terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Exercícios do J... (3)

Retirado d'O Puto (Bebe)

Kasimdzhanov — Topalov
San Luis, 2005


Jogou-se

1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 Cf6 4.O-O Cxe4 5.d4 Cd6 6.Bxc6 dxc6 7.dxe5 Cf5 8.Dxd8+ Rxd8 9.Cc3 Ce7 10.h3 Cg6 11.Be3 Be7 12.Tad1+ Re8 13.a3 h5 14.Tfe1 h4 15.Cd4 a6 16.f4 Th5 17.Ce4 Bd7 18.c4 a5 19.c5 a4 20.Tc1 f5 21.exf6 Bxf6 22.f5 Ce7 23.Cxf6+ gxf6 24.Bf4 Rf7 25.Bxc7 Cxf5 26.Tc4 Cxd4 27.Txd4 Be6 28.Bd6 Ta5 29.Tde4 Bd5 30.Te7+ Rg6 31.Txb7 Tb5 32.Tb6 Tg5 33.Te2



1. As negras, apertadas, fazem valer engenhosos recursos defensivos.
Qual é o plano, já iniciado, das negras?

2. Então, dentro desse plano, o que é que jogam agora?

4 comentários:

Anónimo disse...

tb3 para passar a torre para a ala do rei e pressionar nesse sector. de momento ameaça-se txh3

joao

Tiago F. Pinho disse...

1) O plano das negras é valorizar a sua vantagem posicional - mais espaço - que lhe poderá dar compensação pelo peão a menos.

os peões de a4 e h4 limitam, cada um, dois peões das brancas, atenuando a vantagem material.

por outro lado, quer um final de bispos de cor contrários quer um final de torres pode possibilitar um empate, apesar da dita desvantagem material.

daí que as negras estejam a colocar os seus peões em casas brancas, onde não podem ser atacados pelo bispo adversário, nem se importem de trocar torres na coluna b.

Para valorizar a sua vantagem territorial, as negras estão a activar as suas peças.

O peão g2, atrasado e fixado, é um alvo já atacado pelo bispo e pela torre de g. Falta melhorar a posição da torre de b...


2)

Eu jogaria ... Tb3 que ameaça tomar em h3.

Se Rh2 Tf5, e a ideia passa por ganhar a linha 1 para as torres, com ameaças de mate.

Se as brancas defenderem a linha com Te1, então Tf2, ganhando a sétima.

JSP disse...

Hey.

Eu bem tento, mas o ritmo a que as coisas se processam por aqui dá poucas hipóteses. Quanta actividade, quanta informação... Só aquele jogo Oliveira - Padeiro ali de trás dá pano para mangas durante, pelo menos, uma semana! :P


Ora bem, sem mais delongas:

1.

«O peão g2, atrasado e fixado, é um alvo já atacado pelo bispo e pela torre de g. Falta melhorar a posição da torre de b...»

Sim. E neste momento, essa melhoria pode ser implementada de forma explosiva.


2.

De facto, Tb3 é a resposta certa. A troca de Torres na coluna b favorece as negras. Sabendo disso, têm vindo a manobrar (Ta5-b5-b3) usando os peões como pontos de apoio.

Para evitar Txh3, as negras teriam de jogar Rh2.

33. ..., Tb3
34. Rh2, Te3
35. Td2

Obviamente, a Te3 não pode ser tomada. [35. Txe3, Txg2+ 36. Rh1, Tg3+ 37. Rh2 e as negras, de súbito, podem escolher entre empatar de imediato repetindo lances ou tentar explorar uma eventual vantagem com 37. ..., Txe3 (Rei activo e Bispo melhor colocado vs. peões passados na ala de Dama)...]

E agora... depois de uma continuação «mais ou menos» forçada após Tb3, o golpe táctico que empata de imediato a partida!

35. ..., Teg3!! (este sim, merece os dois pontos de exclamação.)

Já cá venho contar o resto da história (como é que isto é um empate forçado, huh?)



(se tiver mandado isto em duplicado, apaga um...)

Tiago F. Pinho disse...

Autonomizei esta segunda parte num post novo, para o caso de o João ou mais alguém quiser tentar arriscar a resposta :)

Os comentários estão moderados para quem quiser tentar responder sem ver os contributos anteriores, o que sempre acalma o ritmo.

De qualquer modo, não te sintas pressionado. As respostas não precisam de vir logo de imediato. Aliás, nem precisam de vir :)
Ter os enunciados já é uma grande vantagem. O resto, na pior das hipóteses, resolve-se com uma pesquisa para descobrir a continuação da partida ou com recurso ao computador.

Claro que assim, com pistas "humanas", é mais claro e, para mim, mais interessante.

Obrigado pela ajuda!