apostara tudo o que tinha e estava agora falido geopoliticamente. E, como irónico rodapé, a Geórgia, um dos últimos aliados dos EUA na coligação no Iraque, retirou de lá os seus 2.000 militares. Estas tropas vinham a desempenhar um papel crucial nas áreas xiitas, e tiveram de ser substituídas por tropas dos EUA, que tiveram de ser retiradas de outras áreas.

Quando se joga o xadrez geopolítico, é melhor conhecer bem as regras, ou é-se enganado.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Silly Season - VIII



Mind Game: o momento do desafio




Eventuais consequências:


domingo, 17 de agosto de 2008